quarta-feira, 8 de setembro de 2010





Dona Didi sob a minha cosmovisão





“Em vez de tentar escapar de certas lembranças, o melhor é mergulhar nelas e voltar à tona com menos desespero e mais sabedoria”. Martha Medeiros



Didi cozinhando na Creche Casa do Caminho.
Tenho pedido a meus irmãos que escrevam suas impressões sobre a nossa mãe – Dona Didi – e, enquanto eles não o fazem, vou colocando o meu ponto de vista... Toda visão é relativa e é importante que todos participem para sermos fiéis à verdade. Afinal, o objetivo deste blog é trazer à tona a história de Dona Didi, para quem a conheceu, mas, sobretudo para os que não a encontraram nesta existência.



Didi não teve uma vida fácil! Todos nós desfrutamos das experiências necessárias à evolução de nosso espírito e certamente com ela não foi diferente. Todavia, deve ter sofrido bastante na infância. Muitas mudanças, sua adoção da qual só teve conhecimento ao se casar, união com um companheiro até então desconhecido, a ansiada maternidade que demorou a se concretizar, a enfermidade de meu pai, a assumência de sua mediunidade numa época em que ser espírita era discriminação, a viuvez com filhos ainda pequenos e o despreparo para assumir o papel de arrimo de família sem alternativa. Conciliar a vida doméstica com as obrigações de líder junto à espiritualidade tampouco é simples. Ela viveu tudo isso e com muita coragem!



Marco Antonio e Heitor, filho e bisneto de Dona Didi.
Ela jamais faltava às sessões ou chegava atrasada. Dizia ser mineira e foi sempre pontual com seus compromissos! Houve épocas que havia reuniões especiais, além das três regulamentais e ela nunca reclamava. Era o cenáculo aos domingos, Ramayara em dia determinado pelo Alto, trabalhos externos, assistência a enfermos... O que a espiritualidade recomendava era obedecido religiosamente. Difícil encontrar alguém com mais fé! Sua abnegação, sua disponibilidade era total! Quando havia problemas em casa, saía rezando, e sempre voltava com a certeza de que a espiritualidade olhava seu lar em sua ausência! E isso nem sempre era compreendido. Porém, ela tinha consciência de sua missão e a cumpria rigorosamente.



Além de médium, presidente da instituição por muitos anos, responsável pela obra do berço, pela creche, ainda organizava as palestras, angariava fundos para as obras assistenciais e estudava sempre. Era leitora assídua e psicografava também. Didi era líder e conseguia a colaboração de irmãos de fé e simpatizantes, com facilidade. Muitos não apenas a admiravam e respeitavam, mas realmente a adoravam!

Regina Lúcia - Londres, 9.9.2010.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Lembranças Sobre a Dona Didi


“Haverá um tempo exato
Em que o passado ecoará como cantiga de ninar
E trará de volta as lembranças adormecidas,
Mas sempre vivas.
Quando sentirmos saudades,
Haverá um sorriso...
Uma lágrima talvez...
E a estranha sensação de que nada,
Nada foi em vão”!
Lembro-me da alegria quando minha mãe arrumava seus cinco primeiros filhos e nos levava para um passeio até o coreto da Praça Cívica. Normalmente, ela carregava uma sacola com laranjas e bananas. Passávamos no mercado central que funcionava onde hoje é o Pathernon Center e ela comprava seis pastéis. Como era bom aquele cheirinho de fritura gulosa no saco de papel bege, molhado de gordura, e a expectativa da pequena aventura que empreendíamos! Ela dava as mãos para os dois menores, Sônia e Júnior, e os outros três se posicionavam de cada lado, também de mãos dadas com os irmãos. Eram uns sete ou oito quarteirões desde nossa casa até o local. Lá ela se sentava em um banco de granito e nós brincávamos na grama ao redor.
Repartia as bananas, descascava as laranjas para cada um, distribuía os pastéis e, às vezes, ainda comprava garapa. Sentíamos muito felizes com aquela liberdade vigiada! A gente não podia sair de casa a não ser para a escola e os passeios nos finais de semana em família. Papai construiu a nossa casa em um lote e o outro era devidamente cercado e plantado para nossas brincadeiras. Meu primo Luiz Roberto estava sempre lá em casa brincando com meu irmão, mas eram raras as oportunidades de encontrarmos outras crianças. Isso acontecia nos aniversários familiares, quando encontrávamos os primos, filhos de Tia Hilda e Tia Agda, irmãs de criação de mamãe. Papai tinha muitos irmãos, mas casou-se por último e demorou a ter filhos, portanto, os primos paternos eram muito mais velhos, exceto o Luiz Roberto, filho caçula de tio Venerando.
Dona Didi e seus netos, na Creche, 1985.

