terça-feira, 20 de maio de 2014

MEDIUNIDADE DE CURA


Clélia e bisnetos de D. Didi.
O QUE É MEDIUNIDADE DE CURA?      Texto de Hugo Lapa
É o tipo de mediunidade em que o médium pratica as chamadas curas espirituais ou cirurgias espirituais. Esses médiuns podem, com a ajuda direta ou indireta dos espíritos, abrir o caminho para aliviar e curar uma pessoa. Dizemos “abrir o caminho” porque ninguém pode curar alguém que não deseje ser curado ou que possua um forte carma que o obrigue a passar pelo estado de doença.
“Médiuns curadores – Os que têm o poder de curar ou de aliviar os males pela imposição das mãos ou pela prece. Esta faculdade não é essencialmente mediúnica, pois todos os verdadeiros crentes a possuem, quer sejam médiuns ou não. Frequentemente não é mais do que a exaltação da potência magnética, fortalecida em caso de necessidade pelo concurso dos Espíritos bons” diz Allan Kardec em O Livro dos Médiuns.
Existem dois tipos principais de mediunidade de cura. A mediunidade de cura passiva e a ativa. Na mediunidade ativa os espíritos podem ser, eles
Regina com suas flores
mesmos, os agentes principais da cura, ou podem apenas auxiliar um processo que é conduzido ativamente pelo médium. Por exemplo, casos em que o médium doa seu magnetismo a uma pessoa e há espíritos auxiliando com uma doação extra de energia curativa tem a participação ativa do médium.
Mas o médium também pode participar passivamente, realizando aquilo que chamamos de mediunidade passiva de cura. Neste caso, ele apenas cede seu veículo físico ao espírito, que incorpora no médium, assumindo suas funções e movimentos, e o próprio espírito realiza a cura. Aqui o médium se encontra passivo e na maioria das vezes inconsciente, enquanto o espírito faz todo o trabalho.
Dona Didi e Marco, 1945
A mediunidade de cura ativa e passiva pode ser ainda de dois tipos principais: com intervenções físicas e sem intervenções físicas. No primeiro caso, o médium incorpora um espírito que, utilizando-se de objetos físicos como facas, tesouras, agulhas, pomadas, ervas, e outros tipos de materiais, trata o atendido. A cura sem intervenção física usa apenas a incorporação do espírito com a energia curativa emanando do espírito através do médium. Tanto a intervenção física quanto a não-física podem ser chamadas de cirurgia espiritual. Existem as cirurgias espirituais físicas, com cortes e as psíquicas, ou não-físicas, que são naturalmente sem cortes.
No caso de um curador utilizar apenas a imposição de mãos para tratar um doente, esse processo não pode ser considerado mediúnico, posto que não há aí uma ação direta de nenhuma entidade, e todo o processo ocorre pela atuação do médium. Isso não significa, contudo, que os espíritos de luz não estejam agindo a partir dos planos espirituais em benefícios do doente, mas não há,
Dona Didi, 1984.
neste caso, a ideia da intervenção necessária entre o médium e o espírito. Neste caso, uma pessoa que aplica um passe magnético num centro espírita não está exercendo uma função mediúnica, mas está utilizando um fluido próprio, que integra o potencial curativo do seu organismo e do seu perispírito, e transmitindo a outros.
Da mesma forma ocorre no Reiki, No Johrey, na cura prânica, na polaridade, e em outras técnicas de cura por imposição de mãos. O Reiki possui uma ligeira diferença diante de outras abordagens do gênero: a energia irradia pelas mãos do curador não pertence ao mesmo, mas é proveniente de uma fonte cósmica, de onde jorra uma energia inesgotável e sutil, que é captada pelo reikiano pela simples intenção de se impostar as mãos e transmitir a energia cósmica.
Otavio, Luciana, kids e eu, Alto Paraíso.
A transmissão da energia magnética não passa de um indivíduo ao outro apenas pela imposição de mãos, ela também pode ser irradiada pelo olhar, por um gesto, pela simples presença e também a distância, não importa o quão longe esteja o curador do atendido.
Existem indivíduos que tem o dom da cura, e trazem as habilidades de cura de outras existências passadas. Outros curadores, no entanto, podem receber o treinamento adequado e se tornarem curadores. O Reiki é um bom exemplo de técnica de formação de curadores. Qualquer pessoa que passe pela iniciação do primeiro grau do sistema Usui de Cura Natural pode se tornar um curador.
Aleixo, eu e Lane, 2014.
Outros, porém, podem não precisar de nenhuma preparação, e já terem sido treinados em vidas passadas, em escolas esotéricas e treinamentos em templos da antiguidade, onde se praticavam os ritos mistéricos.
