quinta-feira, 4 de novembro de 2010

DEPOIMENTO DE EDY MACHADO DE SIMONE SOBRE A DONA DIDI


Eu estive no Centro Espiritualista Irmãos do Caminho, primeiramente, em 1976, quando a instituição ainda funcionava na sede do setor oeste. Fui atendido lá, mas não quis freqüentá-lo, porque algumas práticas não coadunavam com meus valores, então. Só retornei ao centro sete anos mais tarde, quando passava por nova crise na vida profissional.

Neuza e Edy de Simone, em sua residência, 30.10.2010.
Em 1983, minha esposa Neuza freqüentava a Irradiação Espírita e trabalhava junto à obra do berço. Eu estava vivendo algumas experiências que não conseguia explicar. Por exemplo, durante um jogo de basquete com colegas, vi-me, de repente, agredindo deslealmente, com chutes, um dos jogadores. Eu via o que estava fazendo, mas não conseguia evitá-lo. Conversei com um amigo que me aconselhou a procurar o CEIC, em busca de ajuda espiritual.

O amigo - Dr. Fábio - me aconselhou a procurar alguém na Avenida Goiás. Era Air Gomes de Moura que sugeriu que eu falasse com o mentor da instituição. Tentei marcar a consulta com o mentor de Dª Didi, por diversas vezes, sem sucesso. Naquela época, só eram atendidas sete pessoas por sessão e como eu não dispunha de tempo para chegar ao centro mais cedo, sempre as senhas já estavam esgotadas. Finalmente, solicitei a um contínuo da empresa que fosse marcar a consulta, logrando sucesso.

Dona Didi, na Creche Casa do Caminho, àquela época.
Fui devidamente atendido e orientado a freqüentar as sessões com regularidade. Eu comecei a fazê-lo com certa relutância. O cambono - Mário Scartezini - me deu alguns conselhos. Sugeriu que eu fosse com calma, esclarecendo sobre a enorme responsabilidade de assumir compromissos com a espiritualidade, sem poder dar continuidade ao seu cumprimento posteriormente.

Acabei vestindo a camisa de irmão do caminho e participei bastante das atividades do centro. Assim, em 83 e 84 trabalhei com minha esposa Neuza, com o Dr. Fábio e outros voluntários, junto à Creche Casa do Caminho. Neuza sempre teve facilidade na incorporação, mas eu me afinizava melhor com os trabalhos sociais, a manutenção das obras e a preparação de palestras. O Dr. Fábio mantinha uma horta comunitária na creche e gostava de auxiliá-lo nesta tarefa, além de me responsabilizar por consertos relativos à manutenção da casa.

Sempre acreditarei na existência de outros planos. Creio que minha enfermidade atual aconteceu para eu acabar com as minhas dúvidas, com o meu ceticismo. Há muito tempo atrás, soube que, aos 60 anos, eu ficaria cego e perderia todos os dentes. Esta informação veio por meio de uma visão. E isto realmente aconteceu. Meus dentes foram caindo um a um, apesar de todo o cuidado preventivo. Na época da visão, eu a relatei a Pantera, incorporado em Dona Didi, e ele falou que nosso destino é marcado, mas que podemos mudá-lo por meio de nosso comportamento. Assim, tentei me transformar a cada dia, seguindo os seus conselhos, praticando, sobretudo, a caridade cristã. Ele acrescentou que, dependendo de minha conduta, talvez eu não ficasse cego ou a falta de visão seria de uma vista só, como está ocorrendo agora.

Como digo em minhas palestras, a gente tem oportunidade de fazer o bem 24 horas por dia e aquilo que Pantera me disse tem-se comprovado. Gostaria de ter a fé de minha companheira Neuza por quem Dona Didi tinha um carinho especial. As duas tinham muita afinidade!

Quando nós viemos para Goiânia, eu convenci a Neuza a aprender a dirigir e ela o fez. Nestes últimos meses, com a enfermidade por que passei, ela pôde dar-me toda a assistência necessária, acompanhando-me a médicos, laboratórios, clínicas, por mais de um ano. Sempre serei grato à atenção que ela e meus filhos me dispensaram, apesar de todo o meu mau humor e impaciência!

Neuza e Edy.
Neuza explicou que ela freqüentava a Irradiação Espírita Cristã, em 82, quando Pantera lhe disse que ela deveria ir também para os Irmãos do Caminho. Assim, ela pediu autorização à presidente da Irradiação àquela época - Dª Maria Antonieta Alessandri - que concordou. Mas Neuza fez questão de continuar ajudando na obra do berço da instituição. Relata, ainda, que costumava ir à CEASA, bem cedinho, em sua caravan branca, duas vezes por semana, para abastecer a Creche Casa do Caminho e a Irradiação, com frutas e verduras.