Aos domingos mamãe costumava fazer macarronada com galinha caipira. Meu organismo sempre teve dificuldade de aceitar carne e ver o frango com ossos era demais para mim. Ainda mesmo porque víamos as aves sendo mortas. Minha irmã Clélia e eu ficávamos com dó das galinhas e mamãe, muito brava, mandava que saíssemos, porque acreditava que nossa piedade fazia a galinha demorar a morrer!
Minha mãe resolveu tirar carteira de habilitação, mas tinha dificuldade em direção. O coronel que a examinou no DETRAN conhecia meu pai e lhe repassou a responsabilidade. – “Só vou aprová-la porque é sua esposa, mas é bom treiná-la mais um pouco!” Meu pai resolveu obedecer e no final de semana durante um passeio ao Córrego Santo Antônio, onde fazíamos piqueniques, minha mãe sentou-se ao volante e conseguiu fazer o carro subir em cima de um morundu de cupim! Meu pai a criticou e acabou desistindo de ser motorista...
Uma experiência ímpar que tive com a minha mãe – Dona Didi – foi uma espécie de psicofonia. Naquela época eu já era casada e mãe de três filhos. Lecionava em dois ou três estabelecimentos e corria o dia todo na luta pela sobrevivência. Dirigia um velho fusca de um lado para o outro da cidade. Estava sozinha naquela ocasião, rodando pela Avenida Paranaíba em direção ao Setor Oeste. Assim que cortei a Anhanguera ouvi nitidamente, em som alto, a voz de minha mãe me chamando e me assustei subindo com o carro no posto de gasolina da esquina, à direita. Então, não entendi o que havia acontecido, mas fui salva de grave acidente de carro.
Como sabemos, psicofonias são supostos sons, como vozes, que não são perceptíveis ao ouvido humano, mas que podem ser registrados por algum tipo de gravador de som. Acredita-se que seja um fenômeno parapsicológico de transcomunicação instrumental e que se trate de um sistema de comunicação com seres e entidades que não percebemos. Depois, contando o que aconteceu a minha mãe, ela me disse que naquele momento ela estava rezando por mim. Ela orava pelos filhos o tempo todo!

segunda-feira, 6 de setembro de 2010



Ainda, a Dona Didi, a senhora minha mãe!

Dona Didi, em 2001.

Didi era uma cozinheira nata! Algumas de suas filhas também cozinham, mas há alguns pratos que só ela sabia fazer com excelência! É o caso de sua famosa torta de maçã! Celina e eu tentamos reproduzi-la, às vezes, mas não chega aos pés daquelas que ela preparava. Lembro-me que ela aprendeu a fazê-la quando eu era bem pequena, com uma vizinha Dona Dora, que alugava a casa vizinha do lado da Rua cinco. Didi depois presenteou a Dª Dora com uma fatia e a mestra cuca a elogiou tanto que ela passou a dizer que era uma receita de família e até hoje acreditamos nisso!



Tenho muita saudade das saladas que ela preparava, era tudo verdinho, cozido com pouca água e com a panela destampada para não perder a cor original da verdura! Também, do peixe com pirão, de sabor inigualável! Ainda, do arroz com carne seca bem miudinha, o Maria Isabel! E os chás com biscoitos assados na hora que podíamos tomar quando a visitávamos em sua casa à tarde! Sempre que eu ia ao centro da cidade, reservava alguns minutos para uma passagem naquele oásis!



Quando meu pai adoecia com crises asmáticas, e minha mãe precisava ir ao centro, sozinha, ela me levava junto. Nessa época eu era bem pequena e ela quase me arrastava porque andava muito depressa a pé. Assim, eu assisti a muitos trabalhos, como observadora, sem muita compreensão do que via! Eram trabalhos na antiga Tenda, primeiramente, depois passes na casa de enfermos ou assistência espiritual por outras razões, trabalhos de cura realizados junto à natureza, verdadeiras bênçãos cujo alcance eu não podia ainda entender!

