quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

EFEMERIDADE DA EXISTÊNCIA




Júnior,Tê, Clélia, Cé, eu, Lei.
CÂNTICO II
Não sejas o de hoje.
Não suspires por ontem...
Não queiras ser o de amanhã.
Faze-te sem limites no tempo.
Vê a tua vida em todas as origens.
Em todas as existências.
Em todas as mortes.
E sabe que serás assim para sempre.
Não queiras marcar a tua passagem.
Ela prossegue:
É a passagem que se continua.
É a tua eternidade.
És tu. Cecília Meireles
Hugo Lapa, autor do texto.
“Ninguém deve jamais perder de vista um princípio muito importante da vida: tudo aquilo que temos, um dia vamos necessariamente perder. Sim, muitas pessoas acreditam, ou querem acreditar que tudo o que possuem é eterno, inclusive elas mesmas no sentido de sua personalidade terrena, mas obviamente essa é uma ideia falsa que nada mais é do que uma projeção de nosso desejo. Sabemos inclusive que essa não é uma ideia popular e muito aceita, inclusive temos consciência que este post não será muito compartilhado justamente por isso. Mas não se pode negar que tudo o que existe na vida humana tem sempre um começo e um fim. Ganhamos algo e depois necessariamente vamos perder esse algo. Isso ocorre porque todas as coisas do universo são passageiras, e a única coisa imutável é a própria mudança.

E qual o sentido prático disso em nossas vidas? Devemos sempre
Filhos e neto de Dona Didi
ter consciência que tudo na vida tem um prazo de validade, nada é eterno, tudo começa e termina, tudo se manifesta e depois deixa de se manifestar, nascemos, vivemos e morremos, para depois renascer e continuar nossa caminhada rumo ao infinito. Portanto, você pode até imaginar e desejar uma casa, mas não se apegue a essa casa, pois um dia você vai perdê-la; você pode desejar um carro, mas não se apegue ao carro, pois um dia você vai perdê-lo; você pode desejar se casar, mas nunca esqueça que o casamento um dia vai acabar, e tudo isso pode acabar até mesmo antes do que você supõe. Tudo no mundo um dia vai ter um fim. Não devemos cultivar nenhum tipo de dependência de algo que o mundo nos oferece.

Imagem ilustrativa
Mas, então, em que se apoiar? Apoie-se na única coisa real: no ser espiritual que você é desde o princípio dos tempos até a eternidade. Você nunca foi um ser humano, mas apenas um espírito que temporariamente precisa de experiências no mundo material para desenvolver e purificar o seu espírito. O espírito eterno e imortal que você é nunca será perdido. Podem destruir todo o seu corpo, mas o espírito é perene... Podem  atacá-lo, caluniá-lo, destruir toda a sua vida, tirar tudo o que você tem, mas o espírito que você é e a sua essência jamais serão sequer tocados por tudo isso... O espírito daquele que encontrou sua essência é totalmente inabalável... Ele não se deixa abater por coisa alguma. Então, ao invés de passar a vida tentando conquistar apenas bens terrenos, busque a sua essência, pois ela é a única coisa que você levará daqui para frente”. Esses valores nos foram repassados por Dona Didi...

