quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

MEMÓRIAS DA DONA DIDI – SEGUNDO CADERNO – PARTE FINAL



Didi, em 25.11. 1996.
8.11.1997

Quando retornei ontem a meu apartamento, após a quinzena em Salvador, a minha passadeira Maria já estava me esperando para fazer-me companhia. Meus filhos haviam assentado para eu ir almoçar na casa do Air. Esta é a data em que sempre comemorei o meu aniversário, apesar de, há poucos anos atrás, eu haver descoberto que nasci em 15 de julho.

09.11.1997

Hoje comemoramos o meu natalício na casa do Júnior. Cada filho levou um prato e o almoço foi ótimo! Meu Deus, o que será de mim? Clélia, Celina me deram presentes e Sônia me deu uma torta, Bené, uma corbeille de flores. Que Deus me ajude e faça com que a aposentadoria do José que encaminhei ao INSS seja resolvida para mim. Também, se o José tiver direito ao seguro da SINCOR, ajude ao senhor Marcos a arrumar isto para mim. Ainda, os seis mil da poupança do José, que eu tenha direito a ela. Estou numa penúria, não sei o que devo fazer, minha cabeça não consegue planejar nada, só sinto falta do José... Vim da casa do Júnior para o meu apartamento no Trianon, estou sozinha, esperando pela Maria.

10.11.1997

Hoje veio outra moça chamada Maria para morar comigo e me ajudar no serviço doméstico. Convivi por vinte e um anos com o José sem empregada. Foi uma vida organizada, sem problemas com terceiros. Eu dei conta do serviço da casa e atendi ao José em tudo que ele queria. Quando viajávamos de carro para Caldas Novas, Araxá ou para trabalhos espirituais, eu vigiava tudo, lia placas e descascava maçãs, partia biscoitos e bolachas para dar a ele enquanto ele dirigia o carro. Fazia companhia para ele em tudo!

26.11.1997

Didi e neta Fábia, 1990.
A minha vida tem sido amarga nesses dias. Tenho ido à casa da Celina, da Sônia, do Júnior e Regina tem-me levado à pirâmide algumas vezes. Estou à mercê da Espiritualidade. Ontem comprei castanha portuguesa e me lembrei do José. Ele gostava tanto! Também comprei dois panetones para o Natal... Ah, meu Deus, o que será de mim? Espero que Deus me ajude, não peço esquecimento dele, mas peço a Deus para me tirar este sentimento de angústia, de solidão e a saudade bruta que tenho de meu José. Preciso cumprir os meus dias restantes aqui neste orbe. Peço a Deus que encaminhe o José para que ele seja muito feliz onde estiver.

08.12.1997

Maria Luiza, Renata, Bart, Shirley, Júnior chegaram hoje da Holanda e levamos todos para a casa da Celina. A vida tem sido de muitos afazeres. Tenho feito sobremesas, bolos, gelatinas e levado para eles. Fiz questão de estar sempre com a Luiza, mandei fazer um banheiro na suíte que ficou mais de mil reais. Empreitei o reboco, o telhado e um pedaço de piso que faltava na garagem e na área. Tudo ficou acima de quatro mil reais. Tenho estado sempre presente na casa da Celina, junto com Luiza e Renata. Juninho não gosta de mim, não sei o que ele pensa. Talvez sejam problemas de existência anterior. No dia 20, fiz uma peixada para todos e levei para comermos juntos na casa da Celina. Todos gostaram e elogiaram muito!

16.12.1997

No dia dezesseis foi a inauguração da loja da Luiza e da Sônia e foi muito bonita a festa... Passamos a noite de 24.12 todos juntos no apartamento da Clélia. Fiz um peru que a Clélia nos trouxe a pedido da Luiza e ficou muito gostoso. A Luiza ensinou colocar toucinho e papel laminado e ficou muito bom. Fiz ainda uma maionese e não sobrou nada.

25.12.1997

Didi com filhos pequenos, Marco e Regina, 1951.
Ontem passei a noite com taquicardia e hoje também. Melhorei e fui para casa da Celina ficar um pouco com a Luiza. Renata chegou às 9h da manhã. Às 14h fomos para o aeroporto levar todos para embarque rumo ao Rio de Janeiro, onde ficarão em excelente hotel. Dia 28 retornarão para a Holanda onde residem.

Ganhei de Natal um porta-retratos da Sônia, uma linda embalagem com bananas secas da Regina e 150 dólares da Luiza e um perfume da Flávia, amiga secreta.

27.12.1997

Hoje às 17 h a Bebé, minha cunhada, me telefonou, exatamente dois meses e 17 dias após a morte do José.

31. 12.1997ri

Preferi ficar em casa e fazer o culto evangélico às 23h, acender velas e vibrar para o Zezé. Todos os filhos me convidaram para acompanhá-los, mas eu não quis sair.

1.1.1998

Didi com amiga Elzinha, em Salvador, 1997.
Júnior e eu fomos a Ribeirão Preto visitar o Marco Antônio. Saímos de Goiânia às 5 h da manhã e chegamos lá às 15h. Marco mora agora na Rua Cerqueira César, nº 78, em pequeno apartamento no centro. Fomos à casa do Bruno e da Fernanda. Eles são muito bons! Fui ao Cemitério da Saudade e acendi muitas velas. Passeamos e conhecemos parte da cidade. Voltamos no dia 3/1/98, e chegamos às 19h.

