sexta-feira, 13 de agosto de 2010




MEMÓRIAS DA DONA DIDI – 7ª ETAPA







Capítulo XXVIII



Marco Antônio e gêmeas, 1962


José e eu sentamos à mesa para o culto evangélico do lar. Nesse tempo as gêmeas tinham 20 meses. Aprontamos as suas e as colocamos nos berços para dormirem. Lemos o Evangelho, textos de alguns outros livros, discorremos sobre os temas abordados, oramos, tomamos água fluída e quando nós terminamos o culto, cadê as gêmeas?! Elas tinham fugido, pulado a janela alta, aberto o portão... Por morarmos numa esquina, cada uma saiu por uma rua diferente... Que aflição! Graças a Deus, naquele tempo não havia tanto movimento!



Elas tinham dois aninhos quando subiram no telhado da nossa casa. Imediatamente eu pus a vizinhança em polvorosa. Eles cercaram toda a casa com lençóis. Elas corriam lá em cima que dava medo de caírem... Felizmente cansaram e José pode descê-las. Foi um susto terrível. Depois de tantos anos, cresceram e se tornaram ótimas filhas. Maria Celina fez Assistência Social, casou-se com Washington Luiz Santos e tiveram 03 filhos. André Felipe, Marcela e Paula Wanessa. Maria Luiza foi para a Holanda trabalhar com Turismo. Lá conheceu Raymond Boerema, casou-se e tem 3 filhos: Renata Carolina, Raymond Junior e Ângelo Rafael. A espiritualidade, estas filhas juntamente com os demais filhos são a razão de minha vida.











Capítulo XXIX







Era o ano de 1964. Todos os meus filhos estudavam e tudo corria normalmente. Como sempre, eu dava assistência espiritual a todos que necessitavam. José e eu fomos à chácara de nossa amiga Jaty para darmos assistência a sua filha que ia se casar. Chegamos lá às 9 horas da manhã. Quando destinamos a regressar, eram 12horas. Ao chegamos a casa, encontramos Sônia Cristina caída debaixo da mangueira. Ela subiu, desequilibrou e caiu de altura bem grande. Eu a peguei no chão, desacordada e corremos para o Centro Espiritualista, na rua 8”A”, do setor oeste. Nós a colocamos na mesa de cura do Dr. Fritz; José fez uma prece e imediatamente o Dr. Fritz desceu e colocou gaze em sua perninha, deu as orientações, dizendo:



- “ Ela quebrou a perna em três lugares. Não deixem que ela ande durante 3 dias, coloquem as compressas e dê-lhe os remédios que orientei. Seguimos à risca as orientações recebidas. Ela estava fazendo provas no colégio, José e eu a levávamos de carro, carregávamos até a classe, obedecendo fielmente as ordens do irmão Fritz.



Ao fim de uma semana, ela estava bem, nós a levamos ao centro, Dr. Fritz tirou as ataduras e gazes. Não ficou nenhuma cicatriz ou seqüela. Toda vida, José e eu tivemos muita fé e tudo se realizava a contento.







Capítulo XXX







Era o ano de 1967. Tudo corria sob as ordens espirituais. Em 15 de junho de 1967, desencarnou meu esposo José Araújo. Foi triste demais para mim e as crianças. A gente é acostumada a ensinar o evangelho, mas quando chega a vez de a gente exemplificar este evangelho, como é difícil!



Continuei no centro e como José tinha o grande objetivo de amparo à criança, construímos – eu e meu genro - Air Gomes de Moura – à rua Tomás Teixeira Leite esquina com Rua C- 152, no Jardim América, a nossa Creche CASA DO CAMINHO, para dar assistência aos menores filhos de viúvas e mães solteiras de 1 a 7 anos de idade.

