domingo, 30 de janeiro de 2011

SÁBIA DONA DIDI



Filhos de Dona Didi: Celina, Regina, Sônia, Júnior, Clélia e Luiza,  abaixo,
com seu filho Ângelo, neto holandês de Dona Didi, na chácara da Regina, em 2005
Minha irmã Sônia fala da mamãe como a sábia Dona Didi. Ela relata que quando a gente estava com raiva, estressada ou impotente em relação a alguma coisa que nos perturbava,  nossa mãe dizia: “filha, só tem dor de cabeça, QUEM TEM CABEÇA!!!!!” E esta frase, segundo Sônia, tem contribuído para que ela compreenda a sua responsabilidade frente a todas as situações que se lhe apresentam no dia- a- dia, tornando-a mais justa, compreensiva, tolerante, responsável pela sua própria vida.

Até os sete anos de idade, eu costumava ter febre devido à infecção de garganta com frequência. Assim que mamãe percebia, fazia com que eu me deitasse. Geralmente a febre subia muito e mamãe queria me confortar. Então, perguntava o que eu desejava. Impreterivelmente minha resposta era: “livros de histórias e banana frita”. Claro, ela providenciava e eu me sentia a pessoa mais feliz do mundo!

Regina, 2010.
Com isso, li toda a coleção que existia naquela época em Goiânia. Eram cerca de 300 pequenas brochuras vendidas no Bazar Municipal, livraria de um irmão também espírita, amigo de meus pais, o senhor Scartezini.

Como meus pais, até hoje sou leitora assídua. Nestas últimas férias li pelo menos dois livros por semana. E ainda adoro comer banana frita! Aliás, poucas vezes na vida perdi o apetite! E minha mãe sempre dizia que "saco vazio não para em pé" a cada vez que eu resolvia fazer dietas!

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

RELATO DE UMA CURA



Clélia é a terceira filha de Dona Didi.
Por várias vezes, recebi atendimento espiritual no Centro Espiritualista Irmãos do Caminho. Em 1975, fui aprovada em um concurso público federal e precisei apresentar a documentação para a posse e passar por uma bateria de exames médicos para comprovação do estado de saúde. De posse dos resultados dos exames, compareci perante à Junta Médica, quando fiquei sabendo que não poderia tomar posse porque o meu exame de urina indicava problemas renais. Imaginei que tinha havido troca no laboratório, já que eu não sentia dor nenhuma, repeti o exame em outro laboratório e deu a mesma coisa.
Um dos médicos da Junta me disse que eu deveria procurar um urologista e fazer o tratamento necessário para sanar o problema. Só que não haveria tempo para isso, porque se eu não assumisse o cargo no prazo determinado, teria que requerer final de lista ou desistir da função, o que evidentemente não estava nos meus planos. Condoído da minha situação, o médico sugeriu que eu "arranjasse" outro exame e levasse pra ele. Ele me aprovaria, desde que eu assumisse o compromisso de procurar o especialista.
Embora desconfortável com aquela situação, agi conforme a sugestão e procurei, em seguida, um urologista renomado na cidade, o dr. Adão Ubiratan, que me pediu um exame da bexiga. Esqueci-me do nome desse exame (atualmente, ele já não é feito, foi substituído pelo ultrassom). O tal exame mostrou a existência de um monte de cálculos na minha bexiga. O médico e a Luíza, minha irmã que me acompanhava, ficaram horrorizados. Dr. Adão se surpreendeu com o fato de que eu não tinha ainda sentido dores e me deu todos os telefones onde ele poderia ser encontrado, caso eu tivesse uma cólica repentina.