27.1.1998

A vida está muito difícil. Maria, minha empregada, é muito sem juízo. Usa meu telefone para toda baboseira. A conta vem imensa. Comprei as coisas de que ela necessitava, roupinha de bebê, camisola e todas as coisas. Depois arranjei a maternidade e ela foi dar à luz. Criatura sem sentimentos. Fez muito abuso aqui. Sujou no prato que comeu!

Hoje fui ao Dr. Nardelli, especialista em olhos, no setor oeste. Ela falou que preciso operar a vista.

Dia 15 de janeiro passei em Caldas Novas. Fui sozinha, queria passar o aniversário de 21 anos de minha união com o José e achei louvável estar sozinha.

5. 6.1998

A vida tem sido difícil de suportar com tanta solidão. Minhas filhas me convidam sempre para almoçar com elas... Dormi quatro noites no apartamento da Sônia, mas retorno sempre ao meu lar. Todos os meus filhos são ótimos, mas não devo dar trabalho, tampouco preocupações para eles. Tenho ajudado o Marco, o Júnior e a Clélia. É muito pouco o que posso fazer, mas faço com amor e boa vontade.

7.6.1998

Didi na Creche Casa do Caminho, 1995.
Hoje Bebé, irmã do José, me telefonou novamente. O Dantas, outro irmão do José também morreu de câncer no fígado. O motivo de ela me ligar foi para avisar que a Walquíria, a filha torta do José quer requerer herança. Fiquei abismada. José sempre morou no era meu; o carro, o telefone, fui eu que lhe dei. Não tem nada no nome dele... Tenho que tomar precauções.

10.6.1998

Resolvi dar a escritura de doação do apartamento 62 do Edifício Drogasil para a minha filha Luiza. Telefonei para ela avisando para que ela me mandasse 2 mil dólares para o pagamento da escritura. Falei com o Aparecido do cartório e ele fez tudo direitinho, reservando o usufruto para mim. Queria doar para um neto, mas e os outros? Minhas filhas concordaram com isso, porque ela ficou com menos na primeira doação.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010



DEPOIMENTO DO MÉDIUM EDSON GOMES MAGALHÃES SOBRE A DONA DIDI

Edson em sua residência, 15.11.2010.
Conheci a Dona Didi em 1973. Eu tinha terminado o meu segundo grau, estava noivo e adoeci. Então, fui ao Centro para consulta, conduzido por minha mãe, quando já estava desenganado pelos médicos. Minha mãe era católica, freqüentava a missa todos os domingos, mas costumava também ir tomar passes no CEIC, nas segundas-feiras à noite.

Naquela época havia prece na creche aos domingos e passei a freqüentar aquelas reuniões semanalmente. Depois de um ano de tratamento, recebi permissão para vestir branco e participei dos trabalhos do centro por mais de trinta anos.

Casei em 74 e continuei no centro. Saí do CEIC, no final de 96, junto com Dona Didi. Nessa ocasião, ficou estabelecido que encerrar-se ia linha de umbanda, no CEIC, e fui para outra casa onde fiquei alguns anos. Soube mais tarde que o centro havia voltado ao antigo modelo. Retornei depois de cumprida a minha missão lá na outra instituição e porque Pantera me disse que meu verdadeiro compromisso é com o CEIC.

Didi, em 08.11.2001.
Tinha muita afinidade com os trabalhos realizados pelos guias de Dona Didi e a acompanhava sempre. Pantera era muito rigoroso em relação à disciplina e à ética e sabia que podia contar comigo e com o Compadre Zé Moreira, assim nós éramos escalados com freqüência. Eu sabia que estávamos sendo amparados e não fazíamos comentários, tampouco trabalhávamos paralelamente em benefício próprio. Doávamos tudo de melhor e nos sentíamos muito bem ajudando o próximo.

Em relação à doença que me levou ao espiritismo, soube mais tarde que uma ex- namorada havia feito um trabalho contra mim há muito tempo atrás. Assim, os médicos nunca conseguiram descobrir o que eu tinha. Antes, eu não acreditava em espiritismo e fugia dos centros. Então, fui levado pela dor. Tive uma doença sem diagnóstico. Nenhum médico sabia o que eu tinha. Nunca tinha sentido nem dor de cabeça anteriormente. De repente, eu me vi depressivo e enfermo, quase sem força. Não sabia o que havia depois da morte e tinha medo de começar a freqüentar um centro e não conseguir cumprir os compromissos assumidos.

Durante o meu tratamento espiritual, fui sendo desenvolvido e quando percebi as práticas espiritistas já faziam parte da minha vida. Aprendi a não buscar recompensa, participo dos trabalhos e já me sinto feliz com esta oportunidade.

Edson Gomes sendo entrevistado para o blog da Dona Didi.
Impossível deixar de acreditar depois de ter vivenciado o espiritismo ao lado da mediunidade de Dona Didi. Algumas vezes eu comentava alguma coisa na rua e à noite chamavam a minha atenção, coisas que apenas eu sabia que havia dito. Assisti, por mais de três décadas, a vários trabalhos de cura impossíveis de serem descritos. Lembro-me de trabalhos de cura em que Pantera com simples pedaço de algodão embebido em álcool tirava bolas de cabelo do estomago de um irmão do centro e ele se curou a partir daquele momento.