Dª Argemira ( mãe Air), Sônia e DIDI, 1993



Atuei como diretora e presidente desta instituição e fiz questão de dar amparo a todoas as crianças, doando o melhor para todas elas. Foi muito gratificante para mim. Uma das pessoas que muito colaborou foi o Dr. Célio Pires, grande espírita, que colaborava em parte com o sustento das crianças. Muitas criaturas dotadas de amor ao próximo me ajudaram com suas vibrações, serviços, auxílio monetário. Dr. Pedro Vasco, dono e diretor da ELLUS Construtora, me ajudava nas reformas, consertos da creche, enfim, uma obra de caridade propicia muitos adeptos para vivenciar os seus problemas gerais e ajudar nas necessidades.











Capítulo XXXI







A minha vida mediúnica corria dando-me oportunidade de exercer sempre a caridade. Infinidade de enfermos ocorria ao e a minha casa para auxílio. Chegavam doentes de todas as plagas do Brasil e quando não tinham recursos financeiros, após o trabalho de assistência espiritual, eu os trazia para casa e eles permaneciam dias e meses, eu cuidando de todos eles. Traziam crianças quase morrendo e eu ia a meu quartinho de amparo, orava e através de Eurípedes Barsanulfo, Dr. Bezerra de Menezes e Dr. Fritz eram manipulados remédios de homeopatia e todos eram curados e beneficiados de alguma forma.



Um dia, Dr. Wilson Coelho Fleury e o Geraldo Toledo furtaram um doente à morte de um hospital. Ele tinha um tumor no cérebro e vieram com ele ao meu lar dizendo:



- Dª Didi, este doente será curado por seu intermédio. O doente gritava de dor e a sua operação estava marcada para aquele dia no hospital... Lembro-me de que quando eu desincorporei, o doente esta ajoelhado, rezando e agradecendo a sua cura. Wilson e Geraldo estavam extasiados pela assistência do Alto... Somente pedi a eles:



- Levem o doente para casa e não falem a ninguém do sucedido.



Assim, de doentes desenganados pela medicina terrena eram retirados tumores, infecções em todos os órgãos, eram dados conselhos para auxilio mental, emocional, material e espiritual por meio da espiritualidade maior.



Lembro-me de que eu morava com meus cinco filhos mais novos à rua quatro, no Edifício Míriam, e, um dia, às 3 horas da madrugada, chegou um senhor que me disse depois de eu ser acordada:



-Trouxe algo para a senhora resolver. Desci as escadas e qual não foi a minha surpresa... Um morto no táxi e o homem que o acompanhava me disse:



- Me ajuda a enterrá-lo, não tenho recurso nenhum! Que poderia eu fazer? Apesar de minhas parcas condições materiais, fiz o que podia... O próprio defunto veio pedir-me, será que eu poderia negar a assistência final?







Capítulo XXXII







Após a morte de meu esposo José Araújo, ficamos na casa da Rua Seis por oito meses. Depois, minha filha Regina Lúcia montou uma escolinha na casa, chamada Escolinha Maternal Larissa. Aluguei um apartamento no edifício Jarina, na Rua Cinco com a Tocantins. Esse prédio havia sido construído bem recentemente e fomos dos primeiros moradores lá.



A escolinha foi o maior sucesso e Regina, aproveitando a greve da universidade onde estudava, foi para uma viagem cultural na Europa a fim de aperfeiçoar o seu inglês e o francês.



Quanto a minha parte material, montei uma pequena fábrica de confecções na Rua 68, continuação da Rua Seis. Também uma boutique. Fui a São Paulo com minhas filhas, compramos roupas para revender em casa. Não podia cortar materialmente aquilo a que os filhos estavam acostumados a ter... Lembro-me que depois que voltava do centro, fazia acabamento nas costuras da confecção. As peças mais finas ficavam na boutique, as demais eram entregues a algumas moças que faziam as suas vendas no interior.







Capítulo XXXIII








Todos meus filhos estudaram, casaram e me deram 23 netos e doze bisnetos. A minha vida continuava como sempre muito espiritualizada, trabalhando e acompanhando os filhos em suas jornadas evolutivas. Como médium propiciava o auxílio espiritual aos enfermos e necessitados. Como mãe, fiz questão de amar e dar o melhor dos exemplos a meus filhos. Fiquei viúva por dez anos, criando, educando e encaminhando os meus filhos.



