sexta-feira, 23 de julho de 2010

Memórias de Dona Didi




DIDI deixou alguns cadernos com suas memórias manuscritas. Descreve sua infância em Minas, a vinda para Goiás com os tios e seus pais adotivos, o casamento com o pioneiro José Araújo, sua fé inabalável e a presença dos mentores espirituais sempre orientando a sua vida. Dedicou as anotações a seus filhos biológicos e espirituais, aos netos e bisnetos.



Capítulo I


Aquela voz, sinfonia suprema, clareada de luzes, que desde pequenina eu escutava, vinda das alturas incomensuráveis, das platéias universais, dizia-me: - Filha, recorde sua vida, escreva e contagie com essa beleza...


Seres divinais, harpas dando os sons de intensa alegria, pétalas de rosas caindo, deixando perfume no recinto e a voz como sempre desde pequenininha me falava: - Filha, escute esta magia do universo, escreva, conte sua vida, vida excelsa de cumprimento do dever, de disciplina, de sofrimento bem vivido.


- Verdade, dizia eu, preciso acordar, deixar algo imorredouro, escrever para deixar o testemunho da presença de Deus em todos nós.


Oh, meu Deus, como tenho sido feliz!? O cantar dos pássaros me alegra; como é maravilhoso este mundo em que vivemos... Quantas oportunidades temos para o acordamento de nossos espíritos!


Minha mãe, tia Juventina, maravilhosa criatura que tanto me amou e ensinou. Ela e seu esposo João Alves Pinto me deram um lar cheio de carinho e amparo! Deram-me estímulo e força, eu que era uma criaturinha minúscula, cheia de fraquezas e doenças! Como ela me afagava, dando-me coragem e forças para eu sobreviver.


Criatura santa, filha da minha querida avó Ramira e de meu avô Joaquim Alcântara, português.


Minha mãe criou diversas sobrinhas. Clodomira, filha da tia Jovita; Hilda e Agda, filhas da tia Belarmina e do tio Norberto, eu, filha de José Lucas e Maria Alves Pimenta...


Ela ensinou-nos o que necessitávamos. Quanta sabedoria, quanta lucidez e quanta bondade, o que sou devo tudo a ela.


- Filha, (é a voz que ecoa neste recinto) escreva!


- Sim, deixarei que os espíritos do bem estejam comigo para o trabalho. Sentia a brisa do alto refrescando o meu rosto, ambiente de paz, de ligadura com os planos superiores. Como é lindo podermos sentir tudo isso.




Capítulo II




Clodomira, filha da tia Jovita, veio de Bucaina, cidade do interior de Minas Gerais e minha mãe resolveu criá-la. Matriculou-a no Grupo Barão de Macaúbas, em Belo Horizonte. Ela tinha treze anos e eu quatro anos; Eu quis ir com ela à escola, ela foi alfabetizada aos treze anos e eu com apenas quatro. A minha infância foi muito linda, apesar de tantas enfermidades. O amor de minha mãe Juventina me faz lembrar do livro: Palavras da Vida Eterna, de Emmanuel, no capítulo 117 “Fita a criança recém nata em muitas circunstâncias tocada por enfermidade inquietante. Vagindo, nos braços maternos, mais se assemelha a pobre farrapo humano guardado pela morte; Todavia, traz na própria formação orgânica, aparentemente comprometida, a força que a transfigurará, talvez num condutor de milhões de pessoas...”.




Capítulo III




Assim é a vida, meu pai, João Alves Pinto tinha muitas propriedades, casas de aluguel em Belo Horizonte; na Rua Salinas, na Rua Gabro e na Rua Itacolomita, no Bairro de Santa Tereza. Em 1935, ele vendeu todas as propriedades e fomos para Venda Nova, onde elo possuía uma chácara em que morava tia Belarmina, perto da Pampulha. Ali ficamos um mês até que ele recebesse o dinheiro da venda das casas. O pensamento dele era vir para a nova capital de Goiás, Goiânia, e comprar lotes, como viemos.


