quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Depoimento de Maria Alzira Pereira da Silva


Regina e Maria Alzira no CEIC

Conheci a Dona Didi na antiga sede do CEIC no setor oeste. Eu freqüentava o centro com minha família, tomando passe desde criança.

Minha mãe - Geny Alves da Silva - já atuava junto ao natal dos pobres, ajudava com a creche e estávamos presentes na pedra fundamental deste prédio.

Depois disso eu me casei e quando eu tinha 3 filhos a minha mediunidade começou a perturbar a minha vida e vim conversar com a dona Didi. Meus filhos eram pequenos então. O mentor me aconselhou a esperar um pouco, mas disse que se eu quisesse melhorar eu precisaria trabalhar mesmo.

Maria Alzira





Comecei a trabalhar, mas eu me sentia mal assim mesmo. Então, ia à casa de Dona Didi e ela me recebia com muito carinho e dedicação, mesmo que eu estivesse com meus filhos pequenos. Sempre que precisei, eu fui lá. Assim, nossos laços de afinidade se estreitaram.

O que eu sentia era que ela me acolhia com boa vontade, com um sorriso. Às vezes eu lhe levava sucos e até dividimos em sua casa o vinho de que ela tanto gostava. Eu entrei em sua intimidade, muitas vezes assisti à cena de ela dividir o alimento com seu companheiro José, seu segundo esposo, que também freqüentava o centro e a levava para os trabalhos espirituais. Com o tempo, eu fui conseguindo me equilibrar e também encontrei a harmonia como médium.

Zuleika, Tânia, Alzira, Keila, Valderez e Regina



Há um fato interessante de que me lembro. Fizemos uma rifa de um quadro da santa ceia, pintado pela filha da Dona Elcyr - a Paula. Eu ganhei o quadro e já imaginava o lugar onde o colocaria lá em casa. Daí, alguns médiuns se aproximaram e sugeriram que eu doasse o quadro novamente. Eu fiquei muito dividida, mas nada disse a ela. Durante a sessão o mentor me chamou e me disse: - “O quadro é seu”. E me indicou onde deveria pendurá-lo. Fiquei surpresa e feliz e até hoje ele se encontra no lugar sugerido.

 

Turma da quinta feira no CEIC
Quem marcou os dias do nascimento de meus três filhos foi o Dr. Fritz, por meio de Dona Didi. Além do pré-natal usual, fiz também o espiritual com ele, aqui no centro. Normalmente o ginecologista dava uma data e ele outra. Sempre segui as instruções espirituais e na época do nascimento do meu primeiro filho o médico achou que eu deveria fazer a cesárea, estipulou uma data diferente da data marcada pelo Dr. Fritz. Preferi confiar na espiritualidade e depois do parto o médico concordou com o fato. Ele nasceu no dia de meu aniversário 25 de fevereiro.




Eu tive um problema de saúde na segunda gravidez, quando morava em Brasília, mas vinha a Goiânia periodicamente para o pré-natal no centro. Tive cálculo renal com seis meses de gestação, precisei ser internada, mas tive alta para vir ao centro. A pedra foi expelida magicamente. O médico ficou surpreso e passou a freqüentar o centro também.

Dona Didi em seu apto. Ed. Trianon
Às vezes, morando em BSB, eu ligava para a Mariazinha e ela me retornava dando o nome dos remédios e assim sempre nos tratamos.



Surpreendente era a força dos guias de Dona Didi. Só quem conviveu com ela e assistiu aos maravilhosos trabalhos de cura que ela intermediou tem como imaginar a sua capacidade mediúnica. Na época em que ela saiu do centro, eu também saí do CEIC, retornando 4 ou 5 anos mais tarde.

Fui visitá-la algumas vezes junto com o pessoal do centro para dar-lhe assistência. Havia uma moça, chamada Lúcia Cândida, negra, que tinha dificuldade de integrar o grupo no início, mas depois se tornou excelente médium. Ela morava lá em casa e minha mãe um dia a acordou para vir ao centro. Ela ficou revoltada e ninguém entendeu por quê. Durante a sessão, o mentor lhe contou que em outra encarnação ela havia sido loura e minha mãe negra, além de ser também a sua escrava. Ela costumava acordar a minha mãe com água gelada...

Uma vez, apareceu um gânglio no pescoço de minha filha e o Dr. Fritz aconselhou a não mexer, porque ela poderia ficar muda. De fato, meses depois o tumor desapareceu. Sempre tive muita fé na espiritualidade e nunca me arrependi.

