quarta-feira, 13 de outubro de 2010


DEPOIMENTO DO ABADIO DE ALMEIDA E SILVA – 2ª Parte

Lembro-me de que o Centro Espiritualista Irmãos do Caminho foi inaugurado oficialmente em sua sede própria no setor oeste, no dia 22 de novembro de 1962, após separar-se da Tenda do Caminho, hoje, Irradiação Espírita Cristã.

Nessa época, eu ainda era católico, estudava no Ateneu Dom Bosco e já assistia a muitos rituais do Padre Zezinho que praticava o espiritismo, mesmo sem o saber. Apesar de eu ser católico, muitas coisas que os padres diziam, eu questionava mentalmente. Padre Zezinho era um com o qual eu me afinizava bastante.

Abadio, sendo entrevistado em sua residência, na Rua 80,  no centro da cidade.
Só me tornei espírita em 1966. Meu irmão Salvador e sua esposa -Bárbara - eram espíritas praticantes há bastante tempo e ajudavam a Dona Didi, sobretudo, nos trabalhos das quartas feiras com a entidade Dr. Fritz. Havia manifestações do espírito Fritz em vários locais do Brasil e a gente ficava curiosa para saber se era o mesmo que incorporava aqui ou em outro estado, por exemplo. Um dia, ele assinou Adolf Fritz.

Minha mediunidade foi ficando cada vez mais aflorada. Os maiores médiuns que conheci e com quem tive o privilégio de trabalhar foi o Senhor João Batista (João da Sopa) e a Dona Didi que, a meu ver, nunca teve quem a superasse em termos de desenvolvimento mediúnico, de disciplina e de obediência às leis espirituais. Aprendi muita coisa com ela, sua fé era contagiante e também a sua prática da caridade cristã.

Eu tinha visões de minhas encarnações anteriores, vivia em desdobramento ajudando em trabalhos de cura. Sempre fui médium de efeito físico e durante as cirurgias e trabalhos de materialização, eu ficava deitado em uma maca, desacordado, doando energia.

Nas visões, aparecia sempre uma cidade chamada Causbach que, posteriormente, descobri ser na Checoslováquia. Parece que eu tinha sido arquiteto em existência anterior.

Lembro do Venerando, irmão ou cunhado do senhor José Araújo. Ele se dizia materialista, mas sua filha Éclair adoeceu e ele a levou ao centro a pedido do senhor José Araújo. As entidades a prepararam para o desencarne iminente. Tinha uma doença ainda incurável na ocasião.

Lembro-me também de um grande médium, o Zé Carneiro, muito ligado ao Dr. Colombino Augusto de Bastos e à Dona Didi. Dª Silvia Alessandri, irmã de Dona Maria Antonieta, também era excelente médium.

Havia também o Sr. Pedro que mexia com garimpo e era marido da Dª Santuca. Eles freqüentavam o centro e o casal não fazia nada sem a autorização da espiritualidade, por meio de Dª Didi. O Sr. Periano, marido da Dª Vanda, também teve relevância na minha vida mediúnica.

Abadio e Regina, dia 11.10.2010.
Era a época em que o senhor Dimas era o cambono do centro. Cumpríamos ordem da espiritualidade e participamos de um trabalho noturno feito junto à natureza. O lugar aonde a gente foi era perto de Biscoito Duro, indo lá pela atual Vila Canaã. Ali a gente avistava toda a cidade. O cenário era muito diferente de hoje, tudo descampado, sem asfalto. Dª Didi preferia sempre ir de carro com a Dª Bárbara e o senhor Salvador. Havia mais carros com outros médiuns: Benedita, Jenecy, Wilson Fleury. No final, nosso carro pifou e ficamos no meio do mato, o farol não acendia. O que fazer? Os outros já tinham ido embora. Então, Dª Didi incorporou com o Pantera, deu uma bronca, mandou o Salvador ligar o carro e mexer em algo lá na frente e o carro funcionou. Disse que estavam testando a nossa fé!