Agora compreendo tudo, por isto fui criada por eles, meus tidos, para que eu viesse para Goiânia, onde teria que abraçar com fervor e humildade a minha condição de médium dirigindo centros espiritualistas por quarenta e cinco anos... se eu fosse criada por meus pais legítimos talvez tivesse esta oportunidade sacrossanta na direção de milhares de seres...


É grandioso tudo isto, somos direcionados pelo Alto, cumpre-nos apenas a obediência às Divinas. A harmonia corporal pode ser temporariamente quebrada pelo que se chamam doenças; mas o organismo é sustentado por algo superior que tem o poder de restaurá-lo. Tudo em nós trabalha para a vida e pela renovação.




Capítulo IV




Filha, ouve-se novamente a voz amiga, escreverá sua vida em homenagem aos filhos que adquiriu neste orbe. Suas memórias serão dedicadas ao Marco Antonio, à Regina Lúcia, Clélia Maria, Sonia Cristina, José Araújo Junior, Maria Celina e Maria Luiza. Também à Maria Elizabete, sua filhinha que viveu apenas três dias aqui na Terra e, ainda, às filhas de outros pais que passaram pelo seu lar, umas por mais tempo, outras menos. Carmélia, Manoela, Edir, Flavinho, Malvina, Elza Barbosa e Benedita Claudina. Também, por pouco tempo, Honorama R. Barbosa.


Filha, veja os campos de lírios, flores à sua volta, esta melodia dos pássaros em revoada. Sinta alegria por esta grande missão. Esta união com espíritos que firmaram trabalho consigo. Filha, comecemos a escrever.




Capítulo V




Eu estudava no Colégio Sagrado Coração de Jesus, no Bairro Serra em Belo Horizonte. Meu nome era Geraldina Lucas Pinto, fui registrada desta maneira. Lucas da minha tia Juventina e Pinto sobrenome de meu pai.


Minha mãe pegou minha transferência e viemos para Goiânia. Em Uberaba, pegamos o trem de ferro para Leopoldo Bulhões. Era este o caminho certo para chegarmos à Goiânia. Ao chegarmos à praça sem asfalto de Leopoldo Bulhões, meu pai procurou logo uma condução e viemos para Campinas, pois ainda não havia casas em Goiânia.


A viagem foi longa, aqui era tudo trilheiros, podiam-se contar as construções, o Grande Hotel, na Avenida Goiás, o Palácio das Esmeraldas, na Praça Cívica. Alguns prédios de repartições. A casa Araújo, na Avenida Anhanguera esquina com a Rua 20. Esta Casa Araújo foi a primeira casa comercial pertencente ao José Araújo que foi meu primeiro esposo. Eu e meus pais morávamos em uma praçinha de Campinas.




Capítulo VI






José Araújo em 1936
A voz continua sempre me orientando. Dedico-me à meditação silenciosa para o esvaziamento das coisas supérfluas da mente à espera da orientação. Por isso me conservo receptiva e anelante.


Em meados de 1935 cheguei do Colégio Santa Clara e meu pai falou-me:


- Didi, tem um pedido de casamento para você.


- Quem? Eu não tenho namorado, como isto sucede? Meu pai respondeu-me: minha filha agora chegou a hora de conversarmos... Você é nossa filha adotiva e José Araújo sendo bem mais de idade será um pai para você...


- Como? Por quê?


Mais tarde respondi:


- Pode falar ao Sr. José Araújo que caso com ele. Vou ter a minha casa. Vocês têm sido maravilhosos comigo, mas creio que basta.


Eu tinha quatorze anos e ficou acertado que me casaria daí a um ano.






Capítulo VII


Sempre que começo a recordar a voz me fala: - Filha, comecemos a escrever. Logo, sinto perfume de flores, rosas, jasmins, uma harmonia muito grande, uma satisfação enorme... espíritos chegando, me cumprimentam, como me sinto feliz; parece que faço uma viagem pelo céu, sinto-me leve como pássaro voando, como peixes nadando nos mares e rios, vejo luzes, sinto alegria.