Minha convivência com a Dona Didi foi uma bênção e sempre lembrarei o amor e a dedicação com que ela me tratava.



quarta-feira, 4 de agosto de 2010

DEPOIMENTO DA MARIA AMÉLIA DE MORAES JARDIM






Conheci a Dona Didi desde a minha infância. Sua família era vizinha da minha na Rua seis. Meu irmão mais velho nasceu em 1939 e Dona Didi e o Senhor José Araújo já moravam lá. Roberto, meu segundo irmão, foi amigo de infância do Marco Antônio, filho mais velho de Dona Didi.

Nossa amizade se estreitou quando passei a ser colega de escola da Clélia, sua terceira filha. Isso aconteceu em 1961. Primeiramente estudávamos no Externato São José e depois de dois anos nos transferimos para o Lyceu de Goiânia. Meu pai reclamava que eu não ficava mais em casa e parece que Dona Didi também dizia que Clélia morava na minha casa! O fato é que nos tornamos muito amigas e nunca mais nos afastamos. Assim, eu convivi bastante com a Dona Didi e toda a sua família.

Naquela época tínhamos pouca diversão. Íamos ao cinema aos domingos e, de vez em quando, havia alguma festinha em casa de família. Era a minha mãe  quem nos acompanhava a essas festas - minha prima Fia, eu, Clélia, Regina, Marisa, Marina, Naíze, Bené...

Dona Didi e o senhor José já freqüentavam o centro e muitas vezes quando eles voltavam da sessão noturna eu ainda estava em sua casa. Clélia e Regina não podiam sair porque tinham tomar conta das pequenas gêmeas. O senhor José Araújo tinha uma chácara em Teresópolis e ele nos levava lá em seu carro.

Lembro-me dos lanches que a Dona Didi preparava para todos nós, biscoito frito de polvilho, Manezinho Araújo. Também das broncas que dava nas gêmeas que eram terrivelmente levadas.

Com o passar dos anos o Senhor José ficou muito doente e deixou de ir ao centro. Dona Didi passou a ir sozinha ou acompanhada por outros médiuns do centro. Lembro-me de que quando  ele não estava bem, o Senhor José ficava muito no alpendre de sua casa que era na esquina da Rua 6 com a Rua 5.

Dona Didi sorria sempre e elogiava muito os filhos. Estava sempre envolvida com o centro e a creche.

Minha família era católica e eu fui ao centro apenas uma vez naquela época. Hoje estudo a doutrina e freqüento um centro há mais de 3 anos. Gosto muito da prática do amor caridade e já dou a minha pequena contribuição.

Nos últimos anos de sua vida terrena visitei a Dona Didi muitas vezes em seu apartamento à Rua 4 do centro. Também a encontrava em eventos na casa de suas filhas: Clélia, Regina, Celina ou Sônia. Ela também costumava ir até a minha casa e eu cortei o seu cabelo por muitos anos.

Nos três últimos anos, isso ficou mais difícil, porque os filhos ficaram preocupados com o fato de ela morar sozinha e ela se transferiu para a casa do filho Júnior, no Jardim América, onde a visitei algumas vezes até a sua transição em fevereiro de 2005.

Sempre achei a Dona Didi uma pessoa alegre, apesar de brava ou severa quando necessário.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Sobre a Creche Casa do Caminho



A CRECHE CASA DO CAMINHO funciona no Jardim América desde abril de setenta e seis. Dona Didi foi diretora da Creche durante 18 anos de sua existência terrena. Agora foi construído também, no mesmo terreno, o ABRIGO CASA DO CAMINHO. Veja os folders destas instituições abaixo.

Dona Didi na creche em 27.11.84.

A cada Natal Dona Didi  organizava pessoalmente o natal das crianças da Creche. Hoje este trabalho foi resgatado por uma de suas filhas que encontra padrinhos e madrinhas que comparecem em data próxima ao Natal e presenteiam seus afilhados durante uma festa de confraternização de irmãos, funcionários e crianças da creche. Veja a mensagem que os padrinhos recebem:

PREZADOS AMIGOS!


Vamos ajudar a organizar o NATAL da creche CASA DO CAMINHO novamente?



Posso disponibilizar os dados das crianças - nome, sexo, idade, número do sapato, para que preparemos o conjunto de presentes que inclui roupas, calçados, brinquedo e algum objeto escolar. Se possível, vc pode apadrinhar a mesma criança selecionada no ano passado!



Quem puder participar, por favor, responda a esta mensagem que repassarei os detalhes em breve!
Abraços gratos 


CRECHE CASA DO CAMINHO
ABRIGO CASA DO CAMINHO

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Continuação das Memórias de Dona Didi


Capítulo XI

Nós morávamos à Rua seis nº 46, no centro de Goiânia. Lá vivemos e criei todos os meus filhos. Era uma casinha linda, muito limpinha, muita ordem e cumpria-se horário para tudo.
Manhã do dia 17 de janeiro de 1948! Chovia tanto que parecia um dilúvio. Comecei a organizar tudo, as roupinhas dos filhos, quitandas, preparativos para o mês de resguardo.