À noite, fui ao Centro tomar passe. Quando voltava para o meu lugar, fui interceptada pela cambono Mariazinha, que me disse que o Mentor (Mané Maior) tinha lhe falado para eu ficar para a segunda parte dos trabalhos, para receber atendimento. Eu não tinha falado nada com minha mãe. Acho que era uma quarta-feira, porque quando eu entrei na salinha dos médiuns, me deitaram em uma maca e vários médiuns, convocados pela entidade que estava com a minha mãe (não sei se era Dr. Fritz) se debruçaram sobre mim, uns tossindo, outros cuspindo, outros me massageando. Não me lembro direito dos detalhes porque fiquei com um certo entorpecimento.
No final, recebi uma garrafa d'água e a orientação pra beber o conteúdo devagar, uma xícara pequena, de duas em duas horas. Fui pra casa e obedeci; coloquei o despertador e passei a noite tomando a água fluída, na forma determinada. Tenho a dizer que nunca senti as dores temidas pelo médico. Meses depois, voltei a fazer exame de urina a pedido da ginecologista e o exame deu normal. Nunca voltei ao urologista. E nunca fiquei sabendo se as pedrinhas foram retiradas na intervenção espiritual ou derretidas pela água miraculosa. Essa foi uma das experiências que vivenciei no CEIC. Naquele tempo, relatos de curas eram corriqueiros e ninguém dava muita atenção.

Clélia Maria de Araújo Pereira







domingo, 9 de janeiro de 2011

MEMÓRIAS INFANTIS JUNTO A DONA DIDI

Aconteça o que acontecer, a Lei Cósmica estará sempre se cumprindo de maneira correta e justa em nossa vida, em consonância com a verdade.

Minha mãe gostava de costurar e comprava aviamentos nas lojas dos turcos, na rua 4, como chamávamos, então, aquele comércio a um quarteirão de nossa casa. Acompanhá-la nessas empreitadas constituía um passeio disputado pelas crianças a cada vez.

Didi, Tanit, Sônia, Deolinda, Mariazinha, Leandro, no CEIC.
Mantínhamos muito contato com nossas tias, as suas primas e irmãs de criação – Hilda e Agda. Tia Hilda e Tio Adail tiveram cinco filhos que cresceram junto conosco, os primeiros cinco filhos de Dona Didi. Tia Agda e tio Daniel tiveram apenas quatro, mas convivemos apenas com os dois mais velhos, porque ela espaçou bastante uma gravidez da outra. Nós adorávamos essa convivência, extremamente animada, em razão de tantas crianças juntas.

Nos finais de semana costumávamos fazer os passeios ao campo, conforme relatei anteriormente. Meus pais faziam questão de manter uma chácara ou fazendinha, mas dificilmente dormíamos lá. Acho que minha mãe era urbana, apesar de se sentir atraída pela zona rural e a fartura de uma fazenda. Durante alguns anos tivemos uma propriedade à beira do Rio João Leite, próximo a Nerópolis, cerca de uns 20 quilômetros de Goiânia. Lembro-me de que eram dois sítios juntos com 6 e 8 alqueires especificamente. Em uma dessas partes havia uma pequena plantação de café com 18.000 pés, creio.

Dona Didi em viagem à Holanda, 1989.
Recordo-me de dois episódios daquela época. Um dos caseiros tinha vários filhos e minha mãe era madrinha de quase todos que iam nascendo a cada ano. Meus pais sempre foram bons com os empregados. Além do salário justo, presenteavam-nos com remédios, roupas, brinquedos e material escolar para as crianças, sobretudo. Eles podiam usar tudo na propriedade, criar galinhas, porcos. Tinham leite e queijo à vontade. Minha mãe trazia dois queijos a cada final de semana para nosso consumo.  Engraçado era que era ela que cozinhava para todo mundo nessas ocasiões. Os caseiros todos se beneficiavam de seus saborosos almoços domingueiros! Uma vez, a caseira e comadre de minha mãe, a esposa do Albertino, lhe disse que as vacas estavam fazendo greve e não havia queijo aquele dia. Uma das crianças presentes ouvia em silêncio. De repente, ela abriu o armário na vista de todos e o mostrou abarrotado de queijos! Ficaram todos constrangidos! Imagino como aquela criança deve ter sido castigada por sua franqueza infantil ainda sem máscaras.

Outra vez, fomos a uma fazenda onde havia muitos cavalos e resolvemos montar. Saímos em disparada e a Bené ficou dependurada num galho mais baixo de uma árvore. Nós ríamos muito enquanto o cavalo fugia em disparado protesto contra aqueles pré-adolescentes malucos!