Meu pai resolveu que deveríamos ir para Araguari durante aquele período - 1935 a 1936.


Acho que aprendi com eles esta mania de mudar, nem que seja para outra casa na mesma cidade. Voltamos para Goiânia em meados de 1937. Foi acertado que eu me casaria em 11 de dezembro de 1937. Neste tempo meu pai achou uma casa na Rua 71, no centro de Goiânia. Mudamos e o casamento se deu em casa. Minha mãe fez um altar na sala, chamou o padre da matriz de Campinas e se deu o casamento civil e religioso. Chovia demais e fazia muito frio. José Araújo era filho de João Antonio Araújo e D. Maria Madalena. Eram dez irmãos, Ulisses, Augusto, Maria, José, Adauto, Antonio, Antonia, Hermínia, Hilário e Leonilde.


Minha sogra era muito minha amiga e tinha verdadeira bondade comigo.










Capítulo VIII






Como sempre, após tantas recordações, sou alertada pela voz amiga. Largo de cismar, entrego-me à espiritualidade. Como é bonito o trabalho de psicografia!


CASA ARAÚJO, Av. Anhanguera esq. c/ Rua 20.
José Araújo criava uma EMA no fundo de casa.
 Dona Didi costumava contar que ela comia todos os talheres da casa.
No dia do meu casamento quase morri de susto, José teve uma crise de asma e eu não sabia como ajudar, nunca tinha presenciado essa doença, não sabia como agir. Naquele tempo não havia remédios como existem hoje, proporcionando às crises asmáticas e ele ficou horas muito mal...


Eu era católica, destas pessoas que confessavam e comungavam quase diariamente. José era espírita, mas nos dávamos muito bem, apesar de ele ser muito doente. Nós morávamos em um quarto e sala pegado à Casa Araújo na Av. Anhanguera. No comércio dele tinha de tudo. Material de construção, bar, confeitaria, restaurante, assim era a Casa Araújo. Meu pai abriu uma loja de tecidos na Av. Anhanguera, chamada Casa Alves Pinto. Minha mãe era amiga de Dª. Gercina, esposa do Dr. Pedro Ludovico, governador de Goiás. José Araújo, meu esposo, era irmão de Maria de Freitas, esposa do Professor Venerando de Freitas Borges, primeiro prefeito de Goiânia. A vida corria com muito trabalho, mas muito boa. Eu era muito nova, com quinze anos, ajudava José a medir canos, madeira, pesar mantimentos; até quando faltava cozinheiro eu ia fazer as porções, sopas, quitandas, almôndegas, almoço para o restaurante. Sempre achei que o trabalho era essencial para as pessoas.












Capítulo IX






José construiu nosso lar na Rua seis, nº 46, esquina com a Rua cinco no centro de Goiânia. Fiquei deslumbrada, era uma casinha muito linda e acolhedora. O jardim era belo, canteiros de margaridas, violetas, rosas, petúnias, hortênsias, árvores de murta, jasmim, azaléias, bouquet japonês e chuva de ouro.


Sempre agradeço a Deus pela melhor escola do mundo. Agradeço pelo suprimento abundante que me torna acessível às coisas boas! Agradeço revelar-me os reais significados da existência. Agradeço pelas formas, cores, perfumes e gostos. Pelo inverno que estimula, pela noite repousante, pela terra que nutre, pela chuva que fecunda, limpa e dessedenta. Agradeço ao Pai por ser quem eu sou e me dar possibilidade de ser muito mais, atingindo com minha individualidade a sua plenitude... Agradeço por compreender e aceitar a individualidade dos outros numa convivência mutuamente feliz e edificante. Agradeço a Deus, pois que seu plano de amor é completo, amoroso e perfeito...