"As coisas são descobertas por meio das lembranças que se têm delas. Relembrar uma coisa significa vê-la - apenas agora - pela primeira vez."

Sei que nada acontece por acaso, repetindo um clichê, mas a sua saída prematura do centro a tocou muito! Ela perdeu quase ao mesmo tempo o companheiro de vinte anos e a razão maior de sua existência que era o CEIC! Seus filhos, razão primeira de sua vida, já estavam todos criados e com vidas próprias. Talvez, a espiritualidade lhe desse o livre arbítrio para que ela começasse a treinar o desapego, porque desencarnaria oito anos depois.



Ela tinha uma preferência pelos netos do sexo masculino, se bem que não admitisse! A exceção era a Renata, filha da gêmea Luiza, com quem sempre teve muita afinidade! Mas nas suas memórias, ela tece uma dedicatória a cada neto e bisneto, citados nominalmente.



Minha cunhada Terezinha disse-me que sonhou com ela recentemente e ela lhe contou que está trabalhando com a direção de um departamento na espiritualidade! Que Deus a abençoe e ilumine cada vez mais e, na medida do possível, que ela possa interceder por sua descendência, sempre que for necessário!


Regina Lúcia, Londres, 6.9.2010.

domingo, 5 de setembro de 2010

MAIS SOBRE A DONA DIDI



"É nosso dever lembrarmo-nos daqueles a quem devemos nossa existência." Publílio Siro


Eu devia ter uns seis anos quando minha mãe começou a freqüentar o centro – a antiga Tenda do Caminho. Minha mãe era líder por natureza e assim que assumiu a sua mediunidade, foi desenvolvendo-a de formas múltiplas, a ponto de surpreender até os familiares que tinham contato diário com ela.

Didi, em 1996.

Ela sempre quis trabalhar fora de casa, mas meu pai não admitia. Era a cultura machista da época. Assim, trabalhando com a sua mediunidade e com a filantropia no centro, ela pôde dar vazão ao seu anseio de sair um pouco do ambiente doméstico.


Foi mãe de uma dedicação extrema. Éramos sete filhos, além dos outros que passaram lá por casa. Meu pai estava sempre ajudando os outros e lembro-me de que durante algum tempo, um pessoal da Buona Espero esteve hospedado em nossa residência, durante meses. Eles pertenciam ao um grupo de idealistas espíritas que veio do nordeste para fundar um aprendizado agrícola na Chapada dos Veadeiros. Eram pessoas educadas, defendiam o esperanto como língua universal, e esbarraram com algumas dificuldades devido à burocratização. Tinham conseguido a doação de um terreno, mas o processo demorou a se concretizar. O casal Renato e Beth ficou hospedado no quarto de meu irmão mais velho – o Marco – que tinha ido estudar fora, em colégio interno de Belo Horizonte. Eles eram vegetarianos e Beth estava grávida. Minha mãe se desdobrava em cuidados com sua alimentação e a presenteou com o enxoval do bebê.


Minha mãe tinha um vocabulário próprio e nunca soubemos se ela o adquiriu na infância em Minas ou com a convivência com meu pai e sua família que vieram do nordeste antes de se radicar em Goiás. Nós nos prometemos fazer um levantamento de seu vocabulário para uma futura postagem.


Quando ela era informada de que algo era bom para a saúde de seus rebentos, não hesitava em colocar em prática. Uma vez soube que as ampolas de AD Forte, usadas como injeção, evitariam surtos de gripe. Pois bem, éramos acordados antes de seis horas, obrigados a abrir a boca e engolir o remédio durante o período estipulado.
Clelia, Sônia, Regina e Didi, natal de 2001.
Todos nós ingerimos Emulsão de Scott para abrir o apetite ou fava de sucupira dentro do vinho reconstituinte para gargarejos no caso de infecção de garganta. Também experimentei a cura de uma gripe com limão. Começava com o suco de um limão e iam aumentando as unidades a cada hora. Depois, o mesmo, em ordem decrescente. Acho que a gente sarava logo para evitar que o tratamento se prolongasse muito!
Um exemplo de sua dedicação aos necessitados foi a tarefa diária que cumpriu amorosamente durante meses a fio, dando banho em uma mocinha internada no Hospital do Pênfigo. Ela tinha uma doença de pele rara e todo o seu corpo em feridas. Minha mãe ia lá todos os dias lhe dar banho e trocar o pano que a cobria, porque ela não podia usar roupas. Gracinha sarou e minha mãe a ajudou com o enxoval do casamento. Lembro-me de que minha grinalda da primeira comunhão foi doada para complementar o seu vestido de noiva.
Regina Lúcia de Araújo