Meu Deus, abençoe-me neste instante! Sinto que tenho que arcar com outra missão. Como é difícil acertarmos. Sei que o destino me reserva lutas diferentes. Abra os meus olhos, direcionando a minha força para o bem! Sim, Senhor, eis-me aqui!



Vozes maviosas plasmaram no recinto um lindo pomar de frutos de todas as espécies, também uma extensão enorme de roseiras. Um espírito conhecido colheu uma rosa vermelha e me deu...



Tome, filha, pelos próximos vinte anos que terá que passar... Sinta o perfume desta rosa, extasiando e dando-lhe força para não retroceder no meio da jornada... Vi-me em viagens por tantos lugares, levando o bálsamo, o lenitivo a tantas criaturas. Eu vi pedreiras, mares, pantanais, praias, cidades, rios, lagoas e córregos, e eu sempre ministrando a água viva do evangelho... Meu Deus, só tenho que agradecer tanta beleza, não será sacrifício, mas, sim, algo sublime e incomensurável...


quarta-feira, 11 de agosto de 2010



MEMÓRIAS DA DONA DIDI – 6ª ETAPA



Capítulo XXV



Em 19 de julho de 1958, partiu para o plano espiritual Dr. Colombino Augusto de Bastos, deixando-nos uma grandiosa lacuna em nossos espíritos.

Ele foi cumpridor de sua tarefa mediúnica e tornou-se um irmão dedicado de todos nós do núcleo. Por obra do auxílio do Alto trabalhei na direção da Tenda do Caminho por quatro anos, quando recebi ordens para construir o Centro Espiritualista Irmãos do Caminho, na Rua 8”A”, esquina com a Alameda das Rosas, no Setor Oeste. A inauguração deste centro se deu em 22 de dezembro de 1962, lá ficamos trabalhando por 20 anos.

Didi e o neto Bruno, 1972

Minha casa vivia cheia de crianças, de vez em quando chegavam meninas, mocinhas, punham crianças em cestinhas em minha porta... Graças a Deus, dava conta de ser mãe de todos!

Um dia puseram um menininho recém-nascido em nossa garagem. Ficou lá o dia todo sem que ninguém visse. A sorte dele é que José deixou o carro na oficina para conserto, senão teria passado por cima da criança, mas a friagem da garagem durante o dia o resfriou e ele morreu com apenas três dias. Nós o batizamos de Flavinho antes que partisse. Mais uma alma que foi para o céu.


 





Capítulo XVI






A voz dizia: - Filha, é preciso se preparar, vem aí uma missão na qual você não poderá falhar, tampouco recuar.


Quanto mais eu ficava querendo saber o que era, mais a voz me orientava.


- Depende de você, filha, esta missão dará oportunidades máximas ao seu espírito tão endividado do pretérito... São dois espíritos muito ligados a você desde priscas eras, e representarão, talvez, a razão de sua existência, hoje, na terra. São espíritos que você muito amou e continuará amando demais... José Araújo, seu esposo, irá desencarnar, deixando você no leme do barco a conduzir toda esta corrente dadivosa de filhos afeiçoados que dependerão da sua exemplificação em todos os lances da vida... Vamos em frente, continue com esta fé inabalável e o Senhor dos Mundos lhe dará forças para não desertar no meio da estrada.




Didi e amiga, na Bahia


À noite, quando me destinava a descansar e dormir, ía eu a ignotos mundos, sendo uma dos doze reunidos, que éramos orientados. Imensos jardins, milhares de flores deixavam o seu perfume por onde nós passávamos. Suave brisa refrescava nossas mentes das atribulações passadas durante o dia.


- Filha, estamos preparando você para novamente ser mãe, dizia a voz. Mãe, duplamente, e disto dependerá o resgate de seu carma adquirido em épocas passadas.







Capítulo XVII

Maria Celina, 1962
Na manhã de 29 de maio de 1961 aconteceu algo maravilhoso. Nasceram as minhas filhas lindas, sapecas, levadas. José ficou encantado e contentíssimo com o nascimento de nossas filhas da Dª Gercina, na Rua 4, centro.