Outra vez também houve um trabalho perto de Biscoito Duro, hoje, Aragoiânia. Fomos a uma fazenda para trabalho espiritual e nunca ouvi uma entidade falar tão bonito. Perto havia um cemitério pequeno e antigo, com poucas sepulturas. Lá ventava muito, as velas não paravam acesas... Então, Dª Didi incorporou e sentimos que o vento parou e tudo silenciou. Não consigo guardar as palavras, mas na minha mente a entidade era Frei Henrique de Coimbra que celebrou a primeira missa no Brasil.

Há, ainda, em minha lembrança, um trabalho realizado na casa de Dª Elcyr. A entidade que desceu foi Lívia, esposa de Emmanuel. Dona Didi falava tão bonito que é quase impossível descrever com palavras o que ouvimos e sentimos. Sugiro que a Dª Elcyr faça o relato daquele dia.

De acordo com as experiências vivenciadas ao lado de Dª Didi e na minha percepção, acredito que Frei Henrique de Coimbra é a mesma entidade que aparece com o nome de Pantera. E que aquela a quem chamávamos de Mãe Francisca é aquela Irmã Matilde de Nosso Lar que por humildade descia sob outra roupagem.

Outro trabalho memorável foi o de João Batista, filho da Dª Célia França que matou o outro brincando de roleta russa. Esse trabalho foi na beira da estrada de Anápolis, perto da Ceasa. O moço estava sendo acusado, mas após a manifestação da vítima desencarnada, na presença de familiares dos dois lados, ele foi inocentado, a exemplo do que já havia acontecido com Chico Xavier.

Avó Didi e neto holandês, Ângelo, em 2004.
O trabalho para fechamento de minha cabeça foi feito na chácara de Dª Didi, pelo Ramayara. Eu estava vivendo em constante desdobramento e o fato começava a me prejudicar a saúde e o trabalho físico. Então, resolveram intervir. As minhas encarnações passadas ficavam desfilando por minha mente sem controle. Então, me levaram à chácara, antes de o sol nascer, e fizeram o trabalho. Deitaram-me na mesa... Tinha córrego ao fundo, uma árvore carregada de seriguelas, pedras... As entidades fecharam a minha cabeça para eu poder viver na terra e cumprir a minha missão aqui.

Uma imagem recorrente naquela época era a da cidade de Ofir, a misteriosa cidade africana, onde operários vindos de Tiro extraíam ouro para o rei Salomão. Só muito mais tarde pude identificar esse fato.

Tenho tanta coisa para relatar, eu sempre fui médium de efeito físico, semi-consciente... Dificilmente me lembrava do que havia acontecido antes, mas há fatos que jamais poderei esquecer. Lembro de um trabalho no centro, realizado por Ramayara. O atendido era um homem que havia sofrido um desastre e não podia andar. Ao final da sessão, ele largou as muletas e saiu andando.

O teor da vibração nos trabalhos do Ramayara era indescritível. Eu me via noutro lugar no espaço sempre. Para os trabalhos de Ramayara eram escolhidos 12 médiuns para integrar o grupo. Isto acontecia umas quatro vezes ao ano, geralmente na última quinta-feira de determinados meses, ou seja, no mês em que havia cinco quintas feiras.

Quem atuava como cambono era a Mariazinha. Sua competência, dedicação e responsabilidade eram extremas. Ela organizava as listas do Dr. Fritz, dos médiuns para os trabalhos de materialização, para o Ramayara e outros que eram designados pelos mentores espirituais.