Minha mãe costumava dizer que todos nós estamos fadados a evoluir e esta é a lei de Deus! Uns caminham à frente, outros vêm mais atrás, mas todos nós, um dia, chegaremos lá! Afinal, temos a eternidade! 






terça-feira, 21 de dezembro de 2010

O PRESENTE DE DONA DIDI


Cachorros filas criados na Creche.
Preconiza o ditado popular que sempre existe um chinelo velho pronto para acolher um pé torto. Minha mãe gostava muito dos animais! Criava dois cachorros filas na creche e ao chegar lá, a cada manhã, tinha sempre um afago para eles ou alguma guloseima! Todavia, não gostava de animais dentro de casa, mesmo porque morava em apartamento.

Nos intervalos das aulas que  eu ministrava em duas instituições em Goiânia,  eu costumava visitar mamãe em seu apartamento  no Edifício Trianon, na Rua Quatro. Como ele era bem central, ia ao banco pagar contas e, às vezes, esperar o horário de outra aula ou reunião, enquanto conversávamos e eu curtia a sua companhia, além de ser brindada com chá e biscoitos assados na hora.

Cão Fila.
Um dia, ao chegar, encontrei mamãe preocupada! Disse-me que havia ganhado um presente de alguém de quem ela gostava muito e não sabia o que fazer com a peça. Levou-me para vê-lo e não pude deixar de rir...

Didi e sua filha Sônia, em 2001.
Imaginem que era um enorme cachorro preto com mancha branca e língua vermelha! Claro que quem a presenteou teve a melhor das intenções! Ela me explicou que tinha sido a sua funcionária de maior confiança na creche. Esta senhora sabia que ela gostava muito dos dois grandes cachorros filas! E como ela morava em apartamento e não podia tê-los por perto, ela havia comprado aquela grande figura para que ela o colocasse em seu criado mudo e lembrasse sempre de seus animais queridos!

Mamãe naquele momento sofria deveras com o problema! Não sabia o que fazer com o presente e não o queria em sua casa! Disse-me que certamente se assustaria se acordasse no meio da noite e o tivesse no criadinho do quarto. Achava que ele era muito grande para outros ambientes do pequeno apartamento... O que devia fazer?! Sentia certo remorso, porque sabia que ele devia ter custado boa parcela do pequeno salário da boa servidora.

Eu ainda sorria quando lhe disse que ela tinha duas opções para não magoar a sua bem intencionada amiga! Podia colocá-lo perto de uma porta, no chão, onde alguém possivelmente fosse esbarrar e quebrá-lo incidentalmente... Ou, melhor, ela podia lembrar-se de alguém que gostaria  de receber aquele presente.

Sua filha Regina,  em 2010.
Ela pensou por uns instantes e me respondeu que já sabia quem amaria o cachorro de louça preta e língua vermelha!

Eu me prontifiquei a levá-la à casa da nova presenteada imediatamente! Colocamos o objeto no banco de trás do carro com todo o cuidado e nos dirigimos até a casa de sua amiga Maria das Dores!

E, realmente, como ela ficou feliz com o presente! Ela não o esperava e o achou lindo! Agradeceu emocionada e soubemos depois que ela tinha muito orgulho de seu cachorro e sempre se lembrava orgulhosamente de que havia sido um presente de sua querida Dona Didi.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

NATAL NA CRECHE CASA DO CAMINHO



Crianças da Creche, antes da festa.
Ontem, dia 15 de dezembro, organizamos o Natal das crianças e funcionárias dessa creche. A Creche Casa do Caminho foi inaugurada oficialmente, em 1974, depois de muitas campanhas em prol de sua construção. O terreno foi doado por um casal de médiuns na época – João e Nair – e sempre contou com a ajuda dos irmãos do caminho e de outros simpatizantes da obra.

O espaço é amplo, muito bem administrado, tem salas diversas de acordo com a idade das crianças (zero a quatro anos), tendo berços, colchonetes para descanso, mesinhas e cadeirinhas, brinquedos, tudo amorosamente decorado para receber as crianças selecionadas entre os filhos de mães pobres e trabalhadoras.