José comprou um berço duplo, mas não conseguimos deixá-las juntas. Maria Luiza unhava a Maria Celina, dava-lhe surras de unhadas. José comprou outro berço para colocar a Maria Celina.


Maria Luiza, 1962

-Meu Deus, como mudou o meu lar! As gêmeas ocupavam todos da casa. Choravam muito. Eram tão parecidas que tivemos que colocar uma pulserinha na Maria Luiza, porque quando elas adoeciam eu dava remédio a uma delas duas vezes e a outra continuava doente... Eram duas bonequinhas, muito parecidas com José, meu esposo.

Durante quatro meses eu permaneci quase sem dormir, cuidando delas. Tínhamos uma mocinha chamada Edyr que me ajudava à noite. Regina e Clélia também ajudavam durante o dia, principalmente.
Gêmeas, em 1965




sábado, 7 de agosto de 2010




Memórias da Dona Didi – 5ª Etapa







Didi e Sônia, 2001.
Capítulo XXI



Madrugada do dia 4 de junho de 1953. Acordei, aprontei a malinha do enxoval do meu ou da minha nenê. Deixei Marco Antônio, Regina Lúcia e Clélia Maria com Natalina e Tertulina, irmãs que viviam em nossa casa e nos ajudavam com as tarefas domésticas. Fomos José e eu para o Hospital São Lucas, porque eu esperava o quinto filho ou filha.



Menininha, esta Sônia Cristina que não fez como os outros que demoraram horas para nascer! Apressadinha, hein?! Poucas dores, criança acomodada e inteligente! Desde cedo foi a companheira de José em tudo. José construiu uma granja no lote vago ao lado de nossa casa. Fez uma horta, tínhamos uma mangueira que dava frutos docinhos e dava uma sombra para as crianças brincarem debaixo. Sonia Cristina ajudava o José a tratar e a vacinar as galinhas. Vendia verduras fresquinhas e ovos para os vizinhos! José sempre dizia: - Esta menina será mais tarde uma grande negociante; realmente ela trazia tudo apontado e prestava contas de tudo ao papai.



Na época do carnaval, José comprava lança perfume para eles brincarem no lote vago e Regina borrifava nas galinhas e elas caiam tontas. Sônia se zangava e gritava: - Se você matar a Patona, você vai ver! Patona é a maior galinha do galinheiro.


Sônia Cristina, 1958


Sônia Cristina gostava muito de criações. José criava galos papuíras que investiam na gente. Criou uma onça jaguatirica, uma ema, gatos e vários cães chamados todos de Tupi. Soninha adorava os animais e também era muito estudiosa. Aliás, todos os meus filhos foram muito aplicados no colégio. Eles fizeram o curso primário no Externato São José ou no Educandário Goiás, dirigido pelo professor Moacir Brandão e Dona Maria.



Todos os anos, José acendia fogueira no dia de São João. Eu fazia canjica, broas, pães de queijo, pé-de-moleque, doce de leite em pedacinhos, para a meninada, não só os meus, mas também para os da vizinhança. José comprava fogos de artifício e eles acendiam estrelinhas, rodinha coloridas, traques e busca-pé. Era a maior brincadeira deles. José era um pai maravilhoso, pena que mudou de plano muito cedo, deixando alguns ainda pequenos e não viu nenhum formado ou casado, tampouco os netos tão lindos e inteligentes.



Capítulo XXII



Todos os meus filhos me trazem muitas recordações. Eu continuava costurando as roupinhas da obra do berço. Sonia Cristina, já grandinha, me perguntou:



- Mamãe, para quem a senhora vai deixar a máquina de costura quando a senhora morrer?



_ Por quê? Perguntei.



- É porque eu quero continuar fazendo as costuras dos nenês.

Sônia Cristina em 1960



Soninha foi sempre muito liberal, sempre gostou muito de fazer caridade. A alegria de dar é um impulso natural do íntimo. A caridade e o serviço amoroso e altruísta é o caminho mais curto e alegre que nos leva a Deus! Jesus, amado Mestre, como é bom a gente recordar... E a voz me alertava: - Filha, continuemos a escrever!