Neuza reitera que tinha muita afinidade com dona Didi e só se afastou do CEIC devido à doença de seu marido – Edy de Simone Machado. Conta que sempre costurou para a obra do berço e foi responsável pelos uniformes da creche durante todos estes anos.

O casal tem uma admiração muito grande pela mediunidade do senhor Edson que também retornou ao CEIC, depois de cumprir missão espiritual em outra casa de oração, em Aparecida, nos últimos tempos. O guia do senhor Edson é o Pai Joaquim. Este sempre nos dá assistência espiritual, durante os passes aplicados em nossa residência por seu instrumento, exemplo vivo de caridade cristã.

O senhor Edy lembra-se de como passou a admirar a mediunidade do médium Edson. Um dia, há muitos anos atrás, ele havia selecionado um candidato para substituir um de seus funcionários, em Jataí. À noite, ele foi ao CEIC e, na hora dos passes, ele se posicionou ao lado do senhor Edson que costumava dar orientações orais aos seus assistidos, apesar de orientação contrária da instituição.

Ele estava lá quando percebeu que o candidato aprovado estava no centro, vindo tomar passe com o senhor Edson, ao seu lado. Assim, ele ouviu quando o rapaz contou que seu pai era muito doente, que ele tomava conta dele e pedia o auxílio da espiritualidade para interceder para que ele não fosse para longe, relatando que precisava do trabalho que havia arranjado, mas que não podia ir para o interior, deixando seu pai sem seus cuidados.

Em resposta, o guia de Edson disse que ele não precisava se preocupar, porque isso não aconteceria. Podia voltar tranqüilo!

Eu ouvi a orientação do Sr. Edson e duvidei. Sabia que o tal candidato selecionado teria que ir para Jataí, dependia de minha anuência e eu não mudaria de idéia, pois aquele a quem ele substituiria há muito tempo tinha essa expectativa.

Acontece que o dia seguinte, o funcionário de Jataí me ligou pessoalmente pedindo encarecidamente que não fosse mais transferido. Ele havia sido promovido a sub-pastor em sua igreja, precisava estar na cidade nos próximos dois anos e não queria mais ser substituído! Nunca mais duvidei da mediunidade de nosso irmão Edson! Ele também era muito ligado a Dona Didi!


sábado, 30 de outubro de 2010

DEPOIMENTO DE LANE NAVES SOBRE A DONA DIDI



Lane e sua mãe, Maria Duarte Naves.
Dona Didi foi uma pessoa muito importante na vida de muita gente, devido ao caminho cristão que escolheu, ao seu papel de líder espiritualista e de mãe em potencial!

Ela era amiga de minha mãe – Maria Duarte Naves – que a admirava muito e gostava de encontrá-la, porque existia muita afinidade e empatia entre elas!

Lembro-me de sua imagem na casa da Rua Seis quando eu tinha uns oito anos de idade! Morávamos na Av. Paranaíba e subíamos a rua de dona Didi (seis), em direção ao mercado e ao centro comercial da cidade que era constituído do comércio na Rua Quatro, explorado pelos turcos, e na Avenida Anhanguera, onde ficavam as maiores lojas.

Dona Didi e seu sorriso franco!
Mamãe e eu sabíamos que a encontraríamos sempre rodeada dos filhos e exibindo aquele sorriso franco e a sua costumeira amabilidade. Ela foi muito presente em minha vida nessa época e, quando nós passávamos à sua porta, sempre parávamos para conversar por alguns minutos e compartilhar com ela momentos de sabedoria. Sentíamos que aquela troca quase diária era mais importante do que continuar o nosso trajeto!

Assim, minha mãe marcava aqueles encontros espirituais para que ela nos abençoasse. Esses contatos se perpetuavam durante dias subseqüentes e nunca os esquecerei! A vida em Goiânia era tranqüila àquela época e a gente tinha tempo suficiente para encontrar os afins sem a correria da atualidade!

Lane e Regina, 1996.
Enquanto Dona Didi se entretinha com minha mãe, a Regina conversava comigo com o mesmo sorriso de sua mãe que embalava as alegrias da convivência amiga.

Os valores e a harmonia daquele tempo foram bastante significativos para os meus sonhos de menina pré-adolescente que desabrochava para a vida prenhe de esperanças de novos encontros e com as fantasias do carinho, do amor e da felicidade permanente.

Regina ainda adolescente foi minha professora no Centro Cultural Brasil Estados Unidos; depois, colega de graduação, mestrado, magistério e pude acompanhar toda a trajetória de sua mãe – Dona Didi! Algumas vezes fomos ao Centro para tomar passes energéticos e buscar água fluída e, assim, pudemos avaliar a importância do trabalho mediúnico desenvolvido por Dona Didi.