Capítulo X

Era o ano de 1944. Eu e José fazíamos planos de sermos sempre felizes com muitos filhos. Em 21 de março comecei o trabalho de parto logo que acordei. Eu e José estávamos muito contentes com a chegada do primeiro filho. José avisou minha mãe Juventina e fomos os três para a maternidade do Dr. Altamiro de Moura Pacheco, na Avenida Araguaia, esquina da Rua três, no centro de Goiânia. Permaneci muito mal por quatro dias. Dr. Altamiro disse-nos que não era cirurgião e que não faria cesariana. No dia 25 de março de 1944, pela madrugada, nasceu meu filhinho, Marco Antonio, com 3 quilos e meio, muito fortinho e bonito. José ficou contentíssimo e começava para nós uma nova vida de muita alegria.


Didi, Marco e José Araújo, em Serra Negra, SP., 1946

Marco Antonio foi sempre uma criança inteligente e quando tinha dois aninhos ele me disse: - mamãe, você não é a minha mãe; a minha mãe tinha os cabelos pretos e compridos e a gente nadava nos rios de águas grandes...


Marco Antonio tinha dificuldade para falar e mudava muito as palavras. Ele aprendeu a nadar muito cedo, diferente de mim, que toda vida tive medo das águas dos rios e mares... Marco Antonio teve como primeira mestra D. Benedita Pena que o alfabetizou.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Dona Didi com alguns dos tantos Irmãos do Caminho.


















Dona Didi com alguns amigos integram o quadro de Irmãos do Caminho no dia de seu aniversário.
Amigos que contribuem para a continuidade de seu trabalho.

Pela ordem: Air e Didi; Rosa Lya e Didi; Jenecy e Didi; Lourdes e Didi; Neusa(do Edy) e Didi; Zuleika(filha do Dr Célio) e Didi; João( esposo Nair) e Didi; Mário Startezini e Didi; Nair (esposa do senhor João) e Didi.

João e Nair foram os doadores do terreno da creche.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

DEPOIMENTO DA HELEN SOBRE A Dª DIDI

Conheci Dona Didi em 1995. Ela Morava na Rua 4, no Edifício Trianon, no centro da cidade, com seu companheiro Sr. José, e administrava o Centro Espírita Irmãos do Caminho. Nossa relação foi possibilitada não por crenças comuns, pois não sou espírita, mas por minha amizade com sua filha Regina Lúcia de Araújo. Visitei-a algumas vezes em sua casa e também tive oportunidade de vê-la atuando no Centro Espírita em uma sessão para a qual tive a sua permissão para participar. Foi uma experiência mágica, Dona Didi liderava com uma energia mística e muito amor. Ao final, cumprimentou a todos os médiuns individualmente, agradecendo o trabalho realizado e, ao me cumprimentar, disse: “Ô cavalinho bom!”. Regina depois me explicou que ali não era apenas a D. Didi, mas o espírito que ela recebia. Seja como for, havia sua força conduzindo tudo. Era uma mulher admirável, também, na relação familiar, amorosa e presente na vida de seus filhos. Queria cuidar sempre, sem fazer distinção.  

Foi sempre muito carinhosa e maternal comigo. Quando estava grávida de dois meses de meu filho Lucas, em janeiro de 2003, encontrei Dona Didi em uma comemoração de aniversário da Regina, minha barriga ainda não aparecia e poucas pessoas sabiam de minha gravidez. Dona Didi olhou para mim durante quase todo o tempo e, quando veio se despedir de mim, disse-me coisas lindas sobre o Lucas: “O ser que você carrega na barriga é um espírito de luz e muito especial” e orientou-me de quanto importante era sua chegada. Fiquei muito emocionada por suas palavras e pela força de sua intuição que me percebeu grávida e, mais que isso, percebeu a presença de meu filho e toda sua luz. Em nossa pequena convivência, ficaram essas boas lembranças de Dona Didi e uma enorme admiração por sua vida, sua integridade, sua fé, sua dedicação amorosa às obras de caridade e à família que criou.


