sexta-feira, 25 de junho de 2010

DEPOIMENTO DA JENECY - VICE PRESIDENTE DOS IRMÃOS DO CAMINHO



DEPOIMENTO DE JENECY SOBRE A DONA DIDI



Eu não me lembro do ano certo em que conheci na Dª Didi. Foi no início da década de 60. Meus pais, Capitão Jurandir e Dª Deolinda já freqüentavam o Irmãos do Caminho desde 1962, cuja sede era na Rua 8 ”A”. Eles moravam na esquina, bem vizinhos do centro. Eles tinham verdadeira admiração pela Dª Didi, tanto pelo trabalho desenvolvido como médium, como pela sua pessoa expressiva, encantadora.
Comecei a freqüentar o centro e levava meus filhos pequenos. Um dia, o mentor me convidou a vestir branco e desde então nunca mais desisti de me tornar uma verdadeira espírita. Nesta época o senhor José Araújo, fundador da instituição e marido de Dª Didi vivia muito doente, mas mesmo assim a Dona Didi nunca faltava a uma sessão e tinha o maior respeito pela espiritualidade. Esta era a sua conduta. Sua dedicação era incrível. Dona Didi era muito alegre, expansiva. Como médium foi insuperável. Todas as demonstrações de sua mediunidade foram indescritíveis.
Assisti a várias vivências de sua mediunidade. Inclusive cirurgias feitas pelo espírito do Dr. Fritz. Lembro especialmente de uma cirurgia em que uma válvula foi substituída. Lembro-me também dos trabalhos de materialização. Uma vez uma senhora chamada Helena teve um tumor extraído de sua cabeça sob o olhar de todos os presentes.

Minha irmã Jeneri naquela época teve um veículo roubado. Era uma Rural Willys e rezaram muito para recuperar o veículo. Sendo bem sucedidas as buscas, foram levar uma oferenda para a entidade que havia intercedido e lá a entidade - Pantera Negra - lhe pediu que deitasse no chão solicitando um lenço emprestado de seu cunhado. Dona Didi incorporada saiu e caminhou por alguns metros. Voltou com um ovo colhido no mato. Então, colocou o ovo sobre o lenço e, depois de orar, quebrou o ovo e mostrou o que foi retirado da Jeneri. Era o que perturbava a sua saúde e desde então ela nunca mais teve dores nas pernas de que se queixava sempre.

A construção da creche e da nova sede não foi obra fácil. Dona Didi foi um exemplo para nós na crença, na fé, na disciplina, no respeito à espiritualidade, no amor caridade. Tenho muito que agradecer a Deus por ter tido o privilégio de sua convivência cristã e aprendido com seu exemplo por mais de trinta anos.

Ela recebia e trabalhava com várias entidades. Mãe Francisca era uma entidade que vinha às sextas-feiras e costumava tratar as jovens com dificuldade de engravidar com garrafadas feitas de ervas naturais. Pude comprovar inúmeros casos muito bem sucedidos. Pantera era um chefe de terreiro de umbanda, muito imponente, seguro, franco, enérgico, sempre manteve a disciplina e a ordem.

Mestre Carlos vinha só em casos ligados à justiça. Muito educado, fino, impunha respeito com objetividade e segurança.

Ramayara vinha no mês que tinha cinco sextas-feiras. Era da linha do oriente, os médiuns eram selecionados, havia até um uniforme próprio para este dia. Em sua presença, a gente se sentia volitando, tão especial era a sua energia.
Havia muitas outras entidades que Dona Didi incorporava. Exu Gira-Mundo, Cosminho, da falange das crianças e inúmeros outros.

Seu trabalho em prol dos carentes foi insuperável. Durante anos a fio cuidava da creche, estando presente à chegada de cada criança diariamente. Para organizar eventos beneficentes distribuía as tarefas entre os médiuns e tudo sempre era coroado de sucesso e entusiasmo. Sua alegria e perseverança no trabalho contagiava quem a ajudava e todos trabalhavam com muito amor ao seu lado. Todo ano organizávamos o natal dos pobres. As famílias eram cadastradas e compareciam em data anterior ao natal para buscar as cestas de alimentos, as roupas, os brinquedos infantis.