Quando Dª Didi saiu do centro, eu chorei muito, disse que não ia mais ao centro, porque fiquei revoltado, não sabia o que estava acontecendo entre ela e o vice-presidente Air. Na última semana ela avisou que deixaria a instituição e que o Air assumiria o centro. Muitos médiuns saíram junto com Dª Didi. Hoje sei que tudo tem razão de ser e todos nós temos o livre arbítrio. Emmanuel, Pantera, todas as outras entidades, pretos velhos, Mestre Carlos, Ramayara, Dr. Fritz vieram de despedir e avisaram que subiriam. Nós nos sentimos desesperados, órfãos. Sonia, casada com o Air, estava sendo preparada para substituir a Dª Didi, mas ela não quis assumir o compromisso feito e a espiritualidade sempre respeita o livre arbítrio de casa um. Assim, Dª Didi desencarnou sem deixar um sucessor. Hoje sei que tudo está certo, nada acontece por acaso em nossas vidas. Estive no centro por três anos após a saída de Dª Didi. Espero ter cumprido a minha missão, tendo colaborado durante tantas décadas, dando o melhor de mim mesmo, com fé, amor, muito respeito e gratidão à espiritualidade.

Eu costumava visitar a Dª Didi em seus últimos anos de vida física. Sei que ela se sentia muito sozinha depois do desencarne de seu companheiro e sem os seus trabalhos mediúnicos que foram a principal razão de sua existência. Nós conversávamos bastante e nos lembrávamos de tudo que compartilhamos junto à espiritualidade.

Há 37 anos dou assistência na Colônia Santa Marta todo primeiro domingo do mês. Faço palestras, damos passe coletivo, distribuímos donativos, junto com a madrinha Aparecida que já tem 83 anos e, às vezes, o Joel, do Centro Regeneração. Lá se encontram cerca de 60 pessoas. Ao lado, nós construímos um cômodo para o catecismo das crianças. Na última vez, contei 28 crianças. Serei sempre espírita e sou grato por todas as experiências vividas.

P.S. Dom Frei Henrique Álvares de Coimbra O.F.M., nasceu em Coimbra, em 1465  e morreu em Olivença em 14 de setembro de 1532. Foi um frade e bispo português, célebre missionário na Índia e na África, tendo viajado na frota de Pedro Álvares Cabral em 1500. No Brasil é conhecido por ter celebrado a primeira missa no país, no dia 26 de Abril de 1500. Henrique de Coimbra foi confessor de D. João II e do Convento de Jesus de Setúbal.Na expedição de Pedro Álvares Cabral, Henrique de Coimbra dirigia um grupo de religiosos destinados às missões do Oriente.






















































Comentário sobre a DONA DIDI, da filha Sônia Cristina

Olá, minha irmã!
Foto tirada na minha cozinha, no setor Marista, talvez em 95 ou 96.
Estava me lembrando de quando a mamãe ia me visitar junto com o seu Zé... Ele adorava uísque com água de coco....E, eu, sabendo disso, pedia ao senhor Alberto, que trabalhava lá em casa, para retirar cocos do quintal e fazia gelo para quando o seu Zé fosse lá em casa, servir pra ele no uísque...Ele ficava muito feliz e mamãe feliz com a alegria dele....
Quando me formei em biomedicina, eles tinham viajado pra Manaus e compraram pra mim um estetoscópio... Eles me deram com uma satisfação tão grande, que não tive coragem de explicar que eu não ia usá-lo... Que eu nem ia exercer essa profissão, que tinha formado nisso mais por causa do Leonardo, mas que com o tempo e estudo da doutrina, eu havia entendido o porquê do desencarne do Leo, e que o erro do laboratório foi apenas a oportunidade de resgate do espírito dele.
Mamãe também adorava dar presentes... E, quando, às vezes, eu ia visitá-la, na hora de ir embora ela me dava alguma coisa e eu me sentia mal, queria que ela soubesse que a mim, ela não precisava de dar nada além do amor que eu sabia que ela tinha por mim....Mas me calava...
Por que não disse a ela sempre tudo o que sentia, todo o amor, carinho, respeito e a admiração que sentia por ela???
E eu me achava "pegajosa" por estar sempre abraçando as pessoas que amo... É que eu pensava que um abraço dado com amor não necessita de palavras...ME ENGANEI......
Sônia Cristina de Araújo