HELEN SUELY SILVA AMORIM -  15/07/2010

quarta-feira, 14 de julho de 2010


Depoimento da filha espiritual de Dona Didi - BENÉ
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Benedita Claudina de J. Dias


Bené, 2010.
Bené, DIDI, José Nascimento e Raimundo, 1997.
Arrumei um emprego de doméstica e foi aí que conheci a D. Didi, eu tinha 15 anos. Fui morar em sua casa, ajudando nas tarefas domésticas e a cuidar das gêmeas que tinham um ano na época, 1962. Ela incentivava o estudo e frequentei a mesma escola que suas filhas as quais ainda considero irmãs. Eu vinha de um período difícil de minha vida, pois tinha perdido minha mãe há uns 2 anos atrás e não conseguia me recuperar do golpe e da revolta com Deus por ter me deixado e a meus 5 irmãos pequenos órfãos e abandonados. Minha mãe suicidou-se com 37 anos, depois de ser desenganada pelos médicos do Hospital do Câncer de Goiânia. Então, DEUS colocou a D. Didi em minha vida como substituta espiritual para consolar-me! Por dois terços de minha vida, ela foi meu porto seguro. Tive exemplos de bondade e trabalho social. Sempre choro quando paro para pensar nesse tempo. Foi nessa época que conheci o espiritismo com tão bons exemplos de ajuda ao próximo.


Dona Didi testenémunhando casamento civil da Bené, em 1991.
Junto com meu marido Raimundo, fiz várias viagens com a D. Didi e essas sempre foram ótimas! O fato de eu estar praticamente morando em Caldas Novas deve-se ao fato das várias vezes que viajamos para lá e acabei apaixonando-me pela cidade. Em todas as crises e problemas da minha vida, eu sempre senti-me amparada só por saber que D. Didi existia e eu podia contar com a sua força espiritual numa necessidade!

Dona Didi e Bené, 2002.
Tenho vários trabalhos de crochê que ela fez pessoalmente e deu-me de presente. Com ela eu aprendi que mesmo com todos os nossos defeitos também temos capacidade de praticar o bem. Ela nunca foi à minha casa sem lembrar-se de levar-me uma lembrancinha; mesmo sabendo que naquela época eu não podia retribuir com nada material. Ela amou-me de graça sem esperar por qualquer retribuição. Este é o verdadeiro amor por outro ser humano que todos nós deveríamos praticar. Foi o exemplo dela!

terça-feira, 13 de julho de 2010

Depoimento da Adriana Sampaio - Atual secretária do Irmãos do Caminho.



Quando você conheceu a Dona Didi?

Eu era uma pré-adolescente quando conheci a Dona Didi, pois fui colega e tornei-me muito amiga de suas filhas gêmeas, Celina e Luiza. Assim, freqüentei a sua casa, desde então. Dona Didi era do tipo mãezona, acolhedora, brava de vez em quando, ela era mil pessoas em uma só, ajudando sempre os pobres e enfermos, pessoa muito dinâmica, com uma filharada, o marido doente, depois, viúva, na verdade, uma guerreira!
Qual a sua opinião sobre a Dona Didi, como pessoa e como médium?
Como médium era de uma capacidade extraordinária. Desenvolveu inúmeros tipos de mediunidade, vinha gente do exterior para consultá-la, trabalhou em curas maravilhosas, com a entidade Pantera e o Dr. Fritz. Ela ajudou muita gente durante décadas. Meu tio veio ser médium aqui, tornou-se outra pessoa - o Tio Tonho. Ele mudou de plano aos 32 anos, no Rio Araguaia, e, em sua passagem, testemunhas afirmam que ele chamou em voz alta pelo Pantera. Foi trazido para o CEIC pela tia Margot e pelo tio Coró (Coronel Joaquim), completamente obsedado na época e teve uma vida ótima depois que freqüentou o centro, por alguns anos.

Você freqüentou o CEIC em seus anos iniciais?
Sim. Freqüentei o centro desde muito jovem, primeiramente curiosa, como expectadora; depois me tornei médium, trabalhando como auxiliar da guardiã Mariazinha, permanecendo no CEIC até o afastamento da Dona Didi. Afastei-me por incompatibilidade de horário naquele momento de minha vida. Voltei em 2006.