Até hoje o horário de funcionamento da Creche é de 7h até às17h, tempo em que as mães podem ganhar o sustento da família, confiantes de que seus filhos estão bem cuidados e orientados.
Didi, em 25.11.1996.

Minha mãe, a Dona Didi, ocupou-se da direção da creche por muitos anos. Era a sua primeira tarefa matutina. Estava lá toda a semana às 6h30 da manhã, porque gostava de receber cada criança, junto com a coordenadora da creche.

Depois visitava a cozinha e estipulava o cardápio do dia, dava atenção especial a cada um, sempre tinha uma palavra carinhosa, um gesto amoroso com as crianças e funcionárias. Gostava de disciplina e as crianças acostumavam com os horários e as atividades educativas planejadas.

A atual responsável pela creche é Lucimar Gomes Cordeiro que conta com a colaboração de seis funcionárias e o apoio da instituição mantenedora – o Centro Espiritualista Irmãos do Caminho.

Conseguimos madrinhas para as 39 crianças e cada uma recebeu um kit especial, com roupas, calçados, brinquedos e material pré-escolar, entregue durante um lanche com apresentações culturais de voluntários e do próprio coral da creche, além da presença do Papai Noel.

Apresentação do Coral da Creche, 15.12.10.

É difícil descrever o que sentimos ao compartilhar a alegria contagiante das crianças que demonstram surpresa e incredulidade ao receberem tantos presentes de uma vez! Agradeço a todos, encarnados e desencarnados,  que contribuíram direta e indiretamente para que isso pudesse acontecer!
















quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

LEMBRANÇAS DE MINHA MÃE – DONA DIDI!


Filha de Dona Didi.

Minha mãe costumava dizer que sua existência se dividia em antes e depois de se tornar espírita. Apesar de todo cristão se espelhar nos ensinamentos de Jesus, o espírita, geralmente, leva a sério a questão da reforma íntima e tenta se melhorar aparando as suas arestas com mais vigor!

Ela dizia que antes de conhecer o espiritismo, por exemplo, ela nunca tinha dificuldade com empregadas. Em sua época, as empregadas moravam no trabalho e dificilmente tinham folgas. Ajudavam os patrões sempre e eram fiéis, prestativas, a qualquer hora que eles necessitassem. Mais tarde, ela passou a ser mais flexível e dizia nunca mais ter encontrado funcionárias como as de antigamente. Claro, que isso tem muito a ver com a evolução, a conquista dos direitos trabalhistas, o crescimento do mercado de trabalho, entre outras coisas, mas Dona Didi preferia simplificar a sua teoria.

Didi, José Araujo e filho Marco, 1945.
Lembro-me de que ela era muito ciumenta! Papai era o típico homem machista da época – a década de 50! Ele tinha um escritório de representações na Avenida Anhanguera e minha mãe tinha ciúme de suas secretárias. Uma vez, ela me levou até lá, puxando-me pelo braço o caminho todo, porque eu não conseguia acompanhar os seus passos! Ao chegar ao escritório térreo, ela percebeu que patrão e secretária estavam no pequeno banheiro, armou verdadeiro barraco e ambos saíram logo, lavando as mãos!
No dia seguinte, ela convidou a referida secretária para um chá em nossa casa. Ela foi e admirou o cuidado da mesa farta e bem posta, com porcelana legítima! Durante o chá, em meio a impropérios, a secretária foi brindada com chá quente no rosto e meu pai obrigado a despedi-la pela harmonia familiar!

O espiritismo não era bem visto naquela época. A cidade era pequena e os padres se incomodavam com os movimentos sociais dos espíritas! Um grupo da mocidade da Tenda do Caminho começou um trabalho semanal de arrecadação de alimentos. Eles passavam nas casas, no domingo pela manhã, e cada um doava o que podia. Eles costumavam deixar os saquinhos de papel da campanha Alta de Sousa para que simpatizantes recolhessem junto à vizinhança, facilitando o seu trabalho voluntário.