Aleixo, Regina e Lane, em 29.10.2010.
Os anos se passaram e eis que aqueles primeiros encontros reforçaram o meu futuro, desenhado pelos sorrisos de minha mãe, da Dona Didi e de minha grande amiga Regina.

Quero confirmar que essa convivência foi substancial para as minhas realizações como professora, mãe, amiga e mulher!

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

DEPOIMENTO DE ELCYR MANATA SOBRE A DONA DIDI



Dona Didi, quando Elcyr começou a frequentar o CEIC, 1970
Eu morava à rua nove do setor oeste, bem próximo ao Centro Espiritualista Irmãos do Caminho e comecei a freqüentar o centro em 70, ainda na assistência. Em 74, passei por uma cirurgia necessária e fiz o tratamento posterior no CEIC. No ano seguinte, 1975, o mentor me convidou a trabalhar e nunca mais me afastei do núcleo.

Com Dona Didi, nós organizávamos almoços em benefício das obras assistenciais. Naquela época as coisas eram mais difícies, nós fazíamos o almoço e arrumávamos tudo, além de vender os ingressos. Separávamos por grupos: grupo do frango, da maionese... Eu pertencia a este último. Também assumi por quase dois anos a direção da Creche Casa do Caminho, trabalho difícil, mas deveras gratificante! Depois que terminou o meu período, Dona Didi me substituiu, permanecendo por quase vinte anos na coordenação, até o seu afastamento da entidade.

Dª Didi era incansável em todos os setores, como médium, como administradora da entidade, como irmã e mãe! Naquele tempo a freqüência dos médiuns era diferente. Eu fiz odontologia, porém já não exercia há bastante tempo. Mas a maioria da equipe feminina era constituída apenas de donas de casa. Hoje, todo mundo trabalha fora. Houve muita modificação na sociedade e isso refletiu em todos os setores.

Dona Didi e seu neto Amaro, em 2004, aos 83 anos.
Air assumiu o centro depois da saída de Dª Didi e eu continuei ajudando. Todos nós ficamos abalados porque já estávamos habituados à mediunidade de Dona Didi. Muitos médiuns saíram do centro na ocasião. Com o tempo alguns voltaram e também entraram novos médiuns.

Lembro-me de um dia especial em que o Dr. Eurípedes Barsanulfo veio à minha casa por intermédio de Dona Didi, quando minha mãe estava doente. Eu já morava aqui neste apartamento. Ele falou muito bonito e comoveu a todos os presentes. Minha mãe havia conhecido o Dr. Eurípedes quando menina, em Sacramento, MG, e ele se tornou o mentor de nossa família. Minha avó morava lá na terra do Dr. Eurípedes.

Como disse anteriormente, conheci a Dona Didi, em 1970, no Centro Espiritualista Irmãos do Caminho. Meus pais, quando vinham a GYN, também iam ao centro tomar passe e buscar a sua água fluída. Quando meu pai faleceu, minha mãe veio morar comigo, permanecendo até 96, quando mudou de plano espiritual. Dona Didi sempre lhe deu muita assistência!

Eu nasci em berço espírita. Há 35 anos freqüento o centro. Antes eu o fazia três vezes por semana. Agora o faço duas vezes por semana, junto com meu filho Régis. Trabalhando no centro com Dona Didi, tive bastante contato com Ramayara e também atuei na sala de cura do Dr. Fritz, além dos outros trabalhos regulares.

Jenecy, Dona Didi e Maria Amélia, em 2004.
Li em um livro que quando um médium se afasta do núcleo ou muda de plano espiritual, os seus guias também terminam a sua missão. Imagino que isso deve ter acontecido neste caso!

Para descrever a Dª Didi, eu só posso dizer que ela era uma mãezona para todos nós, inesquecível, trabalhava incansavelmente e se houver bônus hora, com certeza ela conseguiu todos os possíveis por meio de seu trabalho de dedicação e amor ao próximo.

Lembro-me, ainda, do nome de alguns médiuns que freqüentaram o CEIC na época de Dona Didi: Maria Máris, Mariona, Emilse, Agostinha, Torres, Abadio, Edson, Dimas, Nair e João, Lourdes, Benedita, Tiana, Air, Edy, Jésus, Zuleica e seu pai Dr. Célio, que fazia palestras.

Os trabalhos de cura eram maravilhosos, saíamos para realizá-los na mata ou na cachoeira. Só quem teve o privilégio de participar daquela energia que nos envolvia a cada bênção recebida pode avaliar as maravilhas que presenciamos ao lado de Dona Didi.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

DEPOIMENTO DE ROSA LYA SOBRE A DONA DIDI




Médium Rosa Lya sendo entrevistada para o blogdadonadidi. 
Dona Didi foi uma pessoa muito especial na minha vida. Sempre sonho com ela à noite. E eu nos vejo no trabalho do CEIC ou nos velhos papos que compartilhávamos antes do início de cada sessão. Cheguei ao Centro Espiritualista Irmãos do Caminho, levada pela Dª Iolanda, em 1980, quando ele ainda funcionava no setor oeste.