Há um terceiro caso em que um espírito, antes de encarnar, aceita a missão de ser, na Terra, um médium de cura, e para isso ele precisa apenas ser um bom veículo de expressão para que os espíritos de luz trabalhem nele, a fim de levar a cura a milhares de indivíduos e expandir a espiritualidade. Os espíritos que escolhem essa missão na maioria das vezes possuem um débito kármico considerável. Por esse motivo, a providência divina os concede a oportunidade de se tornarem canais de cura dos espíritos superiores, para que assim possam reparar uma parte, ou até mesmo a totalidade do mal que fizeram em vidas passadas.
Otavio, Dona Didi e bisneto Frederico.
Dizem que a mediunidade é um karma, e isso está bastante correto. Os médiuns são, muitas vezes, os maiores devedores da espiritualidade. Mas Deus, em sua infinita bondade e sabedoria, concede o instrumento da mediunidade para o resgate destes espíritos no amor e na caridade, seguindo as leis divinas e se tornando um instrumento do plano divino aliviando a dor de milhares ou centenas de milhares de espíritos em estado de sofrimento.
Uma das grandes provações do médium de cura é não se deixar levar pelas tentações do orgulho e da vaidade. Quando o médium começa a ser solicitado, admirado, requisitado, começa a ser muito falado, fica famoso e muitos começam a adorá-lo como um ídolo, seu ego pode atrapalhar sua missão, e há uma grande chance dele cair, estragar tudo e perder uma valiosíssima oportunidade de redimir seu karma e, o mais importante, ajudar pessoas e participar ativamente da obra de Deus no mundo. Há muitos médiuns de cura que caíram por sua vaidade e perderam a oportunidade de expandir ainda mais seu trabalho.
Imagem da intervenção espiritual
Quando isso ocorre, a plêiade de espíritos que o acompanhavam em sua missão deve procurar outro veículo disponível para o mesmo tipo de trabalho.
Os médiuns de cura mais conhecidos são:
ARIGÓ: Foi o primeiro médium do Dr. Fritz. É um dos médiuns brasileiros mais famosos de todos os tempos. Ganhou notoriedade nacional e internacional graças as suas curas. Arigó era um homem muito humilde, trabalhador e muitos diziam que ele gostava muito de ajudar as pessoas e realizar suas curas. Iniciou seu trabalho mediúnico ainda no início da década de 50. Foi preso plea acusação de exercício ilegal da medicina, mas foi solto graças ao indulto recebido do próprio presidente da república na época Juscelino Kubitschek.
JOÃO BERBEL: Um médium de cura espírita que incorpora as entidades e faz cirurgias espirituais sem cortes.
JOÃO DE DEUS: Médium de Abadiânia que trabalha com cirurgias espirituais há quase 55 anos. Conhecido e aclamado no mundo inteiro por suas curas. Até mesmo a apresentadora celebridade Oprah veio ao Brasil para conhecer “John of God”. Oprah decidiu um programa inteiro descrevendo o trabalho de cura do médium brasileiro. João de Deus é, na atualidade, o médium brasileiro mais conhecido no mundo.
WALDEMAR COELHO: Médium que incorpora diversas entidades de médicos do espaço. Homem muito humilde e de bom coração. Trabalha há muitos anos ajudando as pessoas.
EDSON QUEIROZ: Outro médium muito famoso do Dr. Fritz. Era médico e realizava cirurgias espirituais.
RUBENS FARIA: Também médium do Dr. Fritz. Ficou famoso realizando suas cirurgias espirituais no Rio de Janeiro no final dos anos 90. Ficou também conhecido mundialmente e depois se afastou dos holofotes. Está atualmente atendendo na Europa.
VALENTIM: Um médium também muito humilde, que não sabe ler nem escrever, e mesmo assim atrai multidões. Todas essas pessoas, muitas desenganadas pela Medicina, vem em busca da cura ministrada pelos espíritos que fazem as cirurgias espirituais por seu intermédio. Médium Valentim atende em Gama, no Distrito Federal, e realiza mais de 5000 atendimentos por mês. Valentim incorpora mais de 60 entidades espirituais. Um deles é o Doutor Aguiar, um médico do espaço que em vida passada nasceu na Itália. Aguiar teria desencarnado durante a guerra quando trabalhava na Cruz Vermelha. O médium Valentim reúne seguidores não apenas da doutrina espírita, mas também de outras religiões, como católicos, evangélicos e outras denominações.
KLEBER ARAN: O mais famoso médium do Dr. Fritz da atualidade. Um médium humilde, também terapeuta holístico, que atende principalmente em alguns estados do nordeste do Brasil e mais recentemente em São Paulo. Médium muito aclamado pelas massas, já participou de vários programas de TV. Médium Aran atende uma média de 4.000 pessoas em seus dias de atendimento. Autor: Hugo Lapa