Filho Marco Antonio, 1952.
Minha mãe resolveu pedir a uma de suas vizinhas, na rua seis, que parecia deter maior poder aquisitivo. Essa respondeu que teria que pedir autorização ao padre da igreja Coração de Maria. Minha mãe ficou muito indignada, mesmo porque o padre desautorizou o ato de caridade, dizendo ser tudo prática do diabo! Passamos a nos referir à vizinha de pede padre...

Minha mãe nos matava de vergonha algumas vezes. Hoje, a gente sorri de suas idéias, lembrando-nos de suas colocações com carinho saudoso, mas era tão difícil concordar com algumas de suas afirmativas!

Imagina que ela dizia não acreditar que o homem tivesse ido à lua! E, o pior, é que não temia fazer estas declarações em público, para o constrangimento de seus filhos!

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

MEMÓRIAS DA DONA DIDI – SEGUNDO CADERNO – PARTE FINAL



Didi, em 25.11. 1996.
8.11.1997

Quando retornei ontem a meu apartamento, após a quinzena em Salvador, a minha passadeira Maria já estava me esperando para fazer-me companhia. Meus filhos haviam assentado para eu ir almoçar na casa do Air. Esta é a data em que sempre comemorei o meu aniversário, apesar de, há poucos anos atrás, eu haver descoberto que nasci em 15 de julho.

09.11.1997

Hoje comemoramos o meu natalício na casa do Júnior. Cada filho levou um prato e o almoço foi ótimo! Meu Deus, o que será de mim? Clélia, Celina me deram presentes e Sônia me deu uma torta, Bené, uma corbeille de flores. Que Deus me ajude e faça com que a aposentadoria do José que encaminhei ao INSS seja resolvida para mim. Também, se o José tiver direito ao seguro da SINCOR, ajude ao senhor Marcos a arrumar isto para mim. Ainda, os seis mil da poupança do José, que eu tenha direito a ela. Estou numa penúria, não sei o que devo fazer, minha cabeça não consegue planejar nada, só sinto falta do José... Vim da casa do Júnior para o meu apartamento no Trianon, estou sozinha, esperando pela Maria.

10.11.1997

Hoje veio outra moça chamada Maria para morar comigo e me ajudar no serviço doméstico. Convivi por vinte e um anos com o José sem empregada. Foi uma vida organizada, sem problemas com terceiros. Eu dei conta do serviço da casa e atendi ao José em tudo que ele queria. Quando viajávamos de carro para Caldas Novas, Araxá ou para trabalhos espirituais, eu vigiava tudo, lia placas e descascava maçãs, partia biscoitos e bolachas para dar a ele enquanto ele dirigia o carro. Fazia companhia para ele em tudo!

26.11.1997

Didi e neta Fábia, 1990.
A minha vida tem sido amarga nesses dias. Tenho ido à casa da Celina, da Sônia, do Júnior e Regina tem-me levado à pirâmide algumas vezes. Estou à mercê da Espiritualidade. Ontem comprei castanha portuguesa e me lembrei do José. Ele gostava tanto! Também comprei dois panetones para o Natal... Ah, meu Deus, o que será de mim? Espero que Deus me ajude, não peço esquecimento dele, mas peço a Deus para me tirar este sentimento de angústia, de solidão e a saudade bruta que tenho de meu José. Preciso cumprir os meus dias restantes aqui neste orbe. Peço a Deus que encaminhe o José para que ele seja muito feliz onde estiver.

08.12.1997

Maria Luiza, Renata, Bart, Shirley, Júnior chegaram hoje da Holanda e levamos todos para a casa da Celina. A vida tem sido de muitos afazeres. Tenho feito sobremesas, bolos, gelatinas e levado para eles. Fiz questão de estar sempre com a Luiza, mandei fazer um banheiro na suíte que ficou mais de mil reais. Empreitei o reboco, o telhado e um pedaço de piso que faltava na garagem e na área. Tudo ficou acima de quatro mil reais. Tenho estado sempre presente na casa da Celina, junto com Luiza e Renata. Juninho não gosta de mim, não sei o que ele pensa. Talvez sejam problemas de existência anterior. No dia 20, fiz uma peixada para todos e levei para comermos juntos na casa da Celina. Todos gostaram e elogiaram muito!