Elcyr entrou depois de mim e lá encontrei os afins que passaram a compor a minha família espiritual. Posso citar os nomes: Deolinda, Benedita, Jenecy, Maria Máris, Mariona, Seu Mário, Abadio. Seu Dimas era o cambono quando entrei.

Dª Didi foi importante na minha vida porque eu era leiga em termos de umbanda e ela me ensinou tudo que sei. Meu pai tinha sido presidente de um centro kardecista, em Carolina do Norte, MA, onde nasci. Assim que comecei a freqüentar o CEIC, Dª Didi teve uma visão. Foi durante a minha iniciação. Ela viu a minha mãe, desencarnada desde 1956, me entregando um buquê de lírios. Então, senti que eu havia encontrado o meu lugar de trabalho.

Trabalhar no centro espírita é uma escola. Na época de Dona Didi tudo era bem organizado com muita disciplina, coerência e amor. Isso é peça importante no crescimento de todos nós.

Regina e Rosa Lya, em 27.10.2010.
Naquela ocasião eu nunca participava de cachoeira e mar. Para esses trabalhos especiais havia toda uma preparação especial e os médiuns eram escalados pela espiritualidade.

Uma experiência que me marcou foi quando trabalhei junto com a Jenecy. Lembro-me dos trabalhos de Ramayara que eram indescritíveis. A energia era tão elevada que a gente ficava em estado de graça dias após a sua realização. Dª Didi tinha uma maneira de nos ensinar sem nos forçar a nada e isso fazia com que a gente aceitasse tudo plenamente.

Lembro-me do Dr. Célio. Ele foi alguém muito importante no centro. Tinha imenso respeito e carinho por Dª Didi e sempre fez questão de colaborar da melhor maneira possível. Dª Didi sabia conquistar as pessoas sem passar muito as mãos na nossa cabeça, mas com disciplina amorosa e justa.

Quando ela se desligou do centro as entidades também subiram. Mas, hoje, sei que Pantera continua no centro por meio da médium Jenecy.

Dª Didi era uma médium iluminada e de uma grandeza incrível. Mariazinha, Jenecy e eu saímos do centro junto com Dª Didi. A gente não sabia bem o que estava acontecendo, até que a sua saída foi anunciada no fechamento dos trabalhos do ano de 1996. Parece que havia uma pressão para a sua saída, ela tentou reverter essa situação diplomaticamente, mas como não foi possível, ela se afastou. E sei que sofreu muito, porque esse trabalho mediúnico era a sua razão de viver!

Rosa Lya e Dona Didi, em 2003.
Senhor Edy de Simone era muito ligado a Dª Didi. Ele tinha verdadeira admiração por ela, apesar de, às vezes, discordarem em relação a alguma norma. Ele sempre estudou muito e suas palestras são muito apreciadas por todos.

Lembro-me de um evento ocorrido no centro - o casamento do Marco Aurélio - celebrado por Emmanuel. Foi algo maravilhoso. Dª Didi estava iluminada, parecia que toda a espiritualidade conspirava energeticamente pelo enlace de dois irmãos do caminho.

Dª Iolanda me contava vários fatos dos trabalhos de materialização e cura feitos por intermédio de Dª Didi e para os quais eu não havia sido designada.

Eu me afastei do CEIC por bastante tempo, mas minha vida ficou vazia. Retornei junto com Jenecy, depois de cerca de três anos distante. Abadio se afastou, depois de organizar o que havia começado. Gostaria que ele também voltasse para o CEIC.

Lembro de fato semelhante que ocorreu com uma prima. Ela fundou um centro na minha terra natal. Aquilo era a sua vida! De repente, ela viu o centro invadido por pessoas jovens e inexperientes e, ao voltar de uma viagem, passou a sentar-se na assistência. Haviam retirado até as fotos de Emmanuel e Bezerra de Menezes que adornavam as paredes há tanto tempo!

Dona Didi, em 1996.
A Dª Didi como médium foi insuperável. Houve um trabalho na mata em que a entidade subiu na árvore e depois de afastou. Ela tinha pavor de altura e ficou apavorada quando a entidade se afastou e a deixou na árvore. Voltou à consciência questionando como havia subido lá.

Em sua época, havia mais critérios. Tudo era feito com orientação espiritual a que ela obedecia e nos ensinava a respeitar. Dª Didi sabia conduzir os irmãos. Mesmo os puxões de orelha eram dados com diplomacia e todos ficavam gratos pelo aprendizado.

Tive minha iniciação com psicografia, mas hoje não me sinto mais pronta para isto. Sei que quando mudar de plano espiritual poderei contar com a ajuda de Dª Didi que tanta gente ajudou por meio da espiritualidade! 