Houve um trabalho que jamais esquecerei. Aconteceu em uma tapera, uma casa velha e abandonada em uma fazenda. Dona Didi entrou incorporada em um quarto cheio de cobras, depois deu uma volta ao redor, fiscalizando tudo. Então, Pantera ia à frente e nós em fila indiana observando as cobras passeando próximas dos médiuns. Nunca vi tanta cobra junta na minha vida e era incrível observar a força espiritual que emanava do ambiente. A gente saia fortalecido e sem palavras ante a magnitude da espiritualidade.

Tive dificuldade em aceitar o relacionamento de Dona Didi e com o senhor José Nascimento. Acho que a gente a admirava tanto, que pensávamos que ele não estava à sua altura. Inicialmente, ele era casado e sua esposa estava com câncer. Nós íamos lá aplicar-lhe passes. Ela desencarnou e meses depois o senhor José e Dona Didi se uniram.

Didi,  com neto Gustavo ao colo e José Nascimento Dantas, em 1979.
Mais tarde acabamos entendendo que esse relacionamento foi bom para ela porque ela precisava de condução para cumprir todas as suas obrigações como médium, dirigente de casa espírita, responsável pela Creche. O senhor José era uma pessoa difícil de relacionamento e a principio não consegui entendê-lo, mas, hoje, sei que certamente eles tinham algum compromisso a cumprirem juntos e o fizeram.

Dona Didi era uma pessoa honesta, trabalhadora, incansável, responsável, tinha uma força espiritual digna de nota. Quantas vezes participei de trabalhos dirigidos por ela e seus guias, às vezes estava chovendo, mas a entidade não permitia que a chuva atrapalhasse o trabalho e víamos chover ao redor, mas aquele círculo de luz onde estávamos permanecia seco.

Dona Didi era excelente em termos de relacionamento. Muito positiva, falava o que era preciso e só falava o necessário com cada um de nós. Era líder por excelência! É difícil dizer o que a Dona Didi significou em minha vida. Para resumir, digo que tudo o que sei aprendi com ela e com Pantera! Ela, como médium, era exemplo de dedicação, disciplina, de respeito e amor incondicional. Como pessoa, sei que Dona Didi era querida e admirada por todos, apesar de só ter convivido com ela junto à espiritualidade.

Filha Celina, netos André e Paula, genro Luiz e Didi, 1986.
Quando comecei ir ao centro, ainda era solteiro, levei a minha namorada ao núcleo dizendo a ela que me tornara espírita e eu continuaria freqüentando o centro. Ela concordou. Três meses após o casamento, ela começou a reclamar. Como ainda não tínhamos filhos, dei a ela a opção de nos separarmos, porque não deixaria a prática da doutrina como médium de umbanda. Ela acabou aceitando, mas passou 31 anos me cobrando. São provas relativas às nossas escolhas. Soube que Dona Didi também não era compreendida pelos familiares que não aceitavam que ela priorizasse as sessões em detrimento de compromissos sociais.

domingo, 14 de novembro de 2010

MEMÓRIAS DA DONA DIDI





DIDI, 1968.
27.03.1997

Novamente José e eu fomos a Caldas Novas. No dia 28, fizemos a nossa obrigação da Sexta-Feira da Paixão. Ficamos lá até dia 31 de março quando retornamos a Goiânia. Não pudemos ir à piscina, pois choveu quatro dias sem parar.

17.04.1997

Hoje, quinta-feira, Maria veio fazer faxina no meu apartamento. Eu tive que ir à chácara para pagar ao caseiro Clodomiro o seu salário. Sempre que vou à chácara volto contrariada. São muitos problemas, eu não dirijo, não tenho carro e só posso ir lá quando a Celina me leva. Preciso vendê-la para tirar essas preocupações de minha cabeça. Faz quatro meses que me ausentei do centro. Tive muita desilusão! Tenho muita saudade dos trabalhos de meus guias em favor da humanidade. O meu espírito não se aclimatou ainda com o corte dos trabalhos espirituais. Sofri muitas desilusões com os encarnados. Todavia, adoro os meus guias e sei que eles me amparam sempre!

Tenho sentido uma solidão incrível, uma tristeza imensa, uma horrível insatisfação! Além dos meus afazeres usuais, tenho lido muito, feito crochê, enfim, procuro preencher o meu tempo...

20.04.1997

José e eu fomos para o Rio e depois a Cabo Frio. Assistimos às comemorações de São Jorge no mar e ficamos encantados com a beleza daquela energia. Ficamos no Caribe Park Hotel, até o dia 27, quando retornamos de Cabo Frio ao Rio e, então, de volta a Goiânia.

02.06.1997

José, Didi, Bené e Raimundo, jun.1997.
Resolvi dar a José a estadia de dois a seis de junho, para passarmos, em Caldas Novas, o seu aniversário. Fomos de carro com minha filha adotiva Bené e seu marido Raimundo. Eles ficaram na cidade e nós no SESC. Os dias foram bons e ficamos na colônia que está muito bonita. Bené e Raimundo nos convidaram para almoçar em uma churrascaria no dia cinco, para comemorarmos o aniversário do José. Mas ele não aceitou alegando não poder comer algumas iguarias, devido à doença que o aflige atualmente. Na próxima segunda-feira, dia 9, ele irá ao médico para saber o que tem.

06.06.1997

Vendi a chácara para o professor Marçal Sebastião Alves. Graças a Deus fiquei livre das obrigações, pagar caseiro, engolir contrariedades, ter aborrecimentos com o Ministério do Trabalho, furtos, entre outras coisas. Perdi muito dinheiro, mas afinal acabaram as amolações. Além do mais, José sempre brigou comigo por causa de minhas idas à chácara. Ele tem estado muito doente e tenho que cuidar dele.