domingo, 13 de abril de 2014

PRECE DE AGRADECIMENTO



Uma prece de agradecimento às consciências elevadas  por  Wagner Borges
(E Uma Prática Projetiva na Luz do Darma e na Força de um Grande Amor)
No início de mais um trabalho, nós agradecemos ao Poder Maior Que Gera a Vida pela oportunidade de estarmos aqui, na sintonia de atmosferas espirituais elevadas, que nos orientam para o esclarecimento de nossas consciências - no equilíbrio de nossas energias e de nossos sentimentos.
Também agradecemos aquelas Consciências Maiores, Almas Livres, que, sutilmente, interpenetram o nosso clima psíquico, propagando em nós as ideias sublimes e muitas inspirações avançadas, além de abrir novas rotas conscienciais à frente do serviço de esclarecimento e assistência espiritual por entre os planos da vida...
Agradecemos aquelas Consciências extrafísicas que trazem a sabedoria imemorial da velha China, os conhecimentos da sabedoria taoísta de Lao-Tsé, Chuang-Tsú e Li-Tao.
Agradecemos aqueles mentores espirituais* que trabalham nas vibrações do Kailash, no alto do Tibete.
Mais além, agradecemos aqueles hierofantes** extrafísicos das terras quentes do antigo Egito, com a sabedoria das iniciações que tanta honra trouxeram para os caminhos iniciáticos da Terra. E também aqueles amparadores da sabedoria grega, com os valores herméticos na arte e na graça.
Agradecemos aqueles mestres extrafísicos celtas, guerreiros da Luz, que, com raça e disposição, trabalham invisivelmente para a dissolução dos climas sombrios no mundo dos homens e dos espíritos.
Agradecemos aqueles protetores extrafísicos da atmosfera afrobrasileira, que pontificam nas linhas espirituais da Umbanda, desfazendo as magias e mazelas criadas pela infantilidade dos homens.
Agradecemos aos valorosos protetores extrafísicos da atmosfera dos povos indígenas, guardiões da ancestral sabedoria nativa, de todas as pradarias espirituais, que operam nas energias da Mãe Natureza e praticam a caridade sem que o mundo saiba de sua presença honrada e verdadeira.
Agradecemos a Jesus, grande amigo da humanidade - e também aos mentores espirituais que operam em suas vibrações amorosas, sempre pelo bem de todos.
Agradecemos aos Budas e Bodhisattvas pelo amparo silencioso nas ondas da compaixão e da serenidade. * * *
Agradecemos as hostes de trabalhadores extrafísicos ligados às vibrações espirituais da velha Índia e a sabedoria dos Rishis***, e também a Ramakrishna e Ramatís, que sempre pontificaram nas lindas vibrações dos mestres Rama e Krishna****.
Agradecemos a Rama, o príncipe espiritual que desceu como avatar de Vishnu na Terra, e pontificou, com sua luta, o arquétipo do guerreiro honrado e consciente, que sempre olhava para o Alto, buscando ver os objetivos elevados para cumpri-los em seu Darma... Ah, nobre Rama, que sempre olhava para os grandes horizontes e era justo com todos os seres, fossem homens ou animais.
Agradecemos a Krishna, Senhor do Darma*****, do Amor e da Alegria, também avatar de Vishnu, que, diferentemente de Rama, o seu antecessor, olhava para baixo, do Céu para a Terra, e via a verdade que se esconde dentro dos corações.