Dona Rosa Lya deu seu depoimento em sua residência acompanhada por seu marido Sr. Antônio Lisboa. Este contou que Dona Didi sempre o convidou a freqüentar o centro, mas mesmo simpatizante da doutrina, ele nunca quis assumir compromissos pessoais, apesar de sempre haver apoiado a companheira em sua caminhada como irmã do caminho.





quarta-feira, 13 de outubro de 2010


DEPOIMENTO DO ABADIO DE ALMEIDA E SILVA – 2ª Parte

Lembro-me de que o Centro Espiritualista Irmãos do Caminho foi inaugurado oficialmente em sua sede própria no setor oeste, no dia 22 de novembro de 1962, após separar-se da Tenda do Caminho, hoje, Irradiação Espírita Cristã.

Nessa época, eu ainda era católico, estudava no Ateneu Dom Bosco e já assistia a muitos rituais do Padre Zezinho que praticava o espiritismo, mesmo sem o saber. Apesar de eu ser católico, muitas coisas que os padres diziam, eu questionava mentalmente. Padre Zezinho era um com o qual eu me afinizava bastante.

Abadio, sendo entrevistado em sua residência, na Rua 80,  no centro da cidade.
Só me tornei espírita em 1966. Meu irmão Salvador e sua esposa -Bárbara - eram espíritas praticantes há bastante tempo e ajudavam a Dona Didi, sobretudo, nos trabalhos das quartas feiras com a entidade Dr. Fritz. Havia manifestações do espírito Fritz em vários locais do Brasil e a gente ficava curiosa para saber se era o mesmo que incorporava aqui ou em outro estado, por exemplo. Um dia, ele assinou Adolf Fritz.

Minha mediunidade foi ficando cada vez mais aflorada. Os maiores médiuns que conheci e com quem tive o privilégio de trabalhar foi o Senhor João Batista (João da Sopa) e a Dona Didi que, a meu ver, nunca teve quem a superasse em termos de desenvolvimento mediúnico, de disciplina e de obediência às leis espirituais. Aprendi muita coisa com ela, sua fé era contagiante e também a sua prática da caridade cristã.

Eu tinha visões de minhas encarnações anteriores, vivia em desdobramento ajudando em trabalhos de cura. Sempre fui médium de efeito físico e durante as cirurgias e trabalhos de materialização, eu ficava deitado em uma maca, desacordado, doando energia.

Nas visões, aparecia sempre uma cidade chamada Causbach que, posteriormente, descobri ser na Checoslováquia. Parece que eu tinha sido arquiteto em existência anterior.

Lembro do Venerando, irmão ou cunhado do senhor José Araújo. Ele se dizia materialista, mas sua filha Éclair adoeceu e ele a levou ao centro a pedido do senhor José Araújo. As entidades a prepararam para o desencarne iminente. Tinha uma doença ainda incurável na ocasião.

Lembro-me também de um grande médium, o Zé Carneiro, muito ligado ao Dr. Colombino Augusto de Bastos e à Dona Didi. Dª Silvia Alessandri, irmã de Dona Maria Antonieta, também era excelente médium.

Havia também o Sr. Pedro que mexia com garimpo e era marido da Dª Santuca. Eles freqüentavam o centro e o casal não fazia nada sem a autorização da espiritualidade, por meio de Dª Didi. O Sr. Periano, marido da Dª Vanda, também teve relevância na minha vida mediúnica.

Abadio e Regina, dia 11.10.2010.
Era a época em que o senhor Dimas era o cambono do centro. Cumpríamos ordem da espiritualidade e participamos de um trabalho noturno feito junto à natureza. O lugar aonde a gente foi era perto de Biscoito Duro, indo lá pela atual Vila Canaã. Ali a gente avistava toda a cidade. O cenário era muito diferente de hoje, tudo descampado, sem asfalto. Dª Didi preferia sempre ir de carro com a Dª Bárbara e o senhor Salvador. Havia mais carros com outros médiuns: Benedita, Jenecy, Wilson Fleury. No final, nosso carro pifou e ficamos no meio do mato, o farol não acendia. O que fazer? Os outros já tinham ido embora. Então, Dª Didi incorporou com o Pantera, deu uma bronca, mandou o Salvador ligar o carro e mexer em algo lá na frente e o carro funcionou. Disse que estavam testando a nossa fé!

Outra vez também houve um trabalho perto de Biscoito Duro, hoje, Aragoiânia. Fomos a uma fazenda para trabalho espiritual e nunca ouvi uma entidade falar tão bonito. Perto havia um cemitério pequeno e antigo, com poucas sepulturas. Lá ventava muito, as velas não paravam acesas... Então, Dª Didi incorporou e sentimos que o vento parou e tudo silenciou. Não consigo guardar as palavras, mas na minha mente a entidade era Frei Henrique de Coimbra que celebrou a primeira missa no Brasil.