14.06.1997

Bené e Didi, 1998.
Fiz diversos exames para saber o que tenho, mas não farei nenhuma cirurgia. Tenho reumatismo, problemas na coluna e, às vezes, nos rins, pressão alta e sou cardíaca. Mas José não está melhor e tem ido a vários médicos e feito inúmeros exames, ainda sem definição de seu quadro. Seu último diagnóstico foi apenas gastrite ou úlcera, mas ele continua muito doente.

20.07.1997

Ione telefonou de Ribeirão Preto dizendo que o casamento de meu neto Bruno será no dia seis de setembro e contou que sua namorada está esperando um filho.

09.08.1997

Saímos de Goiânia no ônibus da Gontijo, rumo a Belo Horizonte. Lá chegamos às 21 horas. José marcou as passagens para Guarapari para 22 horas. Embarcamos e durante a noite sentimos um frio horrível. Chegamos às 7h da manhã e fomos de táxi para o Guarapari Hotel. Foi terrível a permanência em Guarapari. José continua enfermo e gemia de dor todo o tempo. Não pudemos aproveitar nada. Etelvina, esposa do Sebastião, nos visitou no hotel. Depois, fomos ao apartamento que eles alugaram. Resolvi com José trocar as passagens, antecipando a data da volta. Viemos no dia 13, chegando a Goiânia no dia seguinte.

07.09.1997

Air, Didi e Sônia, 1982.
Hoje é dia da pátria. José esteve fazendo exames e também um Raio X do intestino.Resultado: diverticulite, a doença de nosso ex futuro presidente – Tancredo Neves. Ele está muito magro, estou lhe ministrando alimentação de duas em duas horas. Faço caldo de carne ou frango e cozinho as verduras e legumes, batendo tudo junto no liquidificador. Preparo mingau de fubá, creme de milho, descasco frutas como maçã e mamãe, triturando também no liquidificador. Faço-lhe vitaminas de laranja, cenoura e beterraba e ele toma pela manhã, juntamente com suplemento alimentar e a medicação receitada pelos médicos. Tenho dado conta de cuidar dele mesmo sem ter empregada e tampouco me sentindo saudável.

15.09.1997

A vida aqui em casa está lamentável. José está a cada vez mais doente. Não durmo fazendo todo o serviço da casa e cuidando dele dia e noite. Agora, há pouco, cheguei do medico – Dr. João Neves Neto – que pediu mais exames, todos caros, além de receitar inúmeros remédios. Estou pensando em como resolver esta parada. Aqui em casa está uma farmácia, vou dar todos estes medicamentos para alguma obra de caridade.

17.09.1997

Estou muito desolada. O exame do José – a tomografia computadorizada – deu muito ruim, cirrose e vários tumores no fígado. Ele passa noite e dia acordado, não tem sossego e nem agüenta ficar sentado ou de pé. Estou esperando sua irmã Bebé chegar de Bauru e iremos ao médico para ele me orientar que devemos fazer. O médico nos disse que ele tem câncer no fígado em estado avançado.

20.09.1997

A vida tem sido terrível. Estou cansadíssima. José não dorme dia ou noite. Não tenho empregada, aliás, passei os últimos vinte anos com José fazendo todo o trabalho doméstico, administrativo, espiritual e assumindo todas as dificuldades.

25.09.1997

Bebé, irmã do José, me disse que virá aqui pela manhã para me ajudar. A outra irmã – Lisete – também virá durante o dia. Estou querendo contratar um enfermeiro para a noite e peço a Deus que me mande a pessoa indicada.

26.09.1997

Raimundo, Bené e Didi, em Caldas Novas, 1997.
Hoje faz três anos que meu genro Adevaldes faleceu. Estou passando pelas mesmas dificuldades que minha filha Clélia vivenciou. Peço a Deus que me ajude e que eu tenha condições de internar o José em um hospital e consiga pagar as despesas. São 20h 20 da noite e estou sozinha como sempre neste horário e oro a Deus para que eu vença mais nestas dificuldades.

29.09.1997

Hoje internei o José no Hospital São Domingos no Setor Bueno. Ele ficou lá até o dia três quando retornamos para casa. Consegui pagar as despesas e Bebé me emprestou uma cama de hospital. Desmontei a cama de casal e organizei tudo para o José.

Ao chegar preparei uma sopa de frango com cará que bati no liquidificador e José tomou toda. Ronaldo veio às 14h30 dar banho no José. Não sei como vou agüentar esta passagem de minha vida. Está muito difícil de suportar! Estou cansadíssima e não sei quando terei sossego. Peço ajuda a Jesus e confio Nele.

04.10.1997

Hoje novamente internei o José no Hospital São Domingos. Ele está pior. Não anda, nem fala. Ficamos lá até o dia sete, quando ele desencarnou!

Graças a Deus, dei conta de fazer tudo direitinho e seu enterro será amanhã, dia 8 de outubro de 1997, no meu jazigo no Cemitério Santana. Ele foi velado no salão 03 do Jardim das Palmeiras, das 22 h do dia 07 até ás 9h da manhã. Estou desolada e vim para o meu apartamento Trianon e estou achando aqui uma calamidade sem a presença física do José.