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

DEPOIMENTO DE AIR GOMES DE MOURA – Presidente do C. E. Irmãos do Caminho







Air e Didi, 1986
Conheci a Dª Didi em uma situação peculiar. Não conhecia nada do espiritismo, entretanto, já estivera em Congonhas com o Zé Arigó. Isto ocorreu quando entrei em contato com a realidade espírita. Naquela ocasião trabalhava conosco Isorico Godoi que já conhecia a doutrina espírita e freqüentava o centro. Ele me convidou para tomar passes e fomos ao CEIC, à Rua 8 “A”, no Setor Oeste. Sentamos no centro da platéia e fomos surpreendidos pela voz grossa do irmão Emídio, que me chamou:

- Irmão Air, o mentor quer falar com você!

Ninguém me conhecia, exceto a irmã Didi que estava incorporada, mas me disseram que há muito tempo eu era esperado para desenvolver a mediunidade. Após este encontro tornamo-nos conhecidos e fui incluído no grupo mediúnico da casa. Naquele tempo, a doutrina espírita e, principalmente, a Umbanda, era considerada como práxis diabólica por muitos, geralmente praticada por elementos irresponsáveis ou de má índole. Com o espiritismo e por intermédio de médiuns como a Dª Didi, o sentido divino dessas duas doutrinas se fundem no mesmo princípio: amor, fraternidade, caridade.

Air e Regina, no CEIC
Falar da Irmã Didi como médium é falar da mediunidade em todas as suas faces. Receitista, médium de efeito físico, intuitiva, psicógrafa, vidente, psicofônica, médium de desdobramentos e de efeitos físicos, entre outras. Para falar da mediunidade de efeito físico assistimos por reiteradas vezes ao efeito da materialização de objetos, rosas, transporte a distância; na área de cura, assistimos, por muitas vezes, à materialização de tecidos, inclusive o cancerígeno, retirados dos órgãos afetados de diversos pacientes. Muitos dos quais com o odor característico da putrefação. Vimos extasiados, uma vez, materializados em suas mãos, em um trabalho de umbanda, ovos fresquinhos de codorna colhidos em plena mata.

O convívio com a irmã Didi era um ensinamento vivo a todo instante, pois ela estava sempre recebendo mensagens escritas ou psicofônicas de espíritos situados em outros planos. Verdadeira discípula do Cristo, porque não havia hora em que ela não estivesse pronta a atender a qualquer chamado de urgência, fosse para a cura ou libertação espiritual, o que fazia em detrimento de seu próprio descanso ou da convivência doméstica. Não esquecendo o pioneirismo implantado na cidade de Goiânia e arredores, pois o CEIC funcionou sempre como escola, além de hospital e oficina. Local em que se aprende até hoje o exercício mediúnico como função de vida.

Várias edificações físicas marcam este propósito, assim como uma nova sede para a entidade, construída no setor marista, uma creche edificada no Jardim América que se desdobrou em escola, ao lado da Casa do Caminho - Centro de Convivência do Idoso, não esquecendo o templo do culto à Umbanda, junto à natureza, realizado na chácara da Instituição, em Senador Canedo.

Todas as atividades aqui descritas continuam em pleno funcionamento, como atestado do trabalho incansável de Dona Didi em benefício da doutrina, agora realizado por seus seguidores.

Depoimento da irmã Zuleica Gomes Pires



Zuleica Gomes Pires, 2010.
Iniciei meu trabalho no C. E. Irmãos do Caminho em 1975, quando meu filho tinha apenas 4 meses. Comecei sentindo uma manifestação dos espíritos. Meu pai me levou para conversar com Dª Didi que morava, à época, na Avenida Assis Chateaubriand, no setor oeste.