José chamou a minha mãe Juventina e fomos para a maternidade do Dr. José Carneiro, em Campinas. Seria o Dr. Viggiano a fazer o meu parto. Depois de algumas horas difíceis, nasceu Regina Lúcia, verdadeira bonequinha. Olhinhos pretos, rostinho lindo, rosado, José ficou encantado e a todos ele dizia: - Vejam a bonequinha que ganhei! Realmente ela nasceu muito linda...

Capítulo XII

Chuva da Janela

Regina Lúcia em 1950
Por que este título? Parece tão comum, no entanto encerra algo maravilhoso. Quem é aquela menininha graciosa de Maria Chiquinha, com seu vestidinho de organdi bordado com meninas tocando os patinhos?! Linda, inteligente, quase dois aninhos, puxa uma cadeira da sala de jantar e coloca à janela... Lá fora, o céu cinzento, trovões roucos... Rua seis nº 46, esquina da Rua cinco, no centro da cidade de Goiânia...

A menininha colocou as suas mãozinhas no vidro da janela. Os pingos da chuva caíam na vidraça como desenhos de lindos poemas vividos...


- “Mamãe, chuva é água”! Disse a menininha. Regina Lúcia é o seu nome. Grande descoberta, um maravilhoso momento para uma criança de menos de dois anos. Esta criança é muito imaginosa, vai ser muito talentosa, dizia José, o pai coruja.




Foto de Regina Lúcia com um ano e meio de idade








Capítulo XIII


Era o dia 24 de agosto de 1950. Era um dia muito grande – dia de São Bartolomeu. Eu, grávida para dar à luz a qualquer hora. Nessa época minha mãe já não morava em Goiânia. Ela tinha ido para Betim, perto de Belo Horizonte, para morar com minha tia Jovita em uma chácara. No dia seguinte, 25 de agosto, às 17h, nasceu nossa filha Clélia Maria, na Santa Casa de Misericórdia, hoje o Centro de Convenções de Goiânia.


Era uma criança forte, chegou com 4 quilos e 200 gramas. José como sempre muito satisfeito. Clélia foi sempre independente. Nunca aceitava ficar no colo. Brincava em seu berço com seus brinquedinhos, aprendeu a andar rodeando o bercinho. Ela se sentia bem sem mimos e agarramentos. Foi sempre uma criaturinha adorável. Dormia sozinha, aprendeu a correr sozinha, mais tarde tornou-se sempre a primeira da classe e fazia questão das notas mais altas.


CLÉLIA MARIA em 1955

Assim é a vida! Que beleza, este viver nesta vida cheia de filhos maravilhosos que tive...

- Vamos ao trabalho, filha, dizia a voz amiga! Mentalize o jardim de sua casa, sinta o perfume das flores, veja os vasos de samambaia, de avenca e begônias – como sou feliz! Obrigada a Deus por me conceder tudo isto... Sinto que Deus é a fonte de luz e eu a luz imanada de Deus!

Capítulo XIV


Era o ano de 1951. José eu assistimos à cerimônia da pedra fundamental da futura TENDA DO CAMINHO, no dia 20 de janeiro.

Em 1952, assistimos à inauguração da Tenda do Caminho, na Rua 201, hoje, Rua Dr. Colombino Augusto de Bastos, o grande fundador desse grandioso evento. Médium cumpridor de seus deveres, dirigiu por alguns anos esta obra espírita. Meu esposo José Araújo foi o tesoureiro e por acréscimo de misericórdia ajudou o Dr. Colombino com algumas das construções assistenciais. Os dias passaram com muito trabalho. Minha casa simples era sempre limpinha e havia ordem e horário para todas as cousas.


Nunca tive vícios ou costumes ruins. Sempre fiz esforço de estar preparada para o trabalho mediúnico. José, por ser muito enfermo, abstinha-se de todas as extravagâncias. Nossa vida se resumia no cumprimento dos deveres e da religiosidade. Freqüentávamos o Centro espírita às segundas, quartas e sábados. Nas quintas e domingos fazíamos o culto evangélico do lar, conforme nos ensinou do Dr. Colombino.







quarta-feira, 28 de julho de 2010

Depoimento de Aleixo Nuss de Oliveira sobre a Dona Didi



Tendo conhecido esta senhora em abril de 2002, sei, hoje, bastante sobre a sua vida de luta e incondicional dedicação ao próximo. Vale dizer que, se ela cometeu algum pecado em sua trajetória desta encarnação, mereceu crédito, perdão em dobro.


A princípio, ela morava sozinha, no Ed. Trianon, na Rua 4, no centro. Depois construiu uma suíte na casa doada a seu filho, meu cunhado Júnior. Todo domingo Regina e eu a visitávamos lá. Conversávamos um pouco, levávamos guloseimas de sua preferência e lhe aplicávamos Reiki.