Resumindo, sua mediunidade era incrível, foi uma médium de dedicação exacerbada e adorada pessoalmente por milhares de pessoas que buscavam a sua ajuda amorosa. Sua presença será sempre lembrada e sei que onde ela estiver deve continuar trabalhando em nome do bem e do amor cristão.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

DEPOIMENTO DE ELZINHA, de SALVADOR, BA.



DEPOIMENTO DA ELZINHA, de SALVADOR, BA.

Chegada a GYN e encontro com Dª Didi e o senhor José Araújo, em 1957. Lembra-se do Senhor Ovídio que era um homem a quem o Dr. Celso foi procurar para ver a mina de cassiterita, em Uruaçu. Morávamos no Hotel Dom Bosco, inicialmente, e depois no Hotel Araguaia, recém-construído, no centro da cidade.

Elzinha e Tanit ( colo), 1964
O senhor José Araújo foi um homem admirável, pessoa íntegra, séria, trabalhava nas obras assistenciais, sem descanso, um pai ou irmão mais velho para mim e meu esposo. Costumávamos acompanhá-lo juntamente com seus filhos em visita à casa de Dona Maria Madalena, sua mãe. Ele mandou todo o enxoval de meu filho, falecido precocemente, mas depois usado por minha filha. Até hoje guardo duas peças com carinho.

O marido de Elzinha - Dr. Celso -, engenheiro de minas, geólogo, homem culto, cartesiano, ia ao centro para não me contrariar e pela amizade com Dª Didi e Sr. José Araújo, todavia não detinha muita fé. Um dia recebeu uma prova da entidade Pantera Negra, incorporada em Dª Didi. A entidade revelou à frente de alguns presentes, durante um trabalho de limpeza, fato pessoal do qual até eu mesma desconhecia. Celso ficou indignado ao perceber a quebra de sua privacidade, a princípio. Todavia, com o tempo, entendeu o porquê e nunca mais duvidou da espiritualidade. Passou, então, a estudar a doutrina, aprofundando-se cada vez mais até seu passamento, em 2007.

Freqüentaram juntas a Tenda do Caminho durante três anos. Como eu morava no hotel à Avenida Araguaia, descia a pé até a rua seis, esquina com a cinco, e saíamos à tarde, pedindo donativos para a obra do berço, o natal dos pobres, a construção dos novos projetos da instituição. Eu morria de vergonha, mas, escudada na fé de Dª Didi, eu me enchia de coragem.

Elzinha, Dona Didi e Maria Antonieta Alessandri
Lembro-me do carinho de seu marido José Araújo por mim e por meu esposo Celso Santos. Dª Didi era especialista em torta de maçã e sempre que a visitávamos ela nos oferecia. Eu gostava muito, mas Celso comia por delicadeza e ela só soube de que ele não gostava de doces muitos anos mais tarde!

Elzinha organizou o natal das crianças da Tenda do Caminho, em 1958; assumiu também o catecismo das crianças. Nessa época, ainda naquela instituição, Dr. Celso escreveu para vários contatos em São Paulo para angariarem donativos para o natal das crianças.

Para mim, Dª Didi foi um exemplo de amor, amizade, caridade cristã, doação infinita de si mesma. Foi mãe, irmã, amiga, confidente, médium inconsciente que desenvolveu recursos espirituais indizíveis ao longo do tempo, por meio da prática espiritualista do evangelho e de provações diversas, tudo vivenciado com muito amor, fé e caridade.

Em abril de 1960, Celso e eu mudamos para Salvador, onde nasceriam o primeiro filho Celso (1961), falecido com 12 h de vida e, mais tarde, a minha filha Tanit (1963). Contudo, nunca nossa amizade desapareceu. Pelo contrário, encontramo-nos muitas e muitas vezes, em Salvador ou em Goiânia. Em Salvador, ela ainda detém uma suíte em nosso apartamento, hoje, usada por suas filhas e genros.

Sempre que vínhamos a Goiânia, fazíamos questão de freqüentar o novo centro – Irmãos do Caminho – onde minha filha foi batizada e de cuja cúpula nós sempre recebemos as melhores energias espirituais.

Resumindo: Didi, para mim, foi tudo na vida e agradeço a Deus ter privado de sua convivência. Ainda, agradeço a certeza de que, um dia, estaremos novamente trabalhando juntas.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Depoimento da sobrinha baiana - TANIT

Depoimento de Tanit, sobrinha baianinha batizada no C. E. Irmãos do Caminho
Tia Didi

Quem a conheceu teve a oportunidade de se sentir protegido em um abraço extremamente acolhedor. O seu sorriso largo, o seu olhar sempre iluminado, nos ajudavam a crer que a vida é um presente... Quem não desejou provar daquela gelatina colorida com que sempre nos brindava?!