segunda-feira, 11 de outubro de 2010



MEMÓRIAS DA DONA DIDI – SEGUNDO CADERNO
15.10.1996

Didi no Edifício .Barcelona, com vaso de tulipas
Estamos caminhando para o ano de 1997. Não sei o que me reserva. Parece-me que a minha vida vai se modificar completamente. Fui ao Dr. Anis Rassi com a esperança de que os exames que fiz tivessem um resultado satisfatório, eu pudesse mudar os remédios, mas nada disso! Ele queria que eu fizesse outro exame que custaria 2.500,00 Reais, alegando que esse colocaria uma sonda da virilha até o coração, depois bombardeava em diversas partes do coração. Se fosse constatada a taquicardia, daria um clique e, talvez, eu sarasse e não precisasse mais de remédios. Não me convenceu e optei por não mexer mais com isso.

18.10.1996

Como sempre fui à chácara. Saí cedo e quando chegamos ao boteco da estrada, encontramos o caseiro que deveria estar trabalhando na chácara. Ele tinha tomado pinga. É sempre assim. Achei este Luis muito esquisito. Eram 12h30 quando chegamos a casa. José aborrecido por eu ir à chácara. Eu tinha deixado o almoço adiantado e logo o coloquei na mesa. Depois tive uma surpresa. José havia comprado um par de sapatos para mim. Preferia que ele não me aborrecesse.

24.10.1996

Hoje é dia do aniversário de Goiânia. José e eu fomos convidados para almoçar na casa do Deusdete e da Marly. Fica em frente ao bairro Goiânia Viva. Estou preocupada. Marco e Ione resolveram vir morar em Goiânia. Ele vendeu tudo que tinha aqui para mudar-se para Ribeirão Preto. Não sei como vou resolver tudo isto. Lá é mais fácil a questão de médico para o Marco e empregos para os filhos. Na volta da casa do Deusdete, passamos na casa do meu filho Júnior para cumprimentar a sua esposa Terezinha pelo aniversário. Retornamos a casa às 16h30.

06.11.1996

Didi e José Nascimento, na década de 90.
Hoje saímos às seis da manhã para pegar o ônibus da Viação Paraúna para Caldas Novas. José quis me dar este presente de aniversário pagando a nossa estada de 06 a 14 de novembro no SESC de Caldas.

Dia oito, às 5 h da manhã, como sempre nestes anos todos, ele colocou Uísque no copo com água tônica e veio me cumprimentar pelo meu aniversário! Eu explico a ele que não posso tomar álcool devido ao fato de tomar remédios cardíacos, mas ele faz questão de brindar!

Os dias transcorreram sem novidades. Só descansar, ficar na piscina e comer nas horas certas, televisão e dormir. Foi bom descansar da cozinha. Voltamos no final do período.

13.12.1996 – sexta-feira

Fui ao centro Espiritualista Irmãos do Caminho. Esta seria a última sexta do ano de trabalhos espirituais. Após a leitura da obra Fonte Viva, apresentei ao Air o meu pedido de demissão do cargo de presidente da instituição, deixando no caderno do centro a cópia do que li. Muitos irmãos choraram devido ao meu afastamento do centro, porque deixei também o meu serviço mediúnico. Foram mais de quarenta anos de trabalhos mediúnicos! Durante todo este tempo, dei prioridade à minha missão, eu adoro a espiritualidade, respeito-a e sou grata a essa cúpula maravilhosa. O que eu sou, o que aprendi e o que consertei em mim mesma, devo aos meus guias espirituais.

16.12.1996 – segunda-feira

Hoje foi a última sessão de segunda-feira no CEIC, neste ano de 1996. Avisei à assistência e fiz o trabalho normalmente. Os guias reiteraram que cumpriram a sua missão e que agora subiriam.