16.12.1997

No dia dezesseis foi a inauguração da loja da Luiza e da Sônia e foi muito bonita a festa... Passamos a noite de 24.12 todos juntos no apartamento da Clélia. Fiz um peru que a Clélia nos trouxe a pedido da Luiza e ficou muito gostoso. A Luiza ensinou colocar toucinho e papel laminado e ficou muito bom. Fiz ainda uma maionese e não sobrou nada.

25.12.1997

Didi com filhos pequenos, Marco e Regina, 1951.
Ontem passei a noite com taquicardia e hoje também. Melhorei e fui para casa da Celina ficar um pouco com a Luiza. Renata chegou às 9h da manhã. Às 14h fomos para o aeroporto levar todos para embarque rumo ao Rio de Janeiro, onde ficarão em excelente hotel. Dia 28 retornarão para a Holanda onde residem.

Ganhei de Natal um porta-retratos da Sônia, uma linda embalagem com bananas secas da Regina e 150 dólares da Luiza e um perfume da Flávia, amiga secreta.

27.12.1997

Hoje às 17 h a Bebé, minha cunhada, me telefonou, exatamente dois meses e 17 dias após a morte do José.

31. 12.1997ri

Preferi ficar em casa e fazer o culto evangélico às 23h, acender velas e vibrar para o Zezé. Todos os filhos me convidaram para acompanhá-los, mas eu não quis sair.

1.1.1998

Didi com amiga Elzinha, em Salvador, 1997.
Júnior e eu fomos a Ribeirão Preto visitar o Marco Antônio. Saímos de Goiânia às 5 h da manhã e chegamos lá às 15h. Marco mora agora na Rua Cerqueira César, nº 78, em pequeno apartamento no centro. Fomos à casa do Bruno e da Fernanda. Eles são muito bons! Fui ao Cemitério da Saudade e acendi muitas velas. Passeamos e conhecemos parte da cidade. Voltamos no dia 3/1/98, e chegamos às 19h.

27.1.1998

A vida está muito difícil. Maria, minha empregada, é muito sem juízo. Usa meu telefone para toda baboseira. A conta vem imensa. Comprei as coisas de que ela necessitava, roupinha de bebê, camisola e todas as coisas. Depois arranjei a maternidade e ela foi dar à luz. Criatura sem sentimentos. Fez muito abuso aqui. Sujou no prato que comeu!

Hoje fui ao Dr. Nardelli, especialista em olhos, no setor oeste. Ela falou que preciso operar a vista.

Dia 15 de janeiro passei em Caldas Novas. Fui sozinha, queria passar o aniversário de 21 anos de minha união com o José e achei louvável estar sozinha.

5. 6.1998

A vida tem sido difícil de suportar com tanta solidão. Minhas filhas me convidam sempre para almoçar com elas... Dormi quatro noites no apartamento da Sônia, mas retorno sempre ao meu lar. Todos os meus filhos são ótimos, mas não devo dar trabalho, tampouco preocupações para eles. Tenho ajudado o Marco, o Júnior e a Clélia. É muito pouco o que posso fazer, mas faço com amor e boa vontade.

7.6.1998

Didi na Creche Casa do Caminho, 1995.
Hoje Bebé, irmã do José, me telefonou novamente. O Dantas, outro irmão do José também morreu de câncer no fígado. O motivo de ela me ligar foi para avisar que a Walquíria, a filha torta do José quer requerer herança. Fiquei abismada. José sempre morou no era meu; o carro, o telefone, fui eu que lhe dei. Não tem nada no nome dele... Tenho que tomar precauções.

10.6.1998

Resolvi dar a escritura de doação do apartamento 62 do Edifício Drogasil para a minha filha Luiza. Telefonei para ela avisando para que ela me mandasse 2 mil dólares para o pagamento da escritura. Falei com o Aparecido do cartório e ele fez tudo direitinho, reservando o usufruto para mim. Queria doar para um neto, mas e os outros? Minhas filhas concordaram com isso, porque ela ficou com menos na primeira doação.