Soninha foi mais tarde uma companheira muito sincera e amiga para mim. Muito cedo ela exerceu a mediunidade no Centro Espiritualista Irmãos do Caminho e me acompanhava nas visitas de assistência aos pobres.



Capítulo XXIII



José me preocupava demais. Pela manhã eu me perguntava: - Será que ele anoitece? À noite, eu pensava: - Será que ele amanhece? Eu vivia numa grande atribulação... Com tantas crianças, como poderia dar conta de tudo sozinha?



Em junho de 1954, José estava internado no Hospital São Lucas com uma crise de soluços incrível. Era a mesma doença do Papa João XXIII em Roma. José fez diversos exames e permanecia muito mal no hospital.



Eu, mais uma vez grávida, esperando o meu 6º filho ou filha. Soninha era pequenina e também os outros filhos. Eu não tinha sossego, se estava no hospital, eu me preocupava com as crianças; se estava em casa, eu me preocupava com o José hospitalizado. América, irmã do Dr. Alírio, mocinha muito bondosa, me ajudava a olhar as crianças. Também o Tonho, irmão do José, e sua esposa Laurice, lavavam as roupinhas dos meninos e faziam a comidinha deles, pois eu não parava em casa, estava sempre no hospital com o José.



Após muitos dias de sofrimento para todos, José melhorou e voltou para casa. Mas depois de poucos dias ele teve uma crise horrível. Cansado, dei-lhe um comprimido para tomar e ele dormiu fazendo uma prece. Eu descansava na cama ao seu lado, dormindo. De repente, eis que me levanto, chego perto de José e a voz lhe disse: - Pronto, meu filho, aqui estou. Você ficará bem, por pouco tempo. Neste tempo você porá todas as coisas em dia. A crise vai passar. Assim sendo voltei para a cama, deitei não sei como. O José me acordou, dizendo:



- Didi, agora eu estou bem, já não estou com falta de ar, a febre passou, o corpo não está doendo... Tinha sido curado, graças a Deus! Agradecemos a Deus a ajuda do Alto e ele passou uma longa temporada bem melhor.



Capítulo XXIV



30 de julho de 1954. Era de madrugada e não demorou muito e comecei a ter os vestígios do parto. Era chegada de mais um filho ou filha. Aproveitei e fiz a malinha do nenê; Olhei as crianças que dormiam; José e eu fomos para o Hospital São Lucas, na rua quatro do centro da cidade. Deixamos as crianças com a Mariinha, moça abnegada que já estava lá em casa há algum tempo.
José Araújo Júnior, 1955




Chegou José Araújo Júnior, o Zezinho tão esperado depois do nascimento de quatro meninas seguidas. Nasceu fortíssimo com cinco quilos e duzentos gramas; era um meninão! As roupinhas ficaram pequenas e apertadas, todo diferente dos outros, até na alimentação. Cresceu forte e enorme e tinha uns brinquedos extravagantes... Fazia carrinhos de rolamentos e descia em disparada na rua seis. Mais tarde foi campeão de Judô e natação.



Quando ele tinha dois aninhos, eu o deixei em casa dormindo e fui entregar os enxovaizinhos da obra do berço na Tenda do Caminho; lá demorei pouco mais de uma hora e quando cheguei à casa, Juninho estava no bercinho passando muito mal. Soninha me dizia: - Mamãe, dê um passe no Juninho para ele sarar!


Juninho, em 1959


Corri, dei-lhe um banho, vesti-lhe um pijaminha e corri com ele nos braços para o hospital Santa Luiza, na Avenida Goiás, esquina com a Rua oito, no centro. Quando lá cheguei, ele foi assistido pelo Dr. Eduardo Jacobson que me disse: - É preciso operá-lo! Fiquei apavorada. José, meu marido, estava em Belo Horizonte, em tratamento de saúde e eu tendo de assumir tudo isto sozinha me dava medo...



Juninho estava na mesa de operação. Dr. Eduardo saíra um pouco, providenciando a operação, quando escutei a voz:



- Filha, carregue o seu filho. Chegando à casa, dê-lhe chá de mentrasto com sal; foi manga que ele chupou demais em sua ausência.