Sim, Krishna conhecia profundamente o ser humano.
Rama olhava para o Céu, Krishna olhava para Terra - e ambos os olhares se encontravam. E, hoje, nós vemos e sentimos juntos, em mais um trabalho espiritual, o encontro desses dois olhares... De Rama, para cima; de Krishna, para baixo; e nós, bem no meio desse encontro auspicioso.
Então, que nós sejamos como pequenos avatares de Rama e Krishna, olhando para os altos horizontes, e também olhando para dentro dos homens; olhando para o Céu, mas sem perder a Terra de vista; equilibrados, sendo justos como Rama, e sendo alegres como Krishna, em mais uma jornada do Darma.
Sejamos o encontro dos olhares de Rama e Krishna em nós... E que todas as consciências que estiverem próximas, encarnadas e desencarnadas, possam receber um pouco desses olhares, do Céu e da Terra, de Rama e de Krishna, numa comunhão espiritual edificante.
* * *
Por favor, deite-se no leito (na posição física que lhe for a mais confortável), e visualize em sua testa, bem colado no chacra frontal******, uma esfera de luz azul brilhante na sua frente (uma esfera azulada, pulsante).
Visualize, agora, uma esfera de luz dourada atrás da sua cabeça, em linha reta com a esfera da testa, na mesma altura, por fora da cabeça.
A luz dourada entra pela parte de trás da sua cabeça, enquanto a luz azul entra pela frente - e ambas as cores se encontram no meio de sua cabeça.
E, agora, o mais importante: concentre-se nas duas esferas ao mesmo tempo, a azul e a dourada... Então, faça a bola azul atravessar sua cabeça, por dentro, indo até a bola dourada.
Logo a seguir, faça com que ela atravesse sua cabeça novamente, por dentro, de volta para o frontal. E, depois, novamente para trás, indo e voltando...
Fique assim por alguns minutos, sem nenhuma tensão, só indo e vindo com a esfera azulada por dentro da cabeça, até cair tranquilamente no sono.
Essa é uma prática espiritual que favorece a melhoria da lucidez extrafísica durante as experiências fora do corpo*******. Além disso, melhora a concentração e beneficia energeticamente o chacra frontal.
A mesma me foi passada espiritualmente por um dos mentores extrafísicos que dá suporte ao nosso trabalho. Então, vamos praticar isso na hora de deitar, todas as noites, com a intenção de voarmos, algures, por aquelas trilhas sutis de Rama e Krishna, que sempre levam à consecução do Darma.
Ah, meu amigos de jornada, vamos viajar juntos, como sempre fizeram os iniciados das tradições espirituais de todas as eras, nas ondas daqueles Magnos Valores de Liberdade, Igualdade e Fraternidade...
Vamos, sim, na Força de um Grande Amor, que não se explica, só se sente, em Espírito e Verdade. Vamos... Com Paz e Luz.
Wagner Borges - mestre de nada e discípulo de coisa alguma.
P.S.:
Esses escritos são a transcrição de uma reunião com os 120 participantes do Grupo de Estudos e Assistência Espiritual do IPPB, durante uma prática psíquica com a turma. Aqui estão postados em aberto, para todos, pois o seu conteúdo poderá ser útil para outros grupos espirituais por esse mundão de Deus. Oxalá isso aconteça...