18.12.1996 – quarta-feira

Foi marcada a nossa festinha de fim de ano no centro. Reunimo-nos às 20h. Li uma página de Palavras da Vida Eterna, cantamos Noite Feliz, fizemos a oração do Velhinho, cantamos o Hino de Emmanuel e depois dos agradecimentos foi servida a ceia. Soprei 50 velinhas no bolo. Tudo aconteceu na maior harmonia, só eu estava terrivelmente ruim, pois já sentia saudades de meus guias queridos.

22.12.1996

A minha vida tem sido vazia. Tenho feito uma força incrível para suportar esta monotonia... Se ao menos eu pudesse contar com meus filhos para maior diálogo... Enfim, vivermos compartilhando as alegrias e as dificuldades!? Mas todos têm as suas vidas próprias e deve ser assim mesmo.

Regia, DIDI e Aleixo, em 2003.
Não sei quando foi melhor... Vivi com o José Araújo e ele foi uma pessoa muito íntegra... Passei 11 anos viúva, com muitas dificuldades, criando, educando, formando, casando meus filhos...Em 1977, eu me uni ao José Nascimento, ele tem sido um companheiro para os trabalhos de umbanda. Tenho vivido uma vida esquisita, não tenho com quem abrir a minha alma. Levanto-me as cinco ou 6 horas da manhã, faço café, arrumo tudo. Ultimamente tenho almoçado nos restaurantes de quilo. Cozinhei nos últimos dezenove anos. Adoro o silêncio, contato com Deus, a música, a natureza, as viagens, enfim, o inverso do José Nascimento.

Este mês de dezembro a minha filha Maria Luiza, uma das gêmeas, veio ao Brasil e ficou na casa da Sônia com o marido e os filhos. Eles vieram para o lançamento do livro da Regina – Presente de Meiga, que aconteceu no dia 25 de novembro, no Space La Fontaine. Por incrível que pareça, a Luiza só veio me visitar uma vez, para um almoço que os convidei. Não tenho muita união com meus filhos, eles têm dificuldade de conviver com o José e cada um tem a sua vida específica, mas adoro todos. Luiza e sua família foram embora no dia 26 de dezembro, passando pelo Rio de Janeiro, antes de retornarem à Holanda. Renata chegou no dia 7 de dezembro e retornou no dia 14 de janeiro.

26.12.1996

José e eu recebemos ordens de irmos a Guarapari para fazer um trabalho junto ao mar em agradecimento ao término de nossa missão no centro. Levantamos ás 6h da manhã, preparamos tudo, pegamos um táxi para a rodoviária e pegamos o ônibus da Gontijo para Belo Horizonte. De lá pegamos outro para Vitória e depois para Guarapari, aonde chegamos cedo no dia seguinte. Fomos para o Hotel Vieira onde estivemos até o dia 2 de janeiro, quando retornamos a Belo Horizonte em um ônibus leito. Mais tarde pegamos um ônibus da Itapemirim com destino a Goiânia. Choveu durante as 24 horas da viagem, mas chegamos sem novidades. Fizemos três trabalhos na pedreira, junto ao mar, nos dias 28, 29 de dezembro e 02 de janeiro.









































domingo, 19 de setembro de 2010



Para Luiza

Casa da Rua Seis, onde Dona Didi criou todos seus filhos,
Estamos em Zaandam, passando o final de semana com minha irmã Luiza, meu cunhado Raymond Boerema, minha sobrinha Renata, as crianças e demais familiares e amigos aqui da Holanda.



Esta noite dormi bem como sempre e acordei cheia de idéias para serem transmitidas a minha irmã Luiza e aos seus familiares. Sempre recebi ajuda espiritual deste modo. Talvez, porque meu controle não possa interferir naquele momento e tenho tido sempre a graça de bons sonhos esclarecedores e da orientação específica.

Reportagem sobre Dona Didi, publicada no jornal O Popular, em 19. 02.1984.