                                                              Texto de Hugo Lapa

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

REENCARNAÇÃO




Fabia e eu, 29.01.15.
Muitas universidades internacionais, legítimas referências da ciência, já possuem grupos de pesquisa sobre este importante tema. Seguramente chegará o dia em que a reencarnação também constará daquela lista progressiva de assuntos comuns. Aprendi com meus pais - Didi e José Araújo - a refletir sobre esta questão e desde os sete anos tenho convicção sobre a pluralidade das existências.
É preciso esclarecer que a preexistência humana não tem sido componente de ilusão de pesquisadores ou religiosos, mas é uma das convicções mais antigas da História. Aliás, sabe-se que um papiro egípcio de 5000 A.C. já a menciona. Outro, mais recente, batizado de “Papiro Anana” (1320 A.C.), expõe: “O homem retorna
Otavio, eu e Divina, 2014.
à vida várias vezes, mas não se recorda de suas pretéritas existências, exceto algumas vezes em sonho. No fim, todas essas vidas ser-lhe-ão reveladas.”
Na Grécia clássica, Pitágoras (580 a 496 A.C.), já divulgava a palingenesia (reencarnação). No diálogo Phedon, Platão cita Sócrates (469 a 399 acc.): “É. certo que há um retorno à vida, que os vivos nascem dos mortos”. Esta mesma certeza consta da maioria das religiões antigas, como o Hinduísmo, Budismo, Druidismo, entre outras.
A reencarnação está assinalada na Bíblia, vejamos: Jeremias (1:4-5): “Foi-me dirigida a palavra do Senhor nestes termos: Antes que eu te formasse no ventre de tua
Dona Didi, 1968,
mãe, te conheci; e, antes que tu saísses do seu seio, te santifiquei e te estabeleci profeta entre as nações”. Ou, no Novo Testamento: “Digo-vos, porém, que Elias já veio e não o reconheceram.” (…) “Então os discípulos compreenderam que (Cristo) lhes tinha falado de João Batista”. Até o quinto século o Cristianismo admitia a reencarnação!
A hipótese de que tenhamos uma única vida é inteiramente incompatível com a admirável perfeição existente em todo o universo conhecido. A insustentável ideia de que “aos homens está ordenado morrer uma só vez, vindo, depois disso o Juízo” nem merece comentários adicionais. A concepção de que, após a morte do corpo físico, nossas individualidades se percam em um
Bisnetos D. Didi- Heitor e Ana Beatriz
enigmático NADA é, certamente, risível, pois o grande jargão científico estabelece que na vida “nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”.
Portanto, se temos tantas evidências a favor da reencarnação, é apenas questão de tempo para que todos aceitem esta tese. Afinal, a situação reflete a simples opinião dos acadêmicos que endeusam a densa matéria e de alguns obscuros e decrépitos teólogos. Todavia, queiram ou não queiram, gostem ou não gostem os
Dona Thalizia e Ricardo.
descrentes e ignorantes, daqui a alguns anos, ouviremos a Academia de Ciência declarar esta admirável comprovação como, há dois mil anos, Jesus informou a Nicodemos: “É necessário nascer de novo”.

sábado, 1 de novembro de 2014

DIA DE FINADOS NA VISÃO ESPÍRITA


Adevaldes Pereira e Luciana Araujo
Todos os anos, na época em que se aproxima o Dia de Finados, muitas pessoas questionam os espíritas, querendo saber se devem ou não ir ao cemitério? O Espiritismo é uma doutrina educadora e libertária. Ela não nos proíbe e nem exige nada de ninguém, apenas nos informa em relação as leis da vida e seus mecanismos, para que, depois, cada um faz aquilo que sua consciência permitir ou determinar. 
Nesse sentido, o Espiritismo esclarece-nos quanto aos aspectos mais profundos do entendimento existencial. Considera com muita
Didi, Sonia, Air e Leonardo
propriedade que no túmulo não é o lugar que os espíritos moram ou ficam. Dependendo da data do sepultamento, às vezes, nem corpo existe mais ali.
Sabemos com nossa doutrina e com os posicionamentos dos Benfeitores Espirituais, que os espíritos de nossos entes queridos e amigos, assim como todos os demais espíritos, estão muito vivos e ficam, geralmente, à nossa volta com os quais nos acotovelamos todos os momentos. Ninguém morre. Deus não tem nenhum filho(a) morto(a). Todos vivem e se não estão materializados conosco estão vivendo em algum lugar nesse imenso Universo, que é a casa do Pai, onde, segundo Jesus, existem muitas moradas.
Cabe a nós espiritualistas, nos libertarmos dos atavismos firmados no período do entendimento da fé cega e, agora, sabedores das verdades espirituais novas, assimilarmos esses conhecimentos e criar novos hábitos para exaltarmos a vida e não a morte das pessoas que amamos e por elas somos amados.
Relógio na Av. Goiás
Racionalmente, chegamos a conclusão que o cemitério não é o melhor lugar para os espíritos nos reencontrar e serem homenageados, sobretudo, se tiverem recém-desencarnados. A aproximação deles junto do lugar onde estão os seus despojos carnais ainda trarão a eles um desconforto e constrangimento muito grande. Muitos nem suportam ficar ali por perto por muito tempo. 
Existe uma maneira muito singela, amorosa, fraterna que podemos habituar a fazer para que os espíritos familiares e amigos possam sentir lembrados e homenageados por nós, não só em finados, mas todos os dias: uma prece sincera em favor da harmonia, paz e de que estejam felizes ao lado da família espiritual deles. 
José e Geraldina Araujo, 1940
Podemos também colocar em nossos lares e/ou local de seu antigo trabalho, um recadinho do coração, uma flor perto de um porta retrato com a foto do desencarnado. Assim sentirão lembrados, amados e fortalecidos por ver que estamos exaltando a vida e não a morte.
Sempre virão ao nosso encontro os espíritos dos nossos parentes e amigos desencarnados? Não! Muitos deles, demoram para aproximar dos entes queridos que ficaram na Terra, pois isso depende das condições espirituais em que se encontram e das possibilidades de vir junto dos familiares e amigos. Outros nem querem vir, pois muitas vezes nossos sentimentos não são sinceros, e o Espírito não se interessa por essa hipocrisia, eles veem muito mais pelo pensamento e sentimento puro.
Sabemos que tudo o que se faz no cemitério, não passa em muitos casos de demonstração de posses materiais. Seja para demonstrar para a sociedade uma atitude de respeito, às vezes desprovida até de sinceridade.
Portanto, todos são livres para fazer o que acham que devem, principalmente sendo de coração aberto e sincero, numa legitima demonstração de amor.
Médiuns do CEIC, 2011
Então. Que tal aprendermos a referendar os nossos mortos-vivos em nossa casa recolhidos com a família e em prece proferida com sentimento? Aproveitar a oportunidade de amor e carinho entre os que ainda estão encarnados para mostrar a harmonia e a fraternidade dos descendentes que possibilitam um sentimento mais elevado ao desencarnado.
Preciso ainda lembrar que muitos espíritos que se encontram no Mundo Espiritual não ligam a mínima para certos fatos que a nós encarnados enche de orgulho, pois, muitos deles, estão acima das nossas conveniências e ilusões terrenas.
Uma pergunta para encerrar nossa reflexão. Quando você partir desse mundo, onde você gostaria de ser lembrado e reencontrar com os seus amigos e familiares, no cemitério ou em um lugar que só te inspira boas lembranças?
Então vamos lembrar de nossas almas queridas, exaltando a vida e não a morte.