domingo, 23 de março de 2014

CHICO XAVIER E TRANSIÇÃO PLANETÁRIA


Chico Xavier
Pergunta de uma jovem de O Semeador da Federação Espírita do Estado de São Paulo: A Terra irá alcançar aquela condição de harmonia e de paz tão almejada por todos nós?
Eu acredito na Providência Divina e acredito na capacidade humana de corresponder à providência divina ainda mesmo que a nossa resposta de criaturas falíveis pareça um tanto o quanto tardia. Nós não acreditávamos na televisão e a televisão está aí unindo o mundo todo a ponto de escritores nossos denominarem a Terra de hoje como sendo uma aldeia global. Nós não acreditávamos no acesso do homem ao território da lua e nós sabemos que esta é uma realidade inconteste nos dias de hoje. Nós não acreditávamos na cura da varíola, por exemplo, e de outras moléstias consideradas fatais para o gênero humano, entretanto a própria hanseníase já está em seus processos de cura e todas as realizações que vamos encontrando, que vamos conquistando com a benção de Deus vem a ser um conjunto de respostas do Alto à nossa indecisão, à nossa dificuldade, à nossa descrença para que nós tenhamos um pensamento positivo a respeito de nós mesmos. Mas esse nós mesmos inclui muito trabalho para cada um de nós, e muita força de resolução para não trairmos nossos compromissos.

A resposta de Chico Xavier legada à posteridade pelo trabalho da Rádio Emmanuel através do registro de entrevista dada pelo inesquecível médium mineiro no ano de 1982 a diversos órgãos de imprensa, traz-nos singular oportunidade para refletirmos sobre os efeitos de nossas crenças na construção de nosso futuro, especialmente nesses tempos de Transição Planetária.
As crenças humanas são como uma ponte que liga o presente ao futuro, pois são a base para todas as nossas realizações materiais ou espirituais, fator fundamental para enfrentarmos os desafios e aprendizados em nossas vidas. Diz-nos Um Espírito Protetor (ESE – A Fé Divina e a Fé Humana – Cap. 19):
“A fé é humana ou divina, segundo o homem aplique suas faculdades às necessidades terrestres ou às suas aspirações celestes e futuras. O homem de gênio que persegue a realização de alguma grande empresa, triunfa se tem fé, porque sente em si que pode e deve alcançar, e essa certeza lhe dá uma força imensa. O homem de bem que, crendo em seu futuro celeste, quer encher sua vida de nobres e belas ações, haure em sua fé, na certeza da felicidade que o espera, a força necessária, e aí ainda se cumprem milagres de caridade, de devotamento e de abnegação. Enfim, com a fé, não existem más tendências que não se possam vencer”.
Talvez possamos encontrar no funcionamento de uma orquestra sinfônica uma comparação útil para compreendermos a necessária síntese entre a ação do homem e a ação de Deus. Cada músico da orquestra, focado em sua partitura, precisa de muita firmeza e força de vontade para habilitar-se a executar sua parte no grande concerto. Ao mesmo tempo, no entanto, que seus olhos, sua atenção e ouvidos concentram-se fortemente na partitura e na execução de seu próprio instrumento, todo o seu ser também busca dar atenção ao todo, pois através de seus sentidos periféricos ele identifica, reconhece e segue o maestro.
Que aconteceria se cada músico, em que pese a fé humana por ele depositada em seu talento, capacidade e disciplina, executasse sua partitura no ritmo, intensidade e tempo que melhor entendesse? O resultado seria um emaranhado desconexo, uma competição caótica de sons sobrepondo-se uns aos outros, uma profusão de atuações individualistas que, mesmo se todas eficientes, não podem alcançar a harmonia e a beleza essenciais à apresentação conforme concebida pelo Compositor. Não parece uma descrição apropriada da relação do indivíduo com a coletividade, da criatura com o Criador, da fé humana com a fé divina em nossa realidade?
Pois mesmo em meio ao tremendo caos em que vivemos, uma possibilidade surge, um maravilhoso convite se faz a todas as criaturas. Se alguns músicos ouvirem-se, respeitarem-se e obedecerem ao maestro, um magnífico movimento poderá ocorrer. A massa sonora de seus instrumentos em harmonia emergirá e influenciará outros de boa vontade, ganhando adesões, aumentando ainda a ascendência do grupo, até que, definido o coletivo daqueles que se propõem à beleza e à harmonia, precise o maestro providenciar a saída dos músicos egoístas da orquestra para que a harmonia finalmente se estabeleça. Estes, então, junto a um maestro mais rígido e exigente, terão outra oportunidade de fazer aflorar a semente de sua fé em meio a seus espinhos de orgulho.
Da qualidade e do sentido que dermos à nossa fé depende a qualidade e o sentido que imprimiremos ao nosso destino em um mundo todo ele em transformação. Como ensinou o médium, essa atenção sobre nós mesmos “inclui muito trabalho para cada um de nós, e muita força de resolução para não trairmos nossos compromissos”. Mas, enfim, como ensinou o orientador, com a fé, não existem más tendências que não se possam vencer