08.10.1997

Estou aqui no apartamento do edifício Trianon, o espaço que o José amava. Não sei o que será de minha vida de agora em diante.

16.10.1997

Maria, a minha passadeira que trabalha para mim há dezoito anos, veio passar comigo esta etapa custosa de minha vida. Tem sido horrível a falta do José! Estou pelejando para dar entrada na pensão do INSS do José e tem sido difícil. Também uma poupança de seis mil no banco Mercantil que exigiram um alvará, mas não sei se consigo. Vivemos juntos 21 anos, mas ele me escondeu alguns detalhes de sua vida. Por diversas vezes eu lhe fiz algumas perguntas, mas ele nada respondia.

Meus filhos querem que eu vá passar algum tempo em Salvador, na casa de minha amiga Elzinha e já está marcada a passagem para o dia o dia 24 de outubro. Talvez eu fique lá uns quinze dias, voltando no dia sete de novembro.

24.10.1997

Cheguei a Salvador pela manhã. A vida aqui tem sido uma monotonia terrível. Elza e Celso trabalham muito. Graças a Deus eu não os atrapalho em sua rotina.

25.10.1997

Fui à primeira comunhão da Carolina, neta da Elzinha. Foi muito bonita a missa toda cantada. Depois Tanit ofereceu uma mesa de salgados e doces no salão de festas do prédio onde moram.

26 a 31.10.1997

A vida tem sido bem aproveitada. Cedo, Elvira, mãe da Elzinha, e eu caminhamos pela praia. Após o almoço, Tanit sempre organiza um roteiro. Passeio na Lagoa Abaeté, visitas ao Solar do Unhão e na cidade de Salvador, tomar lanches, enfim, ela tem me ajudado muito a esquecer as minhas tristezas. Pena que eu não esqueça o meu Zezé. Ah, que coisa horrível... Que vazio, que falta, que saudade!

07.11.1997

Hoje faz um mês que José desencarnou e estou no avião da VASP, voando de volta a Goiânia. É horrível viajar sozinha, não sei o que será de minha vida. Não sei de nada. Cheguei a Goiânia à noite e Soninha, Celina e Júnior foram me esperar no aeroporto.







quinta-feira, 4 de novembro de 2010

DEPOIMENTO DE EDY MACHADO DE SIMONE SOBRE A DONA DIDI


Eu estive no Centro Espiritualista Irmãos do Caminho, primeiramente, em 1976, quando a instituição ainda funcionava na sede do setor oeste. Fui atendido lá, mas não quis freqüentá-lo, porque algumas práticas não coadunavam com meus valores, então. Só retornei ao centro sete anos mais tarde, quando passava por nova crise na vida profissional.

Neuza e Edy de Simone, em sua residência, 30.10.2010.
Em 1983, minha esposa Neuza freqüentava a Irradiação Espírita e trabalhava junto à obra do berço. Eu estava vivendo algumas experiências que não conseguia explicar. Por exemplo, durante um jogo de basquete com colegas, vi-me, de repente, agredindo deslealmente, com chutes, um dos jogadores. Eu via o que estava fazendo, mas não conseguia evitá-lo. Conversei com um amigo que me aconselhou a procurar o CEIC, em busca de ajuda espiritual.

O amigo - Dr. Fábio - me aconselhou a procurar alguém na Avenida Goiás. Era Air Gomes de Moura que sugeriu que eu falasse com o mentor da instituição. Tentei marcar a consulta com o mentor de Dª Didi, por diversas vezes, sem sucesso. Naquela época, só eram atendidas sete pessoas por sessão e como eu não dispunha de tempo para chegar ao centro mais cedo, sempre as senhas já estavam esgotadas. Finalmente, solicitei a um contínuo da empresa que fosse marcar a consulta, logrando sucesso.

Dona Didi, na Creche Casa do Caminho, àquela época.
Fui devidamente atendido e orientado a freqüentar as sessões com regularidade. Eu comecei a fazê-lo com certa relutância. O cambono - Mário Scartezini - me deu alguns conselhos. Sugeriu que eu fosse com calma, esclarecendo sobre a enorme responsabilidade de assumir compromissos com a espiritualidade, sem poder dar continuidade ao seu cumprimento posteriormente.

Acabei vestindo a camisa de irmão do caminho e participei bastante das atividades do centro. Assim, em 83 e 84 trabalhei com minha esposa Neuza, com o Dr. Fábio e outros voluntários, junto à Creche Casa do Caminho. Neuza sempre teve facilidade na incorporação, mas eu me afinizava melhor com os trabalhos sociais, a manutenção das obras e a preparação de palestras. O Dr. Fábio mantinha uma horta comunitária na creche e gostava de auxiliá-lo nesta tarefa, além de me responsabilizar por consertos relativos à manutenção da casa.

Sempre acreditarei na existência de outros planos. Creio que minha enfermidade atual aconteceu para eu acabar com as minhas dúvidas, com o meu ceticismo. Há muito tempo atrás, soube que, aos 60 anos, eu ficaria cego e perderia todos os dentes. Esta informação veio por meio de uma visão. E isto realmente aconteceu. Meus dentes foram caindo um a um, apesar de todo o cuidado preventivo. Na época da visão, eu a relatei a Pantera, incorporado em Dona Didi, e ele falou que nosso destino é marcado, mas que podemos mudá-lo por meio de nosso comportamento. Assim, tentei me transformar a cada dia, seguindo os seus conselhos, praticando, sobretudo, a caridade cristã. Ele acrescentou que, dependendo de minha conduta, talvez eu não ficasse cego ou a falta de visão seria de uma vista só, como está ocorrendo agora.