O autor deste texto - Ismael  da Silva Santos - é da cidade Guaxupé, estado de Minas Gerais. De berço espírita, aposentado em escola particular, ex-vereador de São José do Rio Pardo - SP, é palestrante motivacional, capacitador de cursos e treinamentos em Vendas, Oratória, Liderança, dentre outros. Como expositor espírita atua há vinte e seis anos e tem dado expressivo destaque no campo do relacionamento humano. Seus trabalhos tornaram-se muito apreciados, pois são bem humorados, recheados de alegria e exemplos práticos do cotidiano, motivando, desta forma,  grandes públicos a aproveitarem bem a existência física atual. É autor de dois livros: Vencendo Dificuldades de Relacionamento e Um Perfume Inesquecível (romance do Espírito Otília). Está lançando Coração Mineiro – Uma Reencarnação em Busca da Humildade (também um romance do Espírito Otília).


sábado, 27 de setembro de 2014

UM OBSESSOR NO CENTRO ESPÍRITA


Dona Didi, 1989.
Num centro espírita famoso e muito frequentado, senhor Raimundo estava iniciando os trabalhos de desobsessão. Seu Raimundo, como bom doutrinador espírita há mais de 30 anos, fez uma prece de abertura e pediu a Jesus que ajudasse a libertar todos os irmãos que viessem a sala de desobsessão do sofrimento que atravessavam.
Raimundo viu o médium incorporar um espírito que dizia estar no umbral, sofrendo muito por conta da raiva e mágoa que sentia de um desafeto. Senhor Raimundo iniciou então os procedimentos da desobsessão clássica e disse que o espírito deveria perdoar o desafeto, pois a lei do amor é a nossa salvação.
O espírito incorporado, com olhar penetrante, disse:
- E porque devo confiar em você?
- Ora meu irmãozinho – disse Seu Raimundo – Estamos aqui num centro espírita, onde os ensinamentos de Jesus são praticados. Nós aqui ajudamos todos os espíritos sofredores e necessitados.
Angelo, Lu, Clélia, Lei e Regina
- E você também ajuda a si mesmo, ou só pensa em ajudar os outros? Perguntou o espírito. Seu Raimundo ficou surpreso com pergunta, mas como doutrinador experiente sabia que não podia cair nas artimanhas dos obsessores, e disse:
- Irmão… não estamos aqui para falar de mim. Você está no umbral e precisa de ajuda. Você não quer sair do umbral?
- Sim, eu quero. – disse o obsessor – Eu só fico me perguntando como existem tantas pessoas vivendo no nível ou no estado umbralino e não percebem, mesmo estando encarnados. Pois afinal, como o senhor mesmo ensina em suas palestras aqui no centro, o umbral é um estado de consciência e não um lugar ou espaço físico.
Otávio e avó Didi, 95.
Alguns espíritos vivem no umbral porque não conseguem se desprender da raiva e mágoa que sentem de um desafeto. Mas o senhor, seu Raimundo, perdoa todas as pessoas? Não sente também raiva e mágoa de alguém?
Senhor Raimundo estava ficando irritado com o obsessor. Estava pensando numa resposta, mas o espírito completou:
- Não é verdade que o senhor também sente raiva e mágoa da sua ex-esposa, que te traiu com um dos seus amigos há aproximadamente 10 anos? Não é verdade que até hoje você não consegue perdoa-los?
Senhor Raimundo ficou assustado com aquelas colocações. “Como o espírito poderia saber disso?” pensou. Começou a sentir raiva do obsessor, e não muito confiante, disse:
- Não vou entrar na sua cilada. Você como obsessor experiente deve atacar as pessoas em seus pontos fracos. Portanto, saiba que…
- Eu sou um obsessor, senhor Raimundo? – perguntou o espírito interrompendo
Júnior e Terezinha.