Maurício de Araújo Zomignani é membro da Rede Amigo Espírita, assistente social por formação e um dos responsáveis pelo curso Aprendizes do Evangelho no Centro Espírita Semente de Luz em São Vicente - SP. Vem cumprindo a função de palestrista nesse e em mais uma dúzia de Centros das cidades de Praia Grande, São Vicente, Santos e Guarujá. Vem contribuindo, há mais de 20 anos, com artigos dos mais variados temas no maior jornal da região, com privilégio para a temática espiritualista.
E-mail:mauzomi@ig.com.br

segunda-feira, 10 de março de 2014

O QUE É DIÁLOGO COMPREENSIVO




Regina, março 2014.
Sabemos que a relação é indispensável para o ser humano.  Como o ser humano é um ser social, a relação é algo natural em sua vida. Todavia, uma relação significativa ainda é difícil em qualquer circunstância.
Relação é um termo bastante amplo, mas aqui optamos por defini-la como ligação, conexão. O ser humano precisa de relações significativas, verdadeiras e profundas para viver. O calor humano,
Bisnetos  paulistanos de Dona Didi
 cuidado, a empatia e a dedicação são essenciais ao amor que, por sua vez, é essencial ao processo de tornar-se uma pessoa. Compreender melhor os outros, reagir com empatia às suas necessidades e aos seus sentimentos, permite ter menos medo dos outros, sentirmo-nos mais próximos, mais solidários e reforçar a cooperação.
Rogers define "relação de ajuda como aquela em que, pelo menos uma das partes procure promover na outra o crescimento, o desenvolvimento, a maturidade, um melhor funcionamento e uma
Café da manhã em Minas.
melhor capacidade de enfrentar a vida”. Muitas relações, em vários âmbitos, podem preencher esta definição e, portanto, serem de ajuda.
Por exemplo, as relações familiares, desenvolvidas entre pais e filhos, entre irmãos ou entre marido e mulher devem procurar promover o crescimento no outro.
Quando o médico escolhe uma profissão de ajuda está
Regina no Peru, 1997.
implicitamente dizendo que deseja promover o desenvolvimento do bem-estar do outro, ainda que muitas vezes permita que esse outro se torne apenas um objeto da sua própria experiência.
Caso o professor entenda que tem uma missão mais do que uma profissão, ele pode Ser com os seus alunos e viver com eles relações muito significativas.
A amizade também pode ser um campo frutífero de ajuda mútua em que cada um promove a mudança e o crescimento no outro.
Matheus e Juliana, 09.03.2014.
As comunidades se organizam em torno de algo que os une. Uma ideologia ou simplesmente um momento circunstancial comum. Muitas vezes o indivíduo pode ser massificado, mas o ideal é construir comunidades centradas na pessoa, em que o ambiente permita o crescimento individual.
Mas pode haver o desejo de promover o crescimento e ainda assim a relação não ser de ajuda. Lembramos que as atitudes de ambas as partes são determinantes para fazer a genuína relação de ajuda, apesar do papel importante do voluntário integralmente bem preparado.
Aleixo com abóboras mineiras
Quando as atitudes de respeito pela individualidade do outro e de interesse sem desejo de posse estão presentes, os resultados são positivos.
Mas reitero que para que uma relação de ajuda possa acontecer, o voluntário tem de estar disposto a dar-se. Para que aconteça o diálogo compreensivo, o voluntario precisa sentir um interesse genuíno pelo outro como pessoa, ver-se na relação de igual para igual, em proximidade, autenticamente presente, reconhecer no outro a capacidade de mudança, garantindo-lhe a liberdade de conduzi-la.
Regina, Fábia e Aleixo, 2013.
A atitude do outro também é importante na determinação do significado da relação. Ele precisa compreender, em primeiro lugar, que tem necessidade de ajuda nesse momento. Também tem de desejar receber essa ajuda como ponto de partida na relação ou dificilmente se abrirá para ela.
O voluntário necessita acreditar no potencial humano de auto cura e auto realização. Acreditar que aquela pessoa quer e pode curar-se, que tem dentro de si os recursos necessários, mas que sabe qual o melhor caminho para o seu crescimento.
Também necessita estar em congruência consigo mesmo e na relação. Mesmo porque “a relação de ajuda ideal é aquela criada por uma pessoa psicologicamente madura.”.
Clélia, Sonia, Fred, Dora, Vaíte e Fábia.
Na relação de ajuda acontece um contato de pessoa a pessoa. Nesta relação é garantida a liberdade para partilhar as emoções. E a partilha de emoções gera confiança.
“Dizer no sentido de expressar é respeitar. É considerar o outro como pessoa é dar-lhe os meios para gerir a sua vida. Não dizer significa faltar ao respeito, isto é, manter o outro na dependência, é considerá-lo incapaz de tomar conta de si.”
Quando se está numa relação em que o crescimento e a felicidade do outro são tão reais como o crescimento e a felicidade próprios, há compreensão, vive-se liberdade e respira-se afetividade. A relação de ajuda é, de fato, uma relação do coração. De coração a coração.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