Uma vaidade singela: as unhas sempre pintadas, um anel dourado no dedo, os cabelos sempre ajeitados, um baton avermelhado... Essa era a Tia Didi! Mulher guerreira, determinada!

Não precisamos perguntar como ela fazia o Bem, porque ela era o Bem em pessoa. Exemplo de Amor que se eterniza em nossas vidas.

Com muita satisfação da sobrinha baiana – TANIT.

sábado, 29 de maio de 2010

DEPOIMENTO DO FILHO PRIMOGÊNITO MARCO ANTONIO ARAUJO

Depoimento do filho primogênito Marco Antônio

Lembro-me de que meu pai foi o primeiro a tornar-se espírita. Ele já era maçon, assim como nosso vizinho, o senhor Cleóbulo, casado com Dª Floripes, que freqüentava a então Tenda do Caminho e o levou lá pela primeira vez. A sede inicial da entidade à época era uma espécie de rancho, sito à Vila Nova. Isso aconteceu por volta de 1952 e logo meu pai – José Araújo – passou a integrar a diretoria da antiga Tenda, ocupando sempre a função de tesoureiro na década em que permaneceu lá.

Meu pai participou ativamente das obras assistenciais desenvolvidas pelos irmãos espíritas. Gostava muito de ler e estudou a doutrina com afinco. Ele ajudou a inaugurar a - Casa da Pequena Costureira e, depois, a Obra do Berço que minha mãe – Geraldina de Araújo – viria abraçar mais tarde. Também o grupo Escolar Humberto de Campos. Construíram uma creche de dois pavimentos – Creche do Caminho, depois o Ginásio Emanuel, no Setor Sul. O doutor Altamiro de Moura Pacheco doou um terreno no bairro Santa Genoveva, onde edificaram a Casa da Mãe Solteira, depois, Lar de Matilde.

Em 1953, inauguram a nova sede da Tenda, hoje, Irradiação espírita Cristã. Lembro-me, ainda, do senhor Zé Rosa, cambono e zelador da Tenda. Morava no fundo do centro. Também, do espírita - Boanerges Crispim – radialista e excelente orador.

Vem à minha lembrança alguns nomes das pessoas que freqüentavam a tenda naquela época: Filon e o filho Anhanguera; Quintinliano Blumenschein que, mais tarde, fez a planta dos Irmãos do Caminho; Dª Carmelita que freqüentava a Tenda com o filho Edinho; Natália Pedatela, Cleóbulo e Floripes, Carmelita e o filho Edinho, Dr. Colombino Augusto de Bastos que era o principal médium e primeiro presidente do centro, Maria Antonieta Alessandri Figueiredo, Silvia Alessandri, Dirce, Etelvina e Juta, capitão Jurandyr e Deolinda, Benedita Pena.

Em 1961 começaram as reuniões na nossa casa da Rua Seis, esquina com a Rua Cinco. A direção da Tenda optou pela linha kardecista e alguns médiuns, coordenados por meus pais, resolveram permanecer como umbandistas. Isso aconteceu sem problemas. Meu pai tinha um lote no setor oeste e conseguiu autorização judicial (em razão da extensa prole menor), a fim de doá-lo para a construção da sede do recém-nascido centro espiritualista Irmãos do Caminho. A planta foi feita pelo Dr. Quintiliano que era também reitor na Universidade Federal.

Minha mãe - Didi – foi à inauguração da Tenda, em 1953. Lembro-me dos enfeites em coco buriti. A festa aconteceu perto do natal. Todavia, Didi só iniciou as suas atividades como médium, em 1956.

O projeto da Creche Casa do Caminho foi feito por mim - Marco Antonio Araujo. Os irmãos do Caminho tencionaram construir um Aprendizado Agrícola, no município de Sta. Tereza, nos idos de 1973, mas desistiram do projeto mais tarde.