Fui orientada para freqüentar o CEIC. Dª Didi me dava muitos esclarecimentos, ia visitar o meu pai e eu tive muito contato com ela. Eu costumava preparar lanches na parte da tarde para recebê-la em nossa casa. Ela recebia uma entidade a quem chamávamos de Mãe Francisca, com a qual eu tinha muita afinidade e adorava conversar.

Meu pai doou sempre a sua aposentadoria para a Creche, desde a primeira parcela. Ele desencarnou no último ano e se chamava Célio Pires.

Eu trabalhei muito em benefício da creche, fazendo almoços beneficentes, durante muito tempo, junto com a Mariazinha e a Dona Didi. Trabalhávamos também para angariar fundos para o Natal dos pobres. O senhor José Nascimento, segundo esposo de Dª Didi, era muito amigo de meu pai.

Minha mãe – Catarina Gomes Pires - tinha verdadeira adoração pela Dª Didi. Ela desencarnou em 93. Ela sempre pedia auxilio à espiritualidade, sobretudo à entidade denominada Dr. Fritz, por meio de Dª Didi.

Eu pertenço ao quadro de médiuns do C. E. Irmãos do Caminho há 35 anos. Antigamente a assiduidade era diferente, médiuns estavam presentes ao menos 3 vezes por semana. Eu levo muito a sério a tarefa que recebi de desenvolver a mediunidade em benefício do próximo.

Antes do desencarne de Dª Didi, todas as quintas feiras, havia um grupo de médiuns que ia à sua residência ministrar-lhe passes: Air, Rosa Lya, Jenecy, Elcyr, Zuleika, Torres, entre outros.

Quanto à parte social, coordeno a Obra do Berço desde que Dª Didi se afastou do centro. Antes eu já auxiliava a Dª Didi na obra do berço, junto com Dª Nair.

Também organizo as palestras, desde que Dª Didi se afastou. Fiz uma promessa a mim mesma, desde o nascimento de meu filho, de que não deixaria da obra do berço e tenho conseguido cumpri-la.

Dª Didi desenvolveu todos os tipos de mediunidade e eu era encantada com isso. Eu tive formação católica e, no início, tudo era uma descoberta.

Lembro-me das entidades com quem Dª Didi incorporava para os trabalhos de cura e desobsessão: Pantera, Emmanuel, Umulu, Mãe Francisca, Ramaiara. Os trabalhos de materialização eram indescritíveis. Como explicar aquela energia tão sutil?! Eu me sentava perto da Dª Didi, durante aqueles trabalhos e era tudo maravilhoso.

Também aprendi muito nos trabalhos externos. Participei da maioria ao longo de mais de três décadas de convivência com aquela médium excepcional.

Assisti a muitas curas. Inclusive à cura de minha mãe. Era uma quarta-feira. Minha mãe estava mal naquele dia. De repente, chega lá em casa um grupo de médiuns, acompanhados pela Dª Didi. Eles tinham recebido ordem de dar assistência ao nosso lar. Depois do passe, ela melhorou! Estas pequenas coisas nos mostram a existência da espiritualidade maior que está ao nosso lado quando a gente mais precisa. Isso é maravilhoso.

Lembro-me ainda de que, uma vez, a Dª Didi disse a meus pais que eles estavam juntos há várias existências. Enquanto estive ao lado de Dª Didi eu me esforcei sempre para ser-lhe útil e continuo a doar o melhor de mim mesma à espiritualidade maior.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010



DEPOIMENTO DE ABADIO DE ALMEIDA E SILVA - Parte I



Abadio, 18.08.2010
Vim para GYN em dois de dezembro de 1949. Morava no interior antes disso. Minha mãe era parteira e veio ajudar no nascimento de meu sobrinho, filho de meu irmão Salvador e de minha cunhada Bárbara que tiveram um filho em 11 de dezembro de 1949. Eu queria estudar e, para ingressar no antigo Ginásio, era necessário fazer o admissão. Assim vim morar com eles e freqüentei o colégio do Professor Múcio. Meu irmão e minha cunhada já freqüentavam o Centro Pai João.


Didi, na Holanda, em 1989.

Vi Dona Didi na Tenda do Caminho, na década de 50, trabalhando com Dr. Fritz. Bárbara e Salvador eram seus auxiliares. Portanto, foi na Tenda que conheci a Dona Didi. Também outros grandes médiuns: Romeu Pelar, que era deficiente visual, José Carneiro, Salvador, Bárbara, Colombino Augusto de Bastos que, então, morava na Rua 23, no centro de Goiânia, Periano e Dona Vanda, entre outros.