O que tem a relatar sobre a história do CEIC?
Posso relatar que comigo mesmo foi ótimo. Quando vim pela primeira vez, eu estava em uma fase difícil, me separando, doente em todos os sentidos, vendo-me como única vítima da situação. Então, uma entidade veio falar comigo, me deu uma chamada, eu precisava escutar o que ouvi. Ressalto a seriedade como tudo é tratado aqui, a gente faz a caridade, mas todos são chamados à atenção quando necessário. Isto sempre fez parte da história da casa, de nossa egrégora.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Depoimento da Paulinha

Paula e Priscila Araújo, netas da Dona Didi.





Esta noite pude matar a imensa saudade que sinto da minha avó, acordei em êxtase! No sonho minha mãe me dizia que tinha uma surpresa, que eu fosse até o Trianon, prédio em que ela morava, na Rua 4, no centro da cidade).
Chegando lá dei de cara com ela, dona Didi! Eufórica, eu não parava de repetir que tinha milhões de coisas para contar a ela e sempre perguntando por onde ela andou todo esse tempo, ela me disse que tinha feito uma longa viagem e que conheceu lugares maravilhosos, aí veio a parte mais gostosa...
Eu deitei nos braços dela e comecei a contar tudo o que tinha acontecido nesse período em que ela esteve ausente, foi uma longa conversa, e a última coisa  de que me lembro é que eu chorava muito e dizia a ela que queria morrer antes dela, que ela nunca desaparecesse dessa maneira...
Quando acordei, fiquei feliz por ter matado a saudade, mas, ao mesmo tempo, vi que não passava de um sonho... Mas, fazer o quê???? Ficam as boas lembranças que tenho dela, da pessoa bondosa, amorosa, alegre que era... Te amo sempre, Dona Didi!!!
Sua neta,

Paula.

domingo, 27 de junho de 2010

DEPOIMENTO DA DIVINA SOBRE A DONA DIDI

Sobre a Dona Didi, só tenho boas lembranças. Nossa convivência foi sempre ótima e muitas vezes senti que ela me protegia desde a infância. Eu a conheci desde pequena quando ela arrumava a minha lancheira e a da Regina, sua filha, e colocava cachinhos de uvas para nós duas. Lembro-me de quando ela ia ao CEIC e nos deixava olhando as gêmeas pequenas. Depois quando ela voltava do centro, muito feliz, radiante e preparava um lanche, porque ia sem jantar.

Ela tinha duas moças que moravam em sua casa e a ajudavam com as gêmeas. Eram a Elza e a Bené. Elas freqüentavam a mesma escola que seus filhos, mas ajudavam na lide doméstica e sobretudo com as gêmeas que não eram de fácil condução.

Outra lembrança era sobre os seus passeios à tardinha quando ainda na Rua 6 esquina com a Rua 5, no centro da cidade. Seu José Araujo, já frágil, ladeado por ela passeava ao entardecer, ela toda dedicada e cuidadosa com seu vestido branco de piquê caseado. Também o quanto ela admirava seus filhos, o quanto os elogiava. Sempre preocupada com cada um, não interessando a idade. Prova é quando da separação da Regina ela foi até minha casa pedindo que eu lhe desse uma “pensãozinha”. Sempre me pareceu que ela era uma grande expectadora da vida sem a ela pertencer.

No centro sempre foi exemplo dentro do terreiro. Imperturbável, serena, confiante. Quando do meu primeiro atendimento ela me disse: não precisa acreditar, será feito e assim era. Tinha seus defeitos. Ela sempre os admitia e me dizia: “tenho muito a depurar”. Mas era toda compaixão com o sofrimento do outro. Não questionava, atendia. Esta sempre foi a imagem dela para mim: defeitos, sim, como qualquer um de nós, mas caridade e compaixão sempre.