O comentário de Terezinha

Oi, queridas, acessei o blog da dona Didi, vivendo a emoção de suas palavras de carinho filial e de reconhecimento por seu admirável trabalho em benefício da comunidade. Vocês também participaram de suas realizações, direta ou indiretamente, dividindo sua atenção com tantos outros, numa convivência, nem sempre fácil, regida pelo espírito do AMOR UNIVERSAL. Cumprimento-as pela divulgação de uma vida dedicada ao BEM e um exemplo para todos nós. Que sua obra floresça!
Beijos, T.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Comentário sobre o blog da Dona Vera, Guardiã do C. E. Irmãos do Caminho.

Minha menina querida!

Que idéia maravilhosa!
Sempre achei de muita importância fazer este levantamento sobre Dona Didi.
Nossa Casa precisa de memória.
Todos precisamos nos inteirar sobre esta pessoa incrível,
esta médium completa que nos deixou um legado de amor.
Outros médiuns, como vc mesmo cita, passaram por lá e
colaboraram com ela.
Além dos citados, sei de dona Nair e sr. João que foram os doadores
da área onde estão construidos a Creche, o Abrigo e a Escola.
Tenho certeza que você é, pela sua capacidade, a pessoa certa
para este trabalho.
Só uma pequena correção: o nome da mãe de dona Jenecy é DEOLINDA,
com E.
Estou corrigindo porque sei que ela fazia questão disto.
Beijos,
Vera

Comentários do Sr. Edy Machado de Simone, em 22 de maio de 2010.



Falas soltas sobre a Dona Didi, pelo Sr. Edy Machado de Simone, em 22 de maio de 2010.


Conheceu Dona Didi no C. E. Irmãos do Caminho, em 1983, no atual endereço, na Av. Ricardo Paranhos, mas já havia visitado a outra sede do setor oeste, alguns anos atrás.
Desde então, sempre acompanhado de sua esposa Neuza Mathias, não pararam mais de freqüentar e colaborar com os trabalhos assistenciais mantidos pelo centro.
Antes disso, Neuza já freqüentava a Irradiação Espírita, na Vila Nova. Mais tarde ambos passaram  a freqüentar o Centro E. Irmãos do Caminho que era presidido pela Dona Didi.

Presenciou, por várias vezes, trabalhos mediúnicos da Dona Didi, tanto como consulente, como médium gerador de energia dos trabalhos de cura.
Recorda-se de que as sessões públicas se dividiam entre os dias da semana da seguinte forma:
Às segundas, sessões kardecistas, às quartas-feiras, sessões de cura com o Mentor Espiritual Dr. Fritz e às sextas, fechavam-se as portas pontualmente às 19h30 para os trabalhos de Umbanda.

Nessa época o centro não era conhecido como Irmãos do Caminho, e, sim, Centro da Dona Didi. Sua fama para a assistência era grande e atraia gente até de outros países.
Uma das irmãs de trabalhos espirituais era a Mãe Chica que com suas garrafadas engravidava as mulheres que tivessem alguma dificuldade para ter filhos e os conselhos da mãe Francisca aproximavam os casais em crise. Mãe Francisca é o espírito de uma preta velha, usava a linguagem própria dos escravos e demonstrava conhecimentos fitoterápicos surpreendentes.Várias mulheres grávidas freqüentavam às sextas-feiras e faziam seu pré-natal com a mãe Chica. Foi o caso de nossas irmãs: Fiinha, Diana e Regina, dentre centenas.

Teve bons companheiros de trabalho que a lembrança não apaga; à frente da Mocidade atuante estavam os irmãos Saulo e Marco Aurélio que mantinham o forte, gratificante e compensador trabalho com a campanha Alta de Souza.
A cambonagem era executada pelos irmãos Dimas, Mario Scartezini e Mariazinha. Havia bons palestrantes e entre eles Dr. Cacildo que até hoje nos presenteia com suas palestras.
Citou ainda alguns dos velhos companheiros de trabalhos assistenciais como dona Benedita, Fiinha, Deolinda, Dr. Célio, Anita, Mariazinha, Rosalya, Jenecy, Edson, Ady, Zuleica, Divina, Elcyr, muitos dos quais ainda fazem parte das atividades do centro.

Junto com sua esposa, pelo período de 1983 a 1985, colaboraram intensamente na Creche Casa do Caminho. Depois, dedicou-se mais aos estudos e às palestras encerrando suas atividades neste centro, recentemente, por motivo de doença, como um dos coordenadores das sessões públicas vespertinas.