Como digo em minhas palestras, a gente tem oportunidade de fazer o bem 24 horas por dia e aquilo que Pantera me disse tem-se comprovado. Gostaria de ter a fé de minha companheira Neuza por quem Dona Didi tinha um carinho especial. As duas tinham muita afinidade!

Quando nós viemos para Goiânia, eu convenci a Neuza a aprender a dirigir e ela o fez. Nestes últimos meses, com a enfermidade por que passei, ela pôde dar-me toda a assistência necessária, acompanhando-me a médicos, laboratórios, clínicas, por mais de um ano. Sempre serei grato à atenção que ela e meus filhos me dispensaram, apesar de todo o meu mau humor e impaciência!

Neuza e Edy.
Neuza explicou que ela freqüentava a Irradiação Espírita Cristã, em 82, quando Pantera lhe disse que ela deveria ir também para os Irmãos do Caminho. Assim, ela pediu autorização à presidente da Irradiação àquela época - Dª Maria Antonieta Alessandri - que concordou. Mas Neuza fez questão de continuar ajudando na obra do berço da instituição. Relata, ainda, que costumava ir à CEASA, bem cedinho, em sua caravan branca, duas vezes por semana, para abastecer a Creche Casa do Caminho e a Irradiação, com frutas e verduras.

Neuza reitera que tinha muita afinidade com dona Didi e só se afastou do CEIC devido à doença de seu marido – Edy de Simone Machado. Conta que sempre costurou para a obra do berço e foi responsável pelos uniformes da creche durante todos estes anos.

O casal tem uma admiração muito grande pela mediunidade do senhor Edson que também retornou ao CEIC, depois de cumprir missão espiritual em outra casa de oração, em Aparecida, nos últimos tempos. O guia do senhor Edson é o Pai Joaquim. Este sempre nos dá assistência espiritual, durante os passes aplicados em nossa residência por seu instrumento, exemplo vivo de caridade cristã.

O senhor Edy lembra-se de como passou a admirar a mediunidade do médium Edson. Um dia, há muitos anos atrás, ele havia selecionado um candidato para substituir um de seus funcionários, em Jataí. À noite, ele foi ao CEIC e, na hora dos passes, ele se posicionou ao lado do senhor Edson que costumava dar orientações orais aos seus assistidos, apesar de orientação contrária da instituição.

Ele estava lá quando percebeu que o candidato aprovado estava no centro, vindo tomar passe com o senhor Edson, ao seu lado. Assim, ele ouviu quando o rapaz contou que seu pai era muito doente, que ele tomava conta dele e pedia o auxílio da espiritualidade para interceder para que ele não fosse para longe, relatando que precisava do trabalho que havia arranjado, mas que não podia ir para o interior, deixando seu pai sem seus cuidados.

Em resposta, o guia de Edson disse que ele não precisava se preocupar, porque isso não aconteceria. Podia voltar tranqüilo!

Eu ouvi a orientação do Sr. Edson e duvidei. Sabia que o tal candidato selecionado teria que ir para Jataí, dependia de minha anuência e eu não mudaria de idéia, pois aquele a quem ele substituiria há muito tempo tinha essa expectativa.

Acontece que o dia seguinte, o funcionário de Jataí me ligou pessoalmente pedindo encarecidamente que não fosse mais transferido. Ele havia sido promovido a sub-pastor em sua igreja, precisava estar na cidade nos próximos dois anos e não queria mais ser substituído! Nunca mais duvidei da mediunidade de nosso irmão Edson! Ele também era muito ligado a Dona Didi!


sábado, 30 de outubro de 2010

DEPOIMENTO DE LANE NAVES SOBRE A DONA DIDI



Lane e sua mãe, Maria Duarte Naves.
Dona Didi foi uma pessoa muito importante na vida de muita gente, devido ao caminho cristão que escolheu, ao seu papel de líder espiritualista e de mãe em potencial!

Ela era amiga de minha mãe – Maria Duarte Naves – que a admirava muito e gostava de encontrá-la, porque existia muita afinidade e empatia entre elas!

Lembro-me de sua imagem na casa da Rua Seis quando eu tinha uns oito anos de idade! Morávamos na Av. Paranaíba e subíamos a rua de dona Didi (seis), em direção ao mercado e ao centro comercial da cidade que era constituído do comércio na Rua Quatro, explorado pelos turcos, e na Avenida Anhanguera, onde ficavam as maiores lojas.

Dona Didi e seu sorriso franco!
Mamãe e eu sabíamos que a encontraríamos sempre rodeada dos filhos e exibindo aquele sorriso franco e a sua costumeira amabilidade. Ela foi muito presente em minha vida nessa época e, quando nós passávamos à sua porta, sempre parávamos para conversar por alguns minutos e compartilhar com ela momentos de sabedoria. Sentíamos que aquela troca quase diária era mais importante do que continuar o nosso trajeto!

Assim, minha mãe marcava aqueles encontros espirituais para que ela nos abençoasse. Esses contatos se perpetuavam durante dias subseqüentes e nunca os esquecerei! A vida em Goiânia era tranqüila àquela época e a gente tinha tempo suficiente para encontrar os afins sem a correria da atualidade!