Há, ainda, em minha lembrança, um trabalho realizado na casa de Dª Elcyr. A entidade que desceu foi Lívia, esposa de Emmanuel. Dona Didi falava tão bonito que é quase impossível descrever com palavras o que ouvimos e sentimos. Sugiro que a Dª Elcyr faça o relato daquele dia.

De acordo com as experiências vivenciadas ao lado de Dª Didi e na minha percepção, acredito que Frei Henrique de Coimbra é a mesma entidade que aparece com o nome de Pantera. E que aquela a quem chamávamos de Mãe Francisca é aquela Irmã Matilde de Nosso Lar que por humildade descia sob outra roupagem.

Outro trabalho memorável foi o de João Batista, filho da Dª Célia França que matou o outro brincando de roleta russa. Esse trabalho foi na beira da estrada de Anápolis, perto da Ceasa. O moço estava sendo acusado, mas após a manifestação da vítima desencarnada, na presença de familiares dos dois lados, ele foi inocentado, a exemplo do que já havia acontecido com Chico Xavier.

Avó Didi e neto holandês, Ângelo, em 2004.
O trabalho para fechamento de minha cabeça foi feito na chácara de Dª Didi, pelo Ramayara. Eu estava vivendo em constante desdobramento e o fato começava a me prejudicar a saúde e o trabalho físico. Então, resolveram intervir. As minhas encarnações passadas ficavam desfilando por minha mente sem controle. Então, me levaram à chácara, antes de o sol nascer, e fizeram o trabalho. Deitaram-me na mesa... Tinha córrego ao fundo, uma árvore carregada de seriguelas, pedras... As entidades fecharam a minha cabeça para eu poder viver na terra e cumprir a minha missão aqui.

Uma imagem recorrente naquela época era a da cidade de Ofir, a misteriosa cidade africana, onde operários vindos de Tiro extraíam ouro para o rei Salomão. Só muito mais tarde pude identificar esse fato.

Tenho tanta coisa para relatar, eu sempre fui médium de efeito físico, semi-consciente... Dificilmente me lembrava do que havia acontecido antes, mas há fatos que jamais poderei esquecer. Lembro de um trabalho no centro, realizado por Ramayara. O atendido era um homem que havia sofrido um desastre e não podia andar. Ao final da sessão, ele largou as muletas e saiu andando.

O teor da vibração nos trabalhos do Ramayara era indescritível. Eu me via noutro lugar no espaço sempre. Para os trabalhos de Ramayara eram escolhidos 12 médiuns para integrar o grupo. Isto acontecia umas quatro vezes ao ano, geralmente na última quinta-feira de determinados meses, ou seja, no mês em que havia cinco quintas feiras.

Quem atuava como cambono era a Mariazinha. Sua competência, dedicação e responsabilidade eram extremas. Ela organizava as listas do Dr. Fritz, dos médiuns para os trabalhos de materialização, para o Ramayara e outros que eram designados pelos mentores espirituais.

Quando Dª Didi saiu do centro, eu chorei muito, disse que não ia mais ao centro, porque fiquei revoltado, não sabia o que estava acontecendo entre ela e o vice-presidente Air. Na última semana ela avisou que deixaria a instituição e que o Air assumiria o centro. Muitos médiuns saíram junto com Dª Didi. Hoje sei que tudo tem razão de ser e todos nós temos o livre arbítrio. Emmanuel, Pantera, todas as outras entidades, pretos velhos, Mestre Carlos, Ramayara, Dr. Fritz vieram de despedir e avisaram que subiriam. Nós nos sentimos desesperados, órfãos. Sonia, casada com o Air, estava sendo preparada para substituir a Dª Didi, mas ela não quis assumir o compromisso feito e a espiritualidade sempre respeita o livre arbítrio de casa um. Assim, Dª Didi desencarnou sem deixar um sucessor. Hoje sei que tudo está certo, nada acontece por acaso em nossas vidas. Estive no centro por três anos após a saída de Dª Didi. Espero ter cumprido a minha missão, tendo colaborado durante tantas décadas, dando o melhor de mim mesmo, com fé, amor, muito respeito e gratidão à espiritualidade.

Eu costumava visitar a Dª Didi em seus últimos anos de vida física. Sei que ela se sentia muito sozinha depois do desencarne de seu companheiro e sem os seus trabalhos mediúnicos que foram a principal razão de sua existência. Nós conversávamos bastante e nos lembrávamos de tudo que compartilhamos junto à espiritualidade.

Há 37 anos dou assistência na Colônia Santa Marta todo primeiro domingo do mês. Faço palestras, damos passe coletivo, distribuímos donativos, junto com a madrinha Aparecida que já tem 83 anos e, às vezes, o Joel, do Centro Regeneração. Lá se encontram cerca de 60 pessoas. Ao lado, nós construímos um cômodo para o catecismo das crianças. Na última vez, contei 28 crianças. Serei sempre espírita e sou grato por todas as experiências vividas.

P.S. Dom Frei Henrique Álvares de Coimbra O.F.M., nasceu em Coimbra, em 1465  e morreu em Olivença em 14 de setembro de 1532. Foi um frade e bispo português, célebre missionário na Índia e na África, tendo viajado na frota de Pedro Álvares Cabral em 1500. No Brasil é conhecido por ter celebrado a primeira missa no país, no dia 26 de Abril de 1500. Henrique de Coimbra foi confessor de D. João II e do Convento de Jesus de Setúbal.Na expedição de Pedro Álvares Cabral, Henrique de Coimbra dirigia um grupo de religiosos destinados às missões do Oriente.






















































Comentário sobre a DONA DIDI, da filha Sônia Cristina

Olá, minha irmã!
Foto tirada na minha cozinha, no setor Marista, talvez em 95 ou 96.
Estava me lembrando de quando a mamãe ia me visitar junto com o seu Zé... Ele adorava uísque com água de coco....E, eu, sabendo disso, pedia ao senhor Alberto, que trabalhava lá em casa, para retirar cocos do quintal e fazia gelo para quando o seu Zé fosse lá em casa, servir pra ele no uísque...Ele ficava muito feliz e mamãe feliz com a alegria dele....
Quando me formei em biomedicina, eles tinham viajado pra Manaus e compraram pra mim um estetoscópio... Eles me deram com uma satisfação tão grande, que não tive coragem de explicar que eu não ia usá-lo... Que eu nem ia exercer essa profissão, que tinha formado nisso mais por causa do Leonardo, mas que com o tempo e estudo da doutrina, eu havia entendido o porquê do desencarne do Leo, e que o erro do laboratório foi apenas a oportunidade de resgate do espírito dele.
Mamãe também adorava dar presentes... E, quando, às vezes, eu ia visitá-la, na hora de ir embora ela me dava alguma coisa e eu me sentia mal, queria que ela soubesse que a mim, ela não precisava de dar nada além do amor que eu sabia que ela tinha por mim....Mas me calava...
Por que não disse a ela sempre tudo o que sentia, todo o amor, carinho, respeito e a admiração que sentia por ela???
E eu me achava "pegajosa" por estar sempre abraçando as pessoas que amo... É que eu pensava que um abraço dado com amor não necessita de palavras...ME ENGANEI......
Sônia Cristina de Araújo






segunda-feira, 11 de outubro de 2010



MEMÓRIAS DA DONA DIDI – SEGUNDO CADERNO
15.10.1996

Didi no Edifício .Barcelona, com vaso de tulipas
Estamos caminhando para o ano de 1997. Não sei o que me reserva. Parece-me que a minha vida vai se modificar completamente. Fui ao Dr. Anis Rassi com a esperança de que os exames que fiz tivessem um resultado satisfatório, eu pudesse mudar os remédios, mas nada disso! Ele queria que eu fizesse outro exame que custaria 2.500,00 Reais, alegando que esse colocaria uma sonda da virilha até o coração, depois bombardeava em diversas partes do coração. Se fosse constatada a taquicardia, daria um clique e, talvez, eu sarasse e não precisasse mais de remédios. Não me convenceu e optei por não mexer mais com isso.

18.10.1996

Como sempre fui à chácara. Saí cedo e quando chegamos ao boteco da estrada, encontramos o caseiro que deveria estar trabalhando na chácara. Ele tinha tomado pinga. É sempre assim. Achei este Luis muito esquisito. Eram 12h30 quando chegamos a casa. José aborrecido por eu ir à chácara. Eu tinha deixado o almoço adiantado e logo o coloquei na mesa. Depois tive uma surpresa. José havia comprado um par de sapatos para mim. Preferia que ele não me aborrecesse.

24.10.1996

Hoje é dia do aniversário de Goiânia. José e eu fomos convidados para almoçar na casa do Deusdete e da Marly. Fica em frente ao bairro Goiânia Viva. Estou preocupada. Marco e Ione resolveram vir morar em Goiânia. Ele vendeu tudo que tinha aqui para mudar-se para Ribeirão Preto. Não sei como vou resolver tudo isto. Lá é mais fácil a questão de médico para o Marco e empregos para os filhos. Na volta da casa do Deusdete, passamos na casa do meu filho Júnior para cumprimentar a sua esposa Terezinha pelo aniversário. Retornamos a casa às 16h30.

06.11.1996

Didi e José Nascimento, na década de 90.
Hoje saímos às seis da manhã para pegar o ônibus da Viação Paraúna para Caldas Novas. José quis me dar este presente de aniversário pagando a nossa estada de 06 a 14 de novembro no SESC de Caldas.

Dia oito, às 5 h da manhã, como sempre nestes anos todos, ele colocou Uísque no copo com água tônica e veio me cumprimentar pelo meu aniversário! Eu explico a ele que não posso tomar álcool devido ao fato de tomar remédios cardíacos, mas ele faz questão de brindar!

Os dias transcorreram sem novidades. Só descansar, ficar na piscina e comer nas horas certas, televisão e dormir. Foi bom descansar da cozinha. Voltamos no final do período.

13.12.1996 – sexta-feira

Fui ao centro Espiritualista Irmãos do Caminho. Esta seria a última sexta do ano de trabalhos espirituais. Após a leitura da obra Fonte Viva, apresentei ao Air o meu pedido de demissão do cargo de presidente da instituição, deixando no caderno do centro a cópia do que li. Muitos irmãos choraram devido ao meu afastamento do centro, porque deixei também o meu serviço mediúnico. Foram mais de quarenta anos de trabalhos mediúnicos! Durante todo este tempo, dei prioridade à minha missão, eu adoro a espiritualidade, respeito-a e sou grata a essa cúpula maravilhosa. O que eu sou, o que aprendi e o que consertei em mim mesma, devo aos meus guias espirituais.

16.12.1996 – segunda-feira

Hoje foi a última sessão de segunda-feira no CEIC, neste ano de 1996. Avisei à assistência e fiz o trabalho normalmente. Os guias reiteraram que cumpriram a sua missão e que agora subiriam.

18.12.1996 – quarta-feira

Foi marcada a nossa festinha de fim de ano no centro. Reunimo-nos às 20h. Li uma página de Palavras da Vida Eterna, cantamos Noite Feliz, fizemos a oração do Velhinho, cantamos o Hino de Emmanuel e depois dos agradecimentos foi servida a ceia. Soprei 50 velinhas no bolo. Tudo aconteceu na maior harmonia, só eu estava terrivelmente ruim, pois já sentia saudades de meus guias queridos.

22.12.1996

A minha vida tem sido vazia. Tenho feito uma força incrível para suportar esta monotonia... Se ao menos eu pudesse contar com meus filhos para maior diálogo... Enfim, vivermos compartilhando as alegrias e as dificuldades!? Mas todos têm as suas vidas próprias e deve ser assim mesmo.

Regia, DIDI e Aleixo, em 2003.
Não sei quando foi melhor... Vivi com o José Araújo e ele foi uma pessoa muito íntegra... Passei 11 anos viúva, com muitas dificuldades, criando, educando, formando, casando meus filhos...Em 1977, eu me uni ao José Nascimento, ele tem sido um companheiro para os trabalhos de umbanda. Tenho vivido uma vida esquisita, não tenho com quem abrir a minha alma. Levanto-me as cinco ou 6 horas da manhã, faço café, arrumo tudo. Ultimamente tenho almoçado nos restaurantes de quilo. Cozinhei nos últimos dezenove anos. Adoro o silêncio, contato com Deus, a música, a natureza, as viagens, enfim, o inverso do José Nascimento.

Este mês de dezembro a minha filha Maria Luiza, uma das gêmeas, veio ao Brasil e ficou na casa da Sônia com o marido e os filhos. Eles vieram para o lançamento do livro da Regina – Presente de Meiga, que aconteceu no dia 25 de novembro, no Space La Fontaine. Por incrível que pareça, a Luiza só veio me visitar uma vez, para um almoço que os convidei. Não tenho muita união com meus filhos, eles têm dificuldade de conviver com o José e cada um tem a sua vida específica, mas adoro todos. Luiza e sua família foram embora no dia 26 de dezembro, passando pelo Rio de Janeiro, antes de retornarem à Holanda. Renata chegou no dia 7 de dezembro e retornou no dia 14 de janeiro.

26.12.1996

José e eu recebemos ordens de irmos a Guarapari para fazer um trabalho junto ao mar em agradecimento ao término de nossa missão no centro. Levantamos ás 6h da manhã, preparamos tudo, pegamos um táxi para a rodoviária e pegamos o ônibus da Gontijo para Belo Horizonte. De lá pegamos outro para Vitória e depois para Guarapari, aonde chegamos cedo no dia seguinte. Fomos para o Hotel Vieira onde estivemos até o dia 2 de janeiro, quando retornamos a Belo Horizonte em um ônibus leito. Mais tarde pegamos um ônibus da Itapemirim com destino a Goiânia. Choveu durante as 24 horas da viagem, mas chegamos sem novidades. Fizemos três trabalhos na pedreira, junto ao mar, nos dias 28, 29 de dezembro e 02 de janeiro.