Estudei no Ateneu e tive formação católica. Em 22 de novembro de 62 houve a separação da Tenda, sendo criado o Centro Espiritualista Irmãos do Caminho. Mas só me tornei espírita em 1965.

Apesar da convivência com minha família, eu relutava em assumir o espiritismo. Um dia, tive que levar a prima Terezinha dos Santos ao centro chamado A caminho da Luz, do senhor João Batista, onde havia também uma creche.

Quando cheguei ao centro o senhor João me chamou à frente. Disse que havia uma entidade muito forte, com muita autoridade e esta me pedia um favor. Eu devia ler um trecho de um livro espírita e voltar lá para comentá-lo na segunda feira. O livro que selecionei com a ajuda de Bárbara foi Jesus no Lar e a lição – Dá de ti mesmo. Item, 10.

Depois disso fiquei apreensivo, estava com medo... No dia marcado, fiquei aguardando e só fui chamado na segunda parte quando me avisaram que eu teria que voltar na próxima quarta.

Fiquei ansioso pelo que aconteceria. Então, no dia indicado, durante a parte de incorporação, fui chamado por uma entidade e esta falou comigo:

- Abadio: “Vou lhe dizer uma coisa. De hoje em diante a sua vida vai mudar. Sei que você vai cumprir, mas se não o fizer, vai virar lama”. Ela falava alto e com muito autoridade. Mais tarde soube que era Mestre Carlos. Disseram-me ainda que eu havia sido um general francês em encarnação anterior.

Continuava ligado às mocidades espíritas. Fundei a Mocidade Caminho da Luz e outras do Bairro Popular.

Eu adoeci em 67, Salvador era o vice-presidente do CEIC e, com a doença do senhor José Araújo, meu irmão assumiu a presidência. Aconselharam que eu fosse consultar o Dr. Fritz e eu fui lá tomar um passe.

Em vez da receita que todos recebiam, recebi uma mensagem que guardo até hoje.

“Filho, não desprezeis o melhor dom que Deus lhe deu. Pedi permissão ao mentor desta casa para colaborardes na obra mediúnica e doutrinária. Paz em Jesus.” Creio que a mensagem era de Bezerra de Meneses pela característica do fecho e por compará-la com outras da época, mas não foi assinada.

Depois que recebi essa mensagem, o mentor me chamou incorporado com Dª Didi e me deu autorização para que eu usasse branco. Mas tinha que decidir qual instituição deveria freqüentar. Era um verdadeiro problema de consciência. O trabalho com a mocidade espírita me empolgava e eu já freqüentava o outro centro do João Batista.

O uniforme branco ficou pronto logo e na semana seguinte passei a ir também ao C. E. Irmãos do Caminho. Muitos me diziam que eu não podia misturar linhas, mas consultei a espiritualidade e me disseram que devia ouvir o meu coração. Dividi o meu tempo entre as duas instituições e freqüentando o C. E. Irmãos do Caminho e descobriu-se que eu tinha efeito físico.

Abadio em sua residência
A partir daí fui tesoureiro do CEIC por 34 anos. Houve outros colaboradores, mas apenas entreguei a função em 2000, para o atual presidente Air. Durante as três décadas em que Dona Didi dirigiu a parte espiritual, eu também participei de vários trabalhos, além da mocidade.

Dª Augusta, do núcleo Amor e Caridade, inicialmente, depois, do CEIC, sua filha e o Humberto Ferreira foram meus instrutores. Trabalhávamos também junto ao Hospital do Pênfigo. Minha energia era tanta quando dava passes que adormecia os doentes. Tive desdobramentos várias vezes.

Lembro-me de que uma vez o espírita Múcio Teixeira perguntou a Dr. Fritz sobre sua identidade e ele respondeu que na Alemanha esse era um nome comum, mas uma vez ele assinou Adolf Fritz.

Eu tinha visões, desdobramentos que narrarei gradativamente. Via sempre uma cidadezinha da Checoslováquia, mais tarde identificada como Causbach. Aparecia uma casa bonita, um rio, o campo de aviação, a fachada de madeira, a escada, detalhes interiores... O mentor me disse que um dia me contaria as nossas andanças pelos templos de Carná e de Salomão... O médium Wilson Fleury também efeitos físico e nós dois ajudávamos a Dª Didi nos trabalhos de materialização e nos desdobramentos necessários.

Minha mediunidade foi desenvolvendo cada vez mais e participava de todos os trabalhos. Lembro quando alguém chegou mal e após o trabalho de cura, tirou a muleta, voltando são para casa. As sessões com Ramayara eram raras e poucos eram admitidos ali. Ao terminarem, a gente se sentia tão leve que parecia que sairíamos voando. Nossa aura transmutava e a gente sentia uma energia difícil de ser descrita. O médium Derli e sua esposa eram meus compadres. Ele também trabalhou como cambono muito tempo. Uma vez ele foi operado, sendo extraído um pedaço de seu cérebro que foi desmanchado e materializado sob o testemunho de todos nós.

Houve uma senhora cujo marido era médico. Ela foi submetida a uma cirurgia na cartilagem da Válvula Mitral. Esta senhora morava na Rua 84, perto do Clube Social Feminino. Dr. Fritz pôs as mãos de seu marido sobre o local e ele viu a extração acontecer em poucos minutos. Ela foi curada com a bênção de Deus.

Abadio e Regina, 2010.
Havia outro casal que não podia ter filhos. Eles trataram com o Dr. Fritz. Ela conseguiu engravidar com sucesso. Apesar do Fator RH, tudo deu certo, e a criança nasceu sem problemas. Depois eles adotaram outras crianças, gratos pela graça recebida.

Um cardeal desencarnado, um casal que havia sido padre e freira noutra encarnação,  foram objetos do último trabalho daquela noite... A esposa do senhor Clairmont havia sido mulher do cardeal em existência anterior. O espírito não aceitava que agora ela estivesse unida a outro homem, seu atual marido, que também tinha sido um padre na outra vida. O cardeal o obsedava e ele tinha problemas cardíacos. Sua saúde foi resgatada após o trabalho de desobsessão em que o espírito do cardeal se manifestou por meio de Dª Didi. Não foi fácil. O espírito se comunicava com segurança, sarcasmo, menosprezando a todos, como se fosse superior. Eram 12 médiuns e a entidade perguntou de um a um “quem tinha amor para dar”. Todos tentavam doutriná-lo em vão. Eu era o 12º. De repente, comecei a falar inspirado e nem eu mesmo sabia o que estava fazendo, mas respondi com firmeza que eu tinha amor para dar, inclusive para ele, a entidade soberba.

Em meio ao trabalho, eu visualizava imagens de um recinto religioso de alto nível, talvez o Vaticano e os mesmos personagens que estavam ali no centro, naquele momento, protagonizando dramas que as mantinham ligadas através do tempo. Depois de minha fala, altamente erudita, de repente, a entidade incorporada em Dª Didi caiu ajoelhada ao chão e bradou me reconhecendo:

- “Lupércio, meu pai!”

Parece que eu havia sido seu genitor no passado! Permaneceu em pranto aos meus pés e aceitou a doutrinação, enfim. O instrumento – Dª Didi - precisou ser amparado pelo senhor Dimas que era o cambono e o senhor Antônio, então, o presidente do centro. Ela demorou muito a voltar à consciência naquele dia... Tampouco houve o encerramento convencional naquela reunião. Todos choravam ao sair e o paciente curou-se definitivamente de seu problema cardíaco.

Talvez a médium Elcyr possa relatar outra experiência quase divina com que fomos agraciados. Dª Didi incorporou com aquela que seria a alma gêmea de Emmanuel e a energia que desfrutamos nem pode ser narrada... Foi algo indescritível!

Lembro-me, ainda, que um dia fui levado a uma chácara, às 5 h da manhã, para um trabalho em meu benefício. Minha mediunidade se expandira de tal forma que precisaram fechar a minha cabeça. Eu estava permanecendo em perene desdobramento e isto estava atrapalhando o meu trabalho e o dia-a-dia.

Como espírita, nunca vi médium que se igualasse a Dª Didi. Ela desenvolveu todos os tipos de mediunidade e realizou trabalhos de cura e libertação que descreverei aos poucos...


Fim da primeira parte.