SINTONIA MENTAL NO CARNAVAL




Vó Didi, Flavia Moura e Clélia, 1981.
Não somos seres humanos tendo uma experiência espiritual. Somos seres espirituais tendo uma experiência humana. Pierre Teilhard de Chardin.
Se para o espírito tudo é uma questão de sintonia mental para a formação de seu ambiente fluídico, importará sempre e muito mais a qualidade de seu pensamento para viver o carnaval, pois a atração dos fluidos espirituais se dará pela Lei da Similitude (semelhante atrai semelhante). E aqui, como simples exemplo, cabe
Aleixo e Regina, 23.02.2014.
uma reflexão sem preconceitos.
Quem estará fazendo uma melhor sintonia no carnaval: o mestre da bateria de uma escola de samba que, com muito amor, disciplina e trabalho, tem o coração grato a Deus por poder proporcionar momentos de alegria e emoção num sambódromo; ou aquele que se entristece, isolando-se nos bares das esquinas para ficar longe da folia e da multidão?
Por favorecer esse entendimento da vida em sua
Gêmeas Araújo, 1967.
dimensão maior, o espiritismo amplia as possibilidades de felicidade. Sua missão consoladora acaba por proporcionar a formação não de adeptos tristonhos e taciturnos, mas de pessoas alegres e otimistas, esperançosas de um futuro melhor. A verdade é que essa mesma compreensão doutrinária nos permite também a análise de nossos acertos e desacertos, sobre o que entendemos por felicidade na Terra, uma morada ainda de provas e expiações.
Assim, é fácil perceber que trazemos represadas em nosso íntimo ansiedades e fantasias, desejos incontidos, fáceis de serem exteriorizados em momentos de maior permissividade. O carnaval acaba por se prestar à exteriorização desses anseios mais íntimos. E aí todo cuidado é pouco. É preciso, pois, estarmos muito atentos à vigília do nosso campo mental, pois onde quer que coloquemos nossas aspirações, aí encontraremos intercâmbio. Texto extraído de: blogharmoniaespiritual@gmail.com