terça-feira, 26 de julho de 2011

CARTA DE THALÍZIA À IRMÃ DIDI

Maria de Lourdes, Ricardo Abrahão,  Dona Thalízia,
Pamela e Fernado Reis, junho de 2011.
  Goiânia, 21 de julho de 2011.
Irmã Didi

Macabeus, o profeta, diz que não existe pensamento mais nobre e sublime do que a oração pelos que partiram! É como uma consciência despertada. Quão felizes somos quando Ele, o Nosso Pai Jesus, nos convida a entregarmos o nosso corpo em Suas Mãos. Ele Mesmo retirará do corpo  as partes psíquicas pertencentes à alma e, assim,  espírito, alma e corpo se apresentam no Além numa forma humana perfeita, e o espírito por sua vez conduzirá a alma à sua bem-aventurança.
Aqui, vivemos no mundo de Deus, desfrutando grandiosamente de Suas Bênçãos. No Além, viveremos no nosso próprio mundo, ou seja, das nossas Idéias,Pensamentos, Vontade e Amor.    Não disse Jesus: -“Sois Deuses”? – portanto, “criadores como Eu!

Didi, filhas Regina e Celina, neta Paulinha, no
Natal de 1993.
Já vistes tudo, com certeza, porque, hoje, aí estás prosseguindo nas tuas tarefas, uma vez que o Além é um labor constante. Faço votos de que mantenhas aquela atividade com teus afins, pois as conquistas individuais pertencem a todos de mentes unificadas,  e os nosso pensamentos se transformam em quadros perfeitos. Daí a advertência de Paulo:  “ -  Renovai-vos pela mente!” Você já viu que tudo que a rodeia é criação surgida de seu próprio coração, certo? Certíssimo, assim nos diz o nosso Santo Pai Jesus!   
Oxalá,  iniciássemos o nosso mundo ainda aqui, com as nossas boas obras e amor desinteressados. Vida,  minha irmã, só existe no Pai, por isso Jesus disse: -“ Só o Pai é Bom!” – Referindo-Se  ao Seu Amor! Luz ou Sabedoria – é o Filho! Força e Poder – o Espírito Santo! Que o Pai a abençoe!
Sua amiga Thalyzia.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

FAMÍLIA TRAPO


José Araújo, na década de quarenta,
chefe da Família Araújo, em Goiânia.
Papai costumava dizer que nós éramos a Família Trapo. José Araújo se referia a uma família de cantores que se tornou famosa no mundo e que nós todos conhecemos por meio de filme americano bem popular na época.

Von Trapp é o nome da família de cantores austríacos, cuja história foi contada em livro pela matriarca Maria Von Trapp. O livro inspirou o filme The Sound of Music que os tornou imensamente populares em todo o mundo.

Maria e o Comandante Naval Georg Von Trapp casaram-se em 1927, depois de ela ser convidada pelo capitão para deixar o convento onde ela estudava teologia e era uma noviça, tornando-se a sua governanta. Georg tinha sete filhos e era viúvo.

Didi, neto Otávio e primeiro bisneto Frederico, dez.93.
Em 1935, Georg perde sua fortuna com a falência do banco austríaco onde estava depositada toda a fortuna da família e para sobreviver ele começa a cantar profissionalmente junto com sua família.

Após se apresentarem num festival de música, o sucesso fez com que começassem a cantar em turnês pelo país. Após a anexação da Áustria pela Alemanha nazista em 1938, o antinazista George fugiu com a família, pelos Alpes, para a Itália e de lá para os Estados Unidos, enquanto a mansão onde moravam em Salzburgo se tornava o quartel-general da SS de Heinrich Himmler.


Cinco primeiros componentes da Fábia Trapo, 1958.
Chamando a si mesmos de Cantores da Família Trapp, agora com dez crianças em vez de sete, três deles filhos de Maria e Georg, os Von Trapp passaram a guerra se apresentando em concertos por todos os EUA e depois pelo mundo.

Após a guerra, eles fundaram a Trapp Family Austrian Relief Inc., uma entidade criada para enviar toneladas de roupas e comida ao povo austríaco afundado na pobreza e na fome do pós-guerra.

Georg Von Trapp morreu de câncer em 1947 e alguns anos depois a família se separou e Maria e dois de seus filhos foram ser missionários no Pacífico Sul. Ela voltou aos Estados Unidos depois de algum tempo e morreu em 1987 em Vermont, aos 82 anos, local onde haviam se instalado desde a fuga da Europa.


 Gêmeas Maria Celina e Maria Luiza Araújo, duas
 últimas componentes da nossa família Trapo, 65.
O livro escrito por Maria nos anos 50, The Sound of Music, virou um grande best-seller e foi tornou-se um grande sucesso musical nos palcos na Broadway.

Depois, o filme foi levado ao cinema e, com a atriz Julie Andrews fazendo seu papel, foi um dos maiores sucessos cinematográficos de todos os tempos, faturando cerca de Um bilhão de dólares em moeda atual apenas nos EUA.

Entretanto, como Maria havia vendido os direitos de filmagem por apenas dez mil dólares, a família Von Trapp não pôde se beneficiar do enorme sucesso comercial do filme.

Didi, genros Alvaro e Luis, filhas Regina, Celina, Clélia
e Sonia , filho Júnior e nora Terezinha, em agosto de 1995.
Papai tinha grande sensibilidade musical. Apesar de não cantar ou tocar qualquer instrumento, ele e mamãe nos incentivavam a estudar música, sempre repetindo que ela educa o nosso espírito.


Marco, Clélia e eu estudamos piano. Sonia chegou a ganhar um acordeom. Depois papai perdeu o emprego na Wallig, sua enfermidade foi se agravando com o tempo e a nossa vida financeira ficou mais difícil. Nosso piano foi vendido após a sua morte.

Didi, Tanit e Clélia, em Goiânia, junho de 1992.
Todavia, o único com verdadeiro talento musical é nosso irmão mais velho – Marco Antonio que reside em Ribeirão Preto com a família. Desde pequeno ele toca qualquer instrumento apenas de ouvido!

Mamãe gostava muito de cantar e tudo que canto aprendi com ela, em nossas pequenas viagens de carro, nos finais de semana, ou ajudando-a a fazer as gêmeas dormirem. Dona Didi era bastante afinada, mas quando se esquecia da letra musical, inventava outra frase e não perdia o tom! Ainda faço o mesmo e tenho que ter cuidado nos hinos que entoamos no CEIC.

Família de cantores austríacos que conhecíamos pelos filmes na década de cinquenta.


quarta-feira, 6 de julho de 2011

CARTA PARA MINHA AVÓ



Flávia com vovò Didi e tia Clélia na infância.
Avó querida,

Que saudades tenho dos momentos em que convivemos e também de tantos outros em que não foi possível a nossa troca.

Sei que na lei da vida não há incorreções, mas tão bom seria se, no outono da vida, os sábios estivessem em sua melhor performance para nos orientar, ensinar, surpreender com as lições aprendidas em milhares de horas vividas.
Flávia e sua mãe - Sonia Araujo, 2005.
Ao mesmo tempo, entendo que, como Jesus nos ensinava em parábolas, fica o exemplo da retidão em que vivestes para nos ensinar. Há de haver de nossa parte ao menos o exercício da interpretação para que haja a real experiência da idéia.

Parece-me estar o mistério da existência na simplicidade, e simples ser o amor. Não conheço pessoa que tenha amado a tantos. Amor voluntário e infindável.

Sonia e Flávia, em Buenos Aires, 2005.
Cumpristes seu papel de filha, irmã, esposa, mãe, avó e bisavó, mas cumpristes ainda outros, muito além do esperado, entregastes muito mais. Fostes cidadã, oferecendo inúmeras vezes seus momentos de lazer ao trabalho em prol da comunidade, do todo.

Agradeço à espiritualidade por ter tido a honra de ser sua neta.

Beijos saudosos.

Flávia Araujo Moura

terça-feira, 5 de julho de 2011

CARTÕES DA DONA DIDI

Sonia, filha de Dona Didi, com
suas afilhadas no Natal da Creche.
Oi, Regi, tinha escrito um texto grande sobre a mamãe, mas esqueci de salvar... Então, vou tentar resumir o que tinha escrito...

Mamãe gostava muito de escrever... Costumava enviar cartões postais de suas viagens, para os filhos, netos e amigos. Às vezes, eu me pergunto se a internet veio pra unir ou pra afastar as pessoas...

A internet facilitou, agilizou a comunicação, mas, no que diz respeito ao emocional, evita que nós tenhamos a sensação de “ser” para alguém, porque quando enviamos um cartão, escrito de próprio punho, quem o recebe, sabe que quem o enviou teve que escolher um envelope, o cartão, ir ao correio, expor seus sentimentos, escrevendo-o. E que sensação gostosa quando recebemos uma carta ou um postal!

Celina e Sonia, filhas da Dona Didi, 2011.
Já com a internet, quase sempre, reenviamos mensagens recebidas, sem nem ao menos trocarmos sequer uma palavra com as pessoas...

Ano passado, fiz uma experiência: enviei cartões de Natal para algumas pessoas queridas as quais não via há algum tempo. Foi incrível! Quase todas me ligaram pra agradecer a lembrança e algumas estreitaram mais os laços de amizade. Gostei da experiência e este ano, enviarei muitos mais!

Guardo muitos cartões enviados pela mamãe. Este que escaniei é um deles.



Cartão  de Dona Didi, enviado à sua filha Sonia, em 1998.
Que tal voltarmos a escrever para as pessoas?

Bjim, Sonia.










quinta-feira, 30 de junho de 2011

CHÁCARA DA DONA DIDI

Celina Araújo, 2011.
Minha mãe sempre gostou muito de terra, ela sempre me dizia: “minha filha, daqui a alguns anos, quem tiver uma terrinha, principalmente com água, terá tudo".

E em sua ultima aquisição de uma chácara trabalhamos muito e construímos uma bela chácara, com água e muitas árvores, como ela gostava.
Ela comprou os lotes, totalizando 20.000 m², encomendou uma casa pré-moldada, melhorou bastante as condições de sua instalação, plantou sete palmeiras imperiais, dizendo que cada uma representava seus filhos.
E chegou a dizer para muita gente que a chácara era minha! Plantei tanta coisa naquele espaço! Lembro-me das mudas de oitis que reproduzem  bastante! Minha mãe estava sempre levando mudas e nós plantávamos tudo com alegria!

Filha Celina, Genro Luiz, netos Paula e André, com Didi, 1986
Inclusive para seu marido, Seu Zé, por ele não gostar de chácara e de nada que pudesse lhe dar trabalho, principalmente no que dizia respeito à terra.Tivemos muito trabalho, sobretudo, no  tocante a caseiros.
Acontece que quando ela adquiriu o terreno das chácaras, havia dois caseiros, cada um falava mal do outro. Um dizia do outro: ”não fique com ele, pois ele bebe muito”. Ela acabou escolhendo um alcoólatra, mas depois descobrimos que o outro era também, então, a escolha seria seis por meia dúzia.
Bisneto Rafael e Neto Ângelo  moram na Holanda.
Se bem que ela tentou consertar o caseiro escolhido, mas não deu certo... Deu a ele tudo o que ele pediu e muito mais de que necessitava, até certa mordomia, mas foi em vão.

No final, na hora de desfrutar um pouco da vida no campo, ela foi obrigada a vender o imóvel, por implicância de seu marido que dizia a ela: “como você dá tanto palpite numa coisa que não é sua” e, ainda, pelas fugidas no espaço de tempo entre as obrigações domésticas, o CEIC, a creche, a assistência espiritual aos necessitados. Ela me pedia sempre para levá-la lá e essas idas ao local sem hora marcada deixavam o Seu Zé enlouquecido.

Assim, ela só teve trabalho, aborrecimentos e pouco lazer, mas, no fundo, a satisfação de construir,  de tentar ajudar o próximo, pois era disso que ela gostava.

Maria Celina de Araujo, junho, 2011.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

HISTÓRIA DO ESPIRITSMO EM GOIÂNIA


Dona Didi e sua filha Clélia, 2001.
Segundo o espírita Moisés Dias da Silva, 90, o início do Espiritismo em Goiânia ocorreu em 1934, quando a nossa cidade ainda estava sendo construída. O Sr. Moisés relatou que um grupo de operários praticantes da doutrina espírita, utilizando tábuas, construiu singelo barracão às margens do Córrego Botafogo nas imediações do Setor Universitário.

Chegando ao conhecimento do Dr. Acenor Cupertino de Barros, que era espírita, este foi até a sede do Centro e ficou muito sensibilizado, dizendo para o presidente do Centro que iria conseguir com o Dr. Pedro Ludovico um terreno melhor para construírem um novo Centro. Tal fato se deu. O Centro foi construído na rua 3, no centro de Goiânia, onde estão hoje situadas as empresas Novo Mundo e Ricardo Eletro.


Centro Espírita Estudantes do Evangelho, em 1949.
Recebeu o nome de Centro Espírita Estudantes do Evangelho. Até o ano de 1950 funcionou como Centro, depois, em face das atividades que realizava, passou a denominar-se União Espírita Goiana, cujo nome atual é Federação Espírita do Estado de Goiás – FEEGO.

Meu pai, José de Araújo frequentou este centro, antes de conhecer a Tenda do Caminho, onde permaneceu por mais de dez anos, participando ativamente das reuniões e colaborando bastante com as obras assistenciais. Em 1962, um grupo, que já se reunia em nossa casa há alguns meses, resolveu fundar o atual Centro Irmãos do Caminho e a antiga Tenda do Caminho passou a ser Irradiação Espírita Cristã, como nos dias de hoje.

José Araújo, fundador do CEIC.
Todavia, os irmãos de fé nunca se separaram e era frequente a presença de médiuns de um núcleo colaborando com o outro, pedindo ajuda espiritual, participando das obras sociais da outra instituição ou proferindo palestras no núcleo irmão. Isto acontece até os dias atuais!

Dona Didi tinha verdadeira afeição por muitos dos médiuns e dirigentes da Irradiação e lembro-me de que com a mudança de Chico Xavier para Uberaba, Dª Silvia Alessandri, Dona Maria Antonieta, seu filho Clóvis, mamãe e eu fomos visitá-lo em sua nova residência, em 1960.

Alguns anos mais tarde a Dª Antonieta e seu marido Dr. Clóvis Figueiredo foram meus padrinhos de casamento. Após a mudança de plano de minha mãe Didi, Dª Sílvia fez uma palestra exaltando o seu trabalho em prol do Espiritismo em Goiânia, no CEIC, e durante o seu velório, o neto de Dona Didi – Amaro França Araújo – também a homenageou contando parte de sua trajetória no espiritismo.

domingo, 5 de junho de 2011

DEPOIMENTO DO RICARDO ABRAHÃO SOBRE DONA DIDI

Ricardo Abrahão, 2010.
Conheci Dona Didi em GYN no ano de 1993, quando vim para o casamento de sua neta Fábia. Quando cheguei à casa de sua filha Regina eu me sentei para tomar o café e poucos minutos depois a Dona Didi veio me visitar. Essa foi a primeira visita que recebi em GYN. Ela entrou, fechou a porta, colocou a bolsa sobre a cadeira na sala, olhou para mim com atenção e disse já com os braços abertos: - "Que simpatia"! E me abraçou! Ela foi bem efusiva comigo e nunca esquecerei o seu carinho.

Cheguei dias antes, mas no dia do casamento fomos bem cedo para a chácara do evento, junto com Dona Didi, Regina, Otávio e as crianças: Paulinha e Vitor Hugo, daminha e pajem da noiva, especificamente. Dona Didi e Regina iam arrumar o cabelo e a fazer a maquiagem lá. Lá estava também o pessoal da floricultura, do Buffet e o cabeleireiro contratado pela família. Conversei muito com Dona Didi naquele dia e também outras ocasiões.

Almoço na chácara com amigos e familiares
 do casal: Regina Aleixo.
Enquanto esperávamos os preparativos, conversávamos e apreciávamos a beleza do lugar. Foi um casamento pela manhã, estilo francês, tudo de muito bom gosto. Quando os convidados começaram a chegar, ela foi receber as pessoas como uma das anfitriãs e avó da linda noiva.

Depois eu encontrei a Dona Didi em sua casa, onde fui convidado para um lanche. Com sua simpatia expansiva,  ela me falou dos trabalhos que desenvolvia no CEIC. Então, visitei também o centro Irmãos do Caminho, no qual ela dirigia a parte espiritual e ainda atuava como presidente da casa e da creche. Ela falava empolgada da Creche Casa do Caminho, aonde ela ia diariamente e tratava as crianças com verdadeiro amor materno.
Depois disso, nós nos encontramos várias vezes e ficou claro o grande carinho que ela tinha por mim e que eu retribuía por questões de afinidade espiritual.

Regina, Lourdes e Ricardo em 5.6.2011.
O que me marcou particularmente foi uma de suas expressões quando me ouviu cantar no lançamento do livro de sua filha - Presente de Meiga -, que aconteceu em 25 de novembro de 1996, revelando a sua sensibilidade para a música clássica. Cantei Schubert, Schumann e Carlos Gomes e ela ouvia embevecida. Nunca esquecerei a sua expressão de encantamento que me tocou profundamente.