seu Raimundo. – Eu me pergunto se todos nós não somos um pouco obsessores das pessoas que dizemos amar, mas que no fundo as tentamos controlar e ganhar seu afeto a força. Não é verdade que você tem sido quase um obsessor da sua filha adolescente? Quantas vezes por dia você liga pra ela perguntando onde ela está? Quantas vezes você proibiu os namoros dela? Quantas vezes você tolheu a liberdade da sua menina por conta dos próprios medos e incertezas que guarda em seu íntimo? Você pode estar sendo um grande obsessor encarnado dela e nem perceber…
Seu Raimundo ficou atônito com aquelas revelações. Aquele espírito parecia saber tudo a seu respeito, e estava ali desnudando seus defeitos um a um. Seu Raimundo ainda não queria dar o braço a torcer e ficou com mais raiva.
Bisneto Fred e eu.
Resolveu fazer uma oração, dizendo:
- Senhor Jesus, peço que sua equipe conduza esse irmãozinho perturbado a um local de tratamento no plano espiritual. O espírito disse:
- Por que me chamas de irmãozinho, se nesse momento você quer, na verdade, pular no meu pescoço? De que adianta fazer uma oração a Jesus com toda essa raiva que quase transborda de você? Não, Jesus não vai te atender nesse momento… Você precisa, Seu Raimundo, parar de fugir dos seus problemas e emoções, olhar para as impurezas do seu ser, e parar de achar que é o outro sempre o sofredor e você é o “salvador”. Na verdade, todos nós precisamos de ajuda, todos somos sofredores em maior ou menor grau. E orientar o outro a praticar aquilo que nós mesmos não realizamos em nossa vida é, nada mais nada menos, do que hipocrisia. É da hipocrisia que o ser humano precisa se libertar… Ensinar aquilo que pratica, ou apenas praticar, sem precisar orientar os outros a fazer aquilo que nós mesmos não
Baixo, Fábia, Divina, eu e Lei, 2013.
fazemos. Quando se vive a vida espiritual, nem precisamos ficar ensinando-a a outros, nossos atos já demonstram os princípios que desejamos transmitir…
Seu Raimundo sentiu uma imensa vontade de chorar e desabou em prantos… O espírito incorporado veio falar com ele. Colocou as mãos em seu ombro e disse:
- Calma meu irmão. Você precisava dessa terapia de choque para poder enxergar a si mesmo e parar de ver os defeitos apenas nos outros. Precisava também parar de se ver como o “salvador” e os outros como “sofredores”, pois isso nada mais é do que uma forma de orgulho e soberba; é uma forma de se sentir superior e de ver os
Neta, Fábia, 2013.
outros como inferiores. Chore, coloque tudo isso que você sente para fora, faça uma revisão desses pontos que eu te apresentei, e a partir de agora você poderá se tornar um verdadeiro ser humano, renovado, e pronto para ajudar ao próximo, realizando a verdadeira caridade… E dessa vez, sem hipocrisia.
Seu Raimundo, após alguns minutos de choro intenso, olhou para o espírito e perguntou:
- Quem é você?
O espírito olhou para seu Raimundo com todo o amor e carinho e disse:
- Meu filho, você não pediu a Jesus, em sua prece de abertura dos
Elvira, Elzinha, Tan, Carol e Manuela.
trabalhos, que libertasse os espíritos dessa sala do sofrimento? Então meu filho, Jesus me pediu que viesse aqui e mostrasse tudo isso a você, para que você pudesse ver a si mesmo, saísse do “umbral” de sua mente, e se libertasse de tudo aquilo que te causa sofrimento. Sou um enviado de Jesus, e a partir de agora, você será um novo homem…
Seu Raimundo chorou ainda mais. Agradeceu imensamente a Deus e a Jesus aquela sagrada lição de autoconhecimento… Depois desse episódio, tornou-se uma pessoa muito melhor…
Autor: Hugo Lapa