O que mais me impressionou em meu primeiro contato com a Dona Didi foi o fato de ela ter dito que eu era bom, quando segurei a sua mão, cumprimentando-a. Achei aquilo muito profundo...


Que Deus a tenha no melhor de Seus planos!

segunda-feira, 26 de julho de 2010

COMENTÁRIO DA NETA PATRICIA BIANCA DE RIBEIRÃO PRETO - SP

Meu Deus ! Que coisa maravilhosa !



Estou chorando! Chorando de felicidade por lembrar os dias lindos em que eu brincava com meus priminhos.



Foram dias mágicos, dias de luz, de extrema pureza... Que infância linda eu tive! E como minha vovó DIDI era carinhosa!

Ainda me lembro quando ela olhava para todos os netos e dizia: "Nossa!!! Que coisa linda da Vó".. Depois abraçava e beijava pegando com as mãos delicadas no meu rosto e passando a mão em minhas costas... Ainda me lembro do perfume dela.



Que saudade, minha avozinha querida, que a senhora esteja linda e em paz agora, descansando nas mãos do nosso mestre criador!



E a vocês, meus priminhos, que Deus derrame alegrias sem fim na vida de cada um !



Que sempre alcancem tudo o que desejarem! E sejam muito felizes!



Beijos emocionados de sua prima... Patrícia Bianca Araújo.



AMO VOCÊS TODOS!

PARA O BLOG DA MINHA AVÓ DIDI




Quando minha mãe estava grávida de mim e soube que eu nasceria no início de novembro, marcou a cesariana para o dia no aniversário de minha avó - 8 de novembro. Acontece que eu quis chegar logo, ela começou a passar mal no dia 6, não deu para esperar e eu cheguei às 01h15 do dia sete de novembro. Não havia vaga no hospital reservado para o dia seguinte e minha tia e depois madrinha Clélia ficou com a minha mãe Regina no antigo hospital Santa Luiza, do médico amigo de minha avó, Dr. Eduardo Jacobson. Meu pai precisava ficar em casa com meu irmão Otávio que tinha apenas um ano.
É difícil definir minha avó pra mim. Não fomos muito próximas, mas sei que devo ter herdado certas características. E a mais marcante delas foi justamente o envolvimento místico, que sempre tanto me fascinou desde pequena. Tanto que me custou aguardar os quinze anos de idade para ingressar no CEIC, que, na época, era presidido por ela, tendo meu querido tio Air como vice-presidente.

Comecei aos 14 anos me sentando no banco de trás dos médiuns. Mas, mesmo antes, eu ficava encantada com a sala de trabalhos de umbanda, as tantas velas coloridas que ela acendia nas pedras, cada um de nós, filhos e netos, tinha a sua, e, principalmente, os colares índios da entidade Pantera que ficavam dependurados lá na parede.Todos aqueles rituais me enchiam de alegria e vida.

E a minha avó vivia brigando comigo pra deixar a canoagem, tanto ela quanto os médiuns da sexta-feira que nos atendiam, diziam eles que eu não podia ficar me arriscando com aquele esporte, porque tinha vindo nesta vida com o poder da cura nas mãos e tinha vindo com essa missão entre outras. Só que na época não entendia o que era aquilo que ela dizia, só hoje cursando medicina que posso entender o que ela dizia e também depois de tantas reviravoltas na minha vida no Brasil e nos EUA.

Logo aos 15 anos comecei a ter problema ao assistir aula na ETFGO quando fazia o segundo grau, pois minhas mãos não queriam copiar a matéria do quadro e sim escrevia outras coisas que me arrepiavam, não tinha controle daquilo. E lá ia eu novamente recorrer a minha avó, que dizia ser psicografia.


Fui para os EUA e nos distanciamos, mas nos falávamos por telefone e ela me escreveu uma linda carta antes de falecer que guardo com muito carinho.

E qual a minha surpresa quando numa das visitas de minha mãe aos EUA ela me leva justamente o Evangelho Segundo o Espiritismo que pertencia a minha avó desde os anos 50, com a assinatura dela e de todos os médiuns. Eu carrego esse Evangelho pra todos os lados que vou, não sai da minha bolsa, tem sido meu guia desde então nessas estradas de pedra que percorremos. E este mesmo Evangelho já contribuiu para a criação de uma Casa Espírita, a primeira delas, lá nos EUA, dentre muitas outras coisas que se fosse citar ficaria aqui por dias. Tem sido o símbolo do legado da minha avó para mim. Sei que minha AVÓ DIDI está sempre entre nós e não se arrependeu de ter confiado seu evangelho a mim.

Fábia Fernanda