Agarrei o menino muito pesado, corri para casa, mandei fazer o tal chá e qual não foi a minha surpresa?! Ele vomitou tudo e disse-me: - Mamãe, não chore, já estou saradinho.



Como sempre fiz uma prece agradecendo a Deus a assistência que recebemos.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010



MEMÓRIAS DA DONA DIDI – 4ª ETAPA



Batismo da Tanit, no CEIC. Air, Sónia, Vanda, Deolinda e Didi, 1972. 
CAPÍTULO XVIII

A vida corria com muito êxito. José continuava ajudando o Dr. Colombino na tesouraria da tenda e na construção das obras assistenciais. Eu, agraciada com a mediunidade, continuava dando a minha colaboração nas preces, em trabalhos de passes em benefício dos enfermos. Continuava com a obra do berço. Trabalhei por dois anos com a Dona Belinha, esposa do Senhor Felinto, na obra do Preventório, na Fama. Ajudei o Senhor Odorico Nery e Dª Alda a angariar utensílios, móveis e colchões para o Solar Colombino Augusto de Bastos. Promovi o natal dos pobres por 45 anos... A qualquer hora que me chamassem, fosse de dia, de noite ou de madrugada, eu ia orar pelos enfermos e necessitados...

Como agradeço a Jesus poder concretizar tudo isto! Religião é assim, desprendimento de si mesmo, regeneração, alcançar o objetivo principal vivendo na prática do evangelho de Jesus Cristo! Fora disto, é tudo sofismas e equívocos.

Capítulo XIX

José Araújo sempre doente me preocupava muito. Contudo, ele continuava trabalhando, era um espírito dinâmico. Vendeu a Casa Araújo para o Senhor Roldão, esposo de Dª Raimundinha. Eles vieram do nordeste e se estabeleceram aqui em Goiânia.

Dona Didi em 08.11.2002, aos 80 anos
José montou um escritório de representações à Av. Anhanguera, no Ed. Cidade de Goiás. Fazia seguros de vida, de casas e carros. Tinha diversas representações, inclusive, da empresa Gás Bel e cozinhas / lavanderias da Wallig. Muito espírita sempre, continuava trabalhando na tesouraria da Tenda do Caminho e nas obras espíritas.

Resumindo a minha trajetória junto à espiritualidade, trabalhei três anos mediunicamente na Tenda do Caminho antes do desencarne do Dr. Colombino. Depois mais quatro anos dirigindo os trabalhos espirituais na Tenda, hoje, Irradiação Espírita Cristã. Em 1961 até 1962, nós tínhamos um núcleo em nossa casa que se especializou em trabalhos de materialização. Éramos 12 médiuns e juntos aprendemos muito em todo aquele tempo. Em 1962, após quatro anos de trabalho de direção espiritual na Tenda, meu marido José Araújo e eu doamos um lote que possuíamos na Rua 8 “A” do setor oeste para a construção do Centro Espiritualista Irmãos do Caminho, obedecendo às orientações espirituais.

Foi um grupo maravilhoso! Todos nós comungávamos o mesmo ideal. Foram desenvolvidos 152 médiuns que faziam parte dos trabalhos do novo centro. Havia especialidades em todo fator mediúnico. Lá trabalhamos, aprendemos e realizamos a assistência a todos que passaram por aquela casa espírita. Como estava pequeno, construímos a nova sede na Alameda Ricardo Paranhos, na QD 259, lote 12. Como o lote tem duas frentes, este fato favoreceu o aproveitamento de toda a área. No dia 9 de setembro de 1981, inauguramos a nova sede com uma sessão de quarta-feira, patrocinada pelo Irmão Fritz, por Bezerra de Menezes e Manuel Maior, com trabalho de receituário e curas neste novo local.

Capítulo XX

Assim é a vida, somos apenas instrumentos da vontade divina; sempre que quero uma resposta a meus anseios, espíritos jogam flores ou folhas, não sei de onde, que caem na mesa ou no meio da sala... Quando acordo de noite, espíritos voam do céu e caem pela janela de meu quarto e me trazem estímulos, mensagens de encorajamento e alegria...