A primeira delas, parafraseando o nosso Chico Xavier, é de que todos nós estamos no lugar certo para a evolução de nosso espírito, cumprindo tudo aquilo que necessitamos e da maneira certa para cada um de nós.



Depois quero lhe lembrar de como o trabalho é importante para nossa saúde integral. O trabalho de cada dia é uma oração, uma bênção que devemos agradecer ao cósmico. Evita que tenhamos pensamentos depressivos e nos mantém ativos, saudáveis, criando boas energias ao nosso redor. Ser útil em nosso ambiente é deveras salutar e a Luiza sempre teve esta qualidade!

Aleixo e Regina próximos ao porto em Zaandam.
Temos muito a agradecer no nosso dia-a-dia. É gratificante dispormos do vaso que nos foi concedido para a evolução de nosso espírito nesta encarnação e poder tomar conta dele e também ajudar a cuidar de todos aqueles que nos rodeiam é uma bênção que, às vezes, nos esquecemos de manifestar gratidão.

É importante manter o hábito de fazer o culto evangélico ao menos semanalmente. Devemos instituir um dia da semana propício, de acordo com a disponibilidade familiar, e realizá-lo de preferência no mesmo horário. O Centro Espiritualista Irmãos do Caminho - CEIC- tem um folder próprio para facilitar o início deste culto salutar à criação de boas energias ao nosso redor que vão facilitar a ajuda espiritual com que cada um de nós é agraciado!

Quando abri os olhos e decidi escrever a essência onírica de que me lembrava, ainda podia ouvir os acordes das músicas que Clélia e eu tocávamos ao piano na infância, sob a aprovação de minha mãe, Didi, que fazia questão dessa educação musical, repetindo sempre que ela educava a nossa alma. As músicas eram, respectivamente, Für Elise e Le Lac de Côme.






sábado, 18 de setembro de 2010

Depoimento da filha Maria Luiza, da Holanda



Luiza, Regina e Aleixo, em Zaandam, Holanda, 2010.
Minha mãe foi uma ótima pessoa, humana, inteligente, mãe, avó, bisavó, amiga, amável, compreensiva, dedicada. Sempre admirei o seu senso de honestidade a sua capacidade para lidar com qualquer situação. Quando papai morreu, em 1967, Celina e eu tínhamos apenas seis anos além dos outros filhos menores de idade e ela conseguiu encaminhar a todos, mesmo dedicando grande parte de seu tempo diário à espiritualidade.

Minha mãe veio me visitar aqui na Holanda em 1989. Foi a sua única viagem ao exterior. Ela viajava muito, mas não gostava de se ausentar dos trabalhos do centro. Ela gostou muito da cidade e passeamos bastante. Ficou encantada com as flores e fez amizade com todos que encontrou em minha casa.

Didi, em 2001.
Houve um fato interessante que aconteceu quando ela estava comigo no antigo apartamento em Amsterdam. Ela comentou que havia muitos espíritos vagando pelas ruas da cidade. E descreveu o espírito de uma velha. Três anos mais tarde eu aluguei a casa e uma das inquilinas me ligou, dizendo que a outra estava incorporada com o espírito de uma velha, falando coisas estranhas. Então, me lembrei do que mamãe havia dito sobre aquela senhora. Daí, eu costumava ligar para minha mãe quase todo dia pedindo orientação para esta e outras situações. Ela também dava assistência espiritual para várias de minhas amigas que conheceu aqui. Todos que iam a Goiânia a procuravam no centro ou em sua casa. Ela recebia a todos com carinho, atenção, boa vontade e sempre oferecia o chá com biscoitos, bolo ou tortas que preparava pessoalmente.

Agora quando vou ao Brasil e visito Goiânia sinto muito a sua falta. Uma saudade imensa, nunca mais será a mesma coisa. Dona Didi mudou de plano espiritual e nos deixou órfãos de sua presença física. Mas sei que onde ela estiver estará velando por todos os seus filhos, netos e entes queridos.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

COMENTÁRIO DO NETO BRUNO CÉSAR

Bruno e Heitor, neto e bisneto de Dona Didi.
Oi, Tia, muito bom os dois blogs, pena que muito do que está registrado ali só interesse a nós, filhos e netos, né? Se as pessoas fossem mais interessadas na história, o blog da Vó Didi estaria bombando, mesmo porque ela foi junto com meu avô José Araújo, pioneiros em Goiânia! Eu mesmo sei de várias histórias
bacanas, só que não estou tendo tempo para colocar no blog. Histórias fantásticas como o armazém do Vô Zé Araújo, que, segundo o meu pai, era o melhor da época, vendia-se de tudo: de ferramentas agrícolas a alimentos, um verdadeiro mercadão de secos e molhados, muito procurado na época. Sei de muitas histórias legais que meus pais me contaram ao longo desses quarenta e um anos de vida que tenho e que ficaram marcados em minha memória.
Beijos tia, se quiser colocar esse relato no blog da Vó Didi, ficarei muito feliz, estou enviando umas fotos pra você tia, beijos...
A propósito, tia, sua viagem é muito linda, considero gratificante poder conhecer lugares tão belos como esses relatados por você, beijos...
Bruno César
Ribeirão Preto, 13.09.2010.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010





Dona Didi sob a minha cosmovisão





“Em vez de tentar escapar de certas lembranças, o melhor é mergulhar nelas e voltar à tona com menos desespero e mais sabedoria”. Martha Medeiros



Didi cozinhando na Creche Casa do Caminho.
Tenho pedido a meus irmãos que escrevam suas impressões sobre a nossa mãe – Dona Didi – e, enquanto eles não o fazem, vou colocando o meu ponto de vista... Toda visão é relativa e é importante que todos participem para sermos fiéis à verdade. Afinal, o objetivo deste blog é trazer à tona a história de Dona Didi, para quem a conheceu, mas, sobretudo para os que não a encontraram nesta existência.



Didi não teve uma vida fácil! Todos nós desfrutamos das experiências necessárias à evolução de nosso espírito e certamente com ela não foi diferente. Todavia, deve ter sofrido bastante na infância. Muitas mudanças, sua adoção da qual só teve conhecimento ao se casar, união com um companheiro até então desconhecido, a ansiada maternidade que demorou a se concretizar, a enfermidade de meu pai, a assumência de sua mediunidade numa época em que ser espírita era discriminação, a viuvez com filhos ainda pequenos e o despreparo para assumir o papel de arrimo de família sem alternativa. Conciliar a vida doméstica com as obrigações de líder junto à espiritualidade tampouco é simples. Ela viveu tudo isso e com muita coragem!



Marco Antonio e Heitor, filho e bisneto de Dona Didi.
Ela jamais faltava às sessões ou chegava atrasada. Dizia ser mineira e foi sempre pontual com seus compromissos! Houve épocas que havia reuniões especiais, além das três regulamentais e ela nunca reclamava. Era o cenáculo aos domingos, Ramayara em dia determinado pelo Alto, trabalhos externos, assistência a enfermos... O que a espiritualidade recomendava era obedecido religiosamente. Difícil encontrar alguém com mais fé! Sua abnegação, sua disponibilidade era total! Quando havia problemas em casa, saía rezando, e sempre voltava com a certeza de que a espiritualidade olhava seu lar em sua ausência! E isso nem sempre era compreendido. Porém, ela tinha consciência de sua missão e a cumpria rigorosamente.



Além de médium, presidente da instituição por muitos anos, responsável pela obra do berço, pela creche, ainda organizava as palestras, angariava fundos para as obras assistenciais e estudava sempre. Era leitora assídua e psicografava também. Didi era líder e conseguia a colaboração de irmãos de fé e simpatizantes, com facilidade. Muitos não apenas a admiravam e respeitavam, mas realmente a adoravam!

Regina Lúcia - Londres, 9.9.2010.