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

TÃO BELO QUANTO O PÔR DO SOL



Dona Didi e neto Otavio, 95.
A proposta de Carl Rogers para se estabelecer a relação de ajuda é a de que existam três condições para a chamada Abordagem Centrada na Pessoa (ACP). a) autenticidade, congruência ou transparência; b) aceitação incondicional do outro, independente de virtudes e defeitos que a pessoa possua; c) compreensão empática ou capacidade de se  colocar no lugar da outra pessoa, percebendo os seus sentimentos, quando  ela está se expressando.
Na primeira condição a pessoa busca exprimir os sentimentos genuínos, sejam eles positivos ou negativos, sem disfarces ou máscaras, para que haja espaço de confiança.
Na segunda, que não é fácil para o ser humano, a proposta é de aceitar o outro como ele é, independente de suas características,
Filho e nora de Dona Didi, 2014.
visando ao crescimento da pessoa e da relação.
E, na terceira condição, é preciso haver um ouvido ativo, atento, interessado, para que o outro se sinta compreendido e tenha melhor possibilidade de crescimento, o que não significa ter de concordar com a outra pessoa.
É um processo muito difícil, mas a pessoa que detiver ao menos duas dessas capacidades tende a ter mais chance de sucesso nas relações em qualquer campo de atuação. No atendimento voluntário que realizamos no CVV, o ouvido atento é o mais poderoso instrumento para o sucesso que nosso diálogo compreensivo.
Em Um jeito de ser (1983, p. 14), uma parte do que ele diz, no capítulo Experiências em Comunicação, parece traduzir bem a essência da Abordagem Centrada na Pessoa:                                                                                                      
Fábia, neta de Dona Didi.
[...] Um dos sentimentos mais gratificantes que conheço - e também um dos que mais oferecem possibilidade de crescimento para a outra pessoa - advém do fato de eu apreciar essa pessoa do mesmo modo como aprecio o pôr do sol. As pessoas são tão belas quanto um pôr do sol quando as deixamos ser. De fato, talvez possamos apreciar um pôr do sol justamente pelo fato de não o podermos controlar. Quando olho para o pôr do sol, como fiz numa tarde destas, não me ponho a dizer: "Diminua um pouco o tom do laranja no canto direito, ponha um pouco mais de vermelho púrpura na base e use um pouco de rosa naquela nuvem". Não faço isso. Não tento controlar um pôr do sol. Olho com admiração sua evolução. Gosto mais de mim quando consigo contemplar assim um membro da minha equipe, ou meu filho, minha filha, meus netos. [...].
Aleixo, Regina e Celina, 2014.
Este é um dos mais belos textos de Carl Rogers. Experimentemos olhar o ser humano como se olha e aprecia um pôr do sol! Não é fácil, dada a nossa tendência a projetar o outro de acordo com nossas referências, percepções do ideal, enfim, nossas expectativas...

ROGERS, C. Um Jeito de Ser; tradução de Maria Cristina Machado Kupfer, Heloisa Lebrão e Yvone Souza Patto. São Paulo: EPU, 1983.
ROGERS, C. Tornar-se Pessoa; tradução de Manuel José do Carmo Ferreira. São Paulo: Martins Fontes, 1981.