Podem os leitores achar tudo isto uma grande imaginação. Não é não. Tudo é a expressão da verdade. Médium é isto, somos apenas instrumentos da vontade divina... Não devemos nos revoltar diante de muitos acontecimentos, porque Jesus nos proporciona sempre o melhor de acordo com o nosso merecimento.

Neste novo endereço trabalhei durante quinze anos e me afastei no final de 1996 devido à enfermidade de meu segundo esposo – José Nascimento.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Didi em 1952
CONTINUAÇÃO DAS MEMÓRIAS DA DONA DIDI - 3 ª ETAPA



Capítulo XV



Eu estava novamente esperando o quarto filho
Dia 2 de maio de 1952 nasceu a minha filhinha Maria Elizabeth. Criança forte, muito branquiou filha. Nunca tinha me sentido tão sem coragem. Após tomarmos o café da manhã em 1º de maio de 1952, José e eu fomos até o portãozinho de nossa casa. Conversamos fazendo planos para os decorrentes anos.
Tenda do Caminho, atual Irradiação Espírita Cristã

Ele trabalhava na Tenda do Caminho e me disse que a próxima obra seria a CASA DO CAMINHO, no bairro Santa Genoveva. Esta obra daria amparo às mocinhas pobres, sem pais ou mães solteiras. Dª Maria Antonieta, vice-presidente da Tenda, então, deu-me a incumbência de dirigir a obra do berço que daria assistência às mães pobres ou solteiras. Distribuiria 25 enxovaizinhos completos para bebês recém-nascidos.



Muitas pessoas me ajudaram nesta obra, quer me doando tecidos ou costurando lindas roupinhas para a obra do berço.



Capítulo XVI

Dia 2 de maio de 1952 nasceu a minha filhinha Maria Elizabeth. Criança forte, muito branquinha, linda mesmo! Estava na maternidade D.ª Gercina, na Santa Casa, à Rua quatro, esquina com a Av. Tocantins. Fiquei lá sozinha porque o José precisava ficar com as crianças em casa. Na noite do dia 3 de maio, minha irmã de criação - Agda e Daniel, seu esposo, foram visitar-me. Eu estava com uma complicação hemorrágica e febre. Na hora da saída das visitas, Daniel vendo que eu estava com muita sede devido à febre alta, colocou a moringa de água no criado perto da cama. Assim que eles saíram, eu puxei a moringa e a água caiu toda sobre a minha cama... Foi um choque terrível. Chamei a enfermeira, ela trocou a cama e trouxe a minha filhinha para eu amamentar. Ela estava rosada e sadia.



Na manhã seguinte, quatro de maio, Maria Elizabeth amanheceu morta. Parece que ela asfixiou por ter vomitado ao dormir de costas.



José, meu esposo, ficou desolado. Culpava todos na maternidade, mas eu lhe disse: - Tenha calma, as coisas acontecem; a gente não viu nada, somente podemos falar as coisas quando as vemos ou as assistimos.



Dia 5 de maio de 1952 fui para casa com seu esposo e os três filhos – Marco Antônio, Regina Lúcia e Clélia Maria.



Até hoje, quando me lembro desta passagem da minha vida, fico sofrida e chorona.



- Filha, recordar é viver! Continuemos a escrever as Memórias e agora mais do que nunca, comece um roteiro de caridade. Continue com o natal dos pobres, dando roupas usadas, sapatos, cestas de alimentos e assistência aos necessitados. Também, você criará, além dos seus sete filhos, mais sete meninas de outros pais... A sua caminhada inicia agora, o sofrimento, filha, é a base da subida!



Dona Didi em 1968
Capítulo XVII



Ninguém evolui sem sofrimento! Em circunstâncias diversas, acontecimentos que nos parecem derrotas são bens que não sabemos ou não entendemos de início. Importante lembrar que Jesus em sua trajetória terrena disse: - “ Pai, seja feita a Vossa vontade e não a minha.”