Lane e Regina, 1996.
Enquanto Dona Didi se entretinha com minha mãe, a Regina conversava comigo com o mesmo sorriso de sua mãe que embalava as alegrias da convivência amiga.

Os valores e a harmonia daquele tempo foram bastante significativos para os meus sonhos de menina pré-adolescente que desabrochava para a vida prenhe de esperanças de novos encontros e com as fantasias do carinho, do amor e da felicidade permanente.

Regina ainda adolescente foi minha professora no Centro Cultural Brasil Estados Unidos; depois, colega de graduação, mestrado, magistério e pude acompanhar toda a trajetória de sua mãe – Dona Didi! Algumas vezes fomos ao Centro para tomar passes energéticos e buscar água fluída e, assim, pudemos avaliar a importância do trabalho mediúnico desenvolvido por Dona Didi.

Aleixo, Regina e Lane, em 29.10.2010.
Os anos se passaram e eis que aqueles primeiros encontros reforçaram o meu futuro, desenhado pelos sorrisos de minha mãe, da Dona Didi e de minha grande amiga Regina.

Quero confirmar que essa convivência foi substancial para as minhas realizações como professora, mãe, amiga e mulher!

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

DEPOIMENTO DE ELCYR MANATA SOBRE A DONA DIDI



Dona Didi, quando Elcyr começou a frequentar o CEIC, 1970
Eu morava à rua nove do setor oeste, bem próximo ao Centro Espiritualista Irmãos do Caminho e comecei a freqüentar o centro em 70, ainda na assistência. Em 74, passei por uma cirurgia necessária e fiz o tratamento posterior no CEIC. No ano seguinte, 1975, o mentor me convidou a trabalhar e nunca mais me afastei do núcleo.

Com Dona Didi, nós organizávamos almoços em benefício das obras assistenciais. Naquela época as coisas eram mais difícies, nós fazíamos o almoço e arrumávamos tudo, além de vender os ingressos. Separávamos por grupos: grupo do frango, da maionese... Eu pertencia a este último. Também assumi por quase dois anos a direção da Creche Casa do Caminho, trabalho difícil, mas deveras gratificante! Depois que terminou o meu período, Dona Didi me substituiu, permanecendo por quase vinte anos na coordenação, até o seu afastamento da entidade.

Dª Didi era incansável em todos os setores, como médium, como administradora da entidade, como irmã e mãe! Naquele tempo a freqüência dos médiuns era diferente. Eu fiz odontologia, porém já não exercia há bastante tempo. Mas a maioria da equipe feminina era constituída apenas de donas de casa. Hoje, todo mundo trabalha fora. Houve muita modificação na sociedade e isso refletiu em todos os setores.

Dona Didi e seu neto Amaro, em 2004, aos 83 anos.
Air assumiu o centro depois da saída de Dª Didi e eu continuei ajudando. Todos nós ficamos abalados porque já estávamos habituados à mediunidade de Dona Didi. Muitos médiuns saíram do centro na ocasião. Com o tempo alguns voltaram e também entraram novos médiuns.

Lembro-me de um dia especial em que o Dr. Eurípedes Barsanulfo veio à minha casa por intermédio de Dona Didi, quando minha mãe estava doente. Eu já morava aqui neste apartamento. Ele falou muito bonito e comoveu a todos os presentes. Minha mãe havia conhecido o Dr. Eurípedes quando menina, em Sacramento, MG, e ele se tornou o mentor de nossa família. Minha avó morava lá na terra do Dr. Eurípedes.

Como disse anteriormente, conheci a Dona Didi, em 1970, no Centro Espiritualista Irmãos do Caminho. Meus pais, quando vinham a GYN, também iam ao centro tomar passe e buscar a sua água fluída. Quando meu pai faleceu, minha mãe veio morar comigo, permanecendo até 96, quando mudou de plano espiritual. Dona Didi sempre lhe deu muita assistência!

Eu nasci em berço espírita. Há 35 anos freqüento o centro. Antes eu o fazia três vezes por semana. Agora o faço duas vezes por semana, junto com meu filho Régis. Trabalhando no centro com Dona Didi, tive bastante contato com Ramayara e também atuei na sala de cura do Dr. Fritz, além dos outros trabalhos regulares.

Jenecy, Dona Didi e Maria Amélia, em 2004.
Li em um livro que quando um médium se afasta do núcleo ou muda de plano espiritual, os seus guias também terminam a sua missão. Imagino que isso deve ter acontecido neste caso!

Para descrever a Dª Didi, eu só posso dizer que ela era uma mãezona para todos nós, inesquecível, trabalhava incansavelmente e se houver bônus hora, com certeza ela conseguiu todos os possíveis por meio de seu trabalho de dedicação e amor ao próximo.

Lembro-me, ainda, do nome de alguns médiuns que freqüentaram o CEIC na época de Dona Didi: Maria Máris, Mariona, Emilse, Agostinha, Torres, Abadio, Edson, Dimas, Nair e João, Lourdes, Benedita, Tiana, Air, Edy, Jésus, Zuleica e seu pai Dr. Célio, que fazia palestras.

Os trabalhos de cura eram maravilhosos, saíamos para realizá-los na mata ou na cachoeira. Só quem teve o privilégio de participar daquela energia que nos envolvia a cada bênção recebida pode avaliar as maravilhas que presenciamos ao lado de Dona Didi.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

DEPOIMENTO DE ROSA LYA SOBRE A DONA DIDI




Médium Rosa Lya sendo entrevistada para o blogdadonadidi. 
Dona Didi foi uma pessoa muito especial na minha vida. Sempre sonho com ela à noite. E eu nos vejo no trabalho do CEIC ou nos velhos papos que compartilhávamos antes do início de cada sessão. Cheguei ao Centro Espiritualista Irmãos do Caminho, levada pela Dª Iolanda, em 1980, quando ele ainda funcionava no setor oeste.

Elcyr entrou depois de mim e lá encontrei os afins que passaram a compor a minha família espiritual. Posso citar os nomes: Deolinda, Benedita, Jenecy, Maria Máris, Mariona, Seu Mário, Abadio. Seu Dimas era o cambono quando entrei.

Dª Didi foi importante na minha vida porque eu era leiga em termos de umbanda e ela me ensinou tudo que sei. Meu pai tinha sido presidente de um centro kardecista, em Carolina do Norte, MA, onde nasci. Assim que comecei a freqüentar o CEIC, Dª Didi teve uma visão. Foi durante a minha iniciação. Ela viu a minha mãe, desencarnada desde 1956, me entregando um buquê de lírios. Então, senti que eu havia encontrado o meu lugar de trabalho.

Trabalhar no centro espírita é uma escola. Na época de Dona Didi tudo era bem organizado com muita disciplina, coerência e amor. Isso é peça importante no crescimento de todos nós.

Regina e Rosa Lya, em 27.10.2010.
Naquela ocasião eu nunca participava de cachoeira e mar. Para esses trabalhos especiais havia toda uma preparação especial e os médiuns eram escalados pela espiritualidade.

Uma experiência que me marcou foi quando trabalhei junto com a Jenecy. Lembro-me dos trabalhos de Ramayara que eram indescritíveis. A energia era tão elevada que a gente ficava em estado de graça dias após a sua realização. Dª Didi tinha uma maneira de nos ensinar sem nos forçar a nada e isso fazia com que a gente aceitasse tudo plenamente.

Lembro-me do Dr. Célio. Ele foi alguém muito importante no centro. Tinha imenso respeito e carinho por Dª Didi e sempre fez questão de colaborar da melhor maneira possível. Dª Didi sabia conquistar as pessoas sem passar muito as mãos na nossa cabeça, mas com disciplina amorosa e justa.

Quando ela se desligou do centro as entidades também subiram. Mas, hoje, sei que Pantera continua no centro por meio da médium Jenecy.

Dª Didi era uma médium iluminada e de uma grandeza incrível. Mariazinha, Jenecy e eu saímos do centro junto com Dª Didi. A gente não sabia bem o que estava acontecendo, até que a sua saída foi anunciada no fechamento dos trabalhos do ano de 1996. Parece que havia uma pressão para a sua saída, ela tentou reverter essa situação diplomaticamente, mas como não foi possível, ela se afastou. E sei que sofreu muito, porque esse trabalho mediúnico era a sua razão de viver!

Rosa Lya e Dona Didi, em 2003.
Senhor Edy de Simone era muito ligado a Dª Didi. Ele tinha verdadeira admiração por ela, apesar de, às vezes, discordarem em relação a alguma norma. Ele sempre estudou muito e suas palestras são muito apreciadas por todos.

Lembro-me de um evento ocorrido no centro - o casamento do Marco Aurélio - celebrado por Emmanuel. Foi algo maravilhoso. Dª Didi estava iluminada, parecia que toda a espiritualidade conspirava energeticamente pelo enlace de dois irmãos do caminho.

Dª Iolanda me contava vários fatos dos trabalhos de materialização e cura feitos por intermédio de Dª Didi e para os quais eu não havia sido designada.

Eu me afastei do CEIC por bastante tempo, mas minha vida ficou vazia. Retornei junto com Jenecy, depois de cerca de três anos distante. Abadio se afastou, depois de organizar o que havia começado. Gostaria que ele também voltasse para o CEIC.

Lembro de fato semelhante que ocorreu com uma prima. Ela fundou um centro na minha terra natal. Aquilo era a sua vida! De repente, ela viu o centro invadido por pessoas jovens e inexperientes e, ao voltar de uma viagem, passou a sentar-se na assistência. Haviam retirado até as fotos de Emmanuel e Bezerra de Menezes que adornavam as paredes há tanto tempo!

Dona Didi, em 1996.
A Dª Didi como médium foi insuperável. Houve um trabalho na mata em que a entidade subiu na árvore e depois de afastou. Ela tinha pavor de altura e ficou apavorada quando a entidade se afastou e a deixou na árvore. Voltou à consciência questionando como havia subido lá.

Em sua época, havia mais critérios. Tudo era feito com orientação espiritual a que ela obedecia e nos ensinava a respeitar. Dª Didi sabia conduzir os irmãos. Mesmo os puxões de orelha eram dados com diplomacia e todos ficavam gratos pelo aprendizado.

Tive minha iniciação com psicografia, mas hoje não me sinto mais pronta para isto. Sei que quando mudar de plano espiritual poderei contar com a ajuda de Dª Didi que tanta gente ajudou por meio da espiritualidade! 

Dona Rosa Lya deu seu depoimento em sua residência acompanhada por seu marido Sr. Antônio Lisboa. Este contou que Dona Didi sempre o convidou a freqüentar o centro, mas mesmo simpatizante da doutrina, ele nunca quis assumir compromissos pessoais, apesar de sempre haver apoiado a companheira em sua caminhada como irmã do caminho.