- Meu Deus, amigo de todas as horas, como é belo sentir a Sua presença através da vontade de regeneração!



Novamente, sentia perfumes de incenso, mirra e rosas. À minha frente, jardins floridos, campos verdes se estendiam em nuances de paz! Obrigada, Jesus, por tudo que tenho recebido...



O leitor poderá dizer que sou uma sonhadora, mas é a pura verdade tudo que escrevo! O caminho do bem é uma reta sem miragens...

Depoimento de Maria Alzira Pereira da Silva


Regina e Maria Alzira no CEIC

Conheci a Dona Didi na antiga sede do CEIC no setor oeste. Eu freqüentava o centro com minha família, tomando passe desde criança.

Minha mãe - Geny Alves da Silva - já atuava junto ao natal dos pobres, ajudava com a creche e estávamos presentes na pedra fundamental deste prédio.

Depois disso eu me casei e quando eu tinha 3 filhos a minha mediunidade começou a perturbar a minha vida e vim conversar com a dona Didi. Meus filhos eram pequenos então. O mentor me aconselhou a esperar um pouco, mas disse que se eu quisesse melhorar eu precisaria trabalhar mesmo.

Maria Alzira





Comecei a trabalhar, mas eu me sentia mal assim mesmo. Então, ia à casa de Dona Didi e ela me recebia com muito carinho e dedicação, mesmo que eu estivesse com meus filhos pequenos. Sempre que precisei, eu fui lá. Assim, nossos laços de afinidade se estreitaram.

O que eu sentia era que ela me acolhia com boa vontade, com um sorriso. Às vezes eu lhe levava sucos e até dividimos em sua casa o vinho de que ela tanto gostava. Eu entrei em sua intimidade, muitas vezes assisti à cena de ela dividir o alimento com seu companheiro José, seu segundo esposo, que também freqüentava o centro e a levava para os trabalhos espirituais. Com o tempo, eu fui conseguindo me equilibrar e também encontrei a harmonia como médium.

Zuleika, Tânia, Alzira, Keila, Valderez e Regina



Há um fato interessante de que me lembro. Fizemos uma rifa de um quadro da santa ceia, pintado pela filha da Dona Elcyr - a Paula. Eu ganhei o quadro e já imaginava o lugar onde o colocaria lá em casa. Daí, alguns médiuns se aproximaram e sugeriram que eu doasse o quadro novamente. Eu fiquei muito dividida, mas nada disse a ela. Durante a sessão o mentor me chamou e me disse: - “O quadro é seu”. E me indicou onde deveria pendurá-lo. Fiquei surpresa e feliz e até hoje ele se encontra no lugar sugerido.

 

Turma da quinta feira no CEIC
Quem marcou os dias do nascimento de meus três filhos foi o Dr. Fritz, por meio de Dona Didi. Além do pré-natal usual, fiz também o espiritual com ele, aqui no centro. Normalmente o ginecologista dava uma data e ele outra. Sempre segui as instruções espirituais e na época do nascimento do meu primeiro filho o médico achou que eu deveria fazer a cesárea, estipulou uma data diferente da data marcada pelo Dr. Fritz. Preferi confiar na espiritualidade e depois do parto o médico concordou com o fato. Ele nasceu no dia de meu aniversário 25 de fevereiro.




Eu tive um problema de saúde na segunda gravidez, quando morava em Brasília, mas vinha a Goiânia periodicamente para o pré-natal no centro. Tive cálculo renal com seis meses de gestação, precisei ser internada, mas tive alta para vir ao centro. A pedra foi expelida magicamente. O médico ficou surpreso e passou a freqüentar o centro também.

Dona Didi em seu apto. Ed. Trianon
Às vezes, morando em BSB, eu ligava para a Mariazinha e ela me retornava dando o nome dos remédios e assim sempre nos tratamos.



Surpreendente era a força dos guias de Dona Didi. Só quem conviveu com ela e assistiu aos maravilhosos trabalhos de cura que ela intermediou tem como imaginar a sua capacidade mediúnica. Na época em que ela saiu do centro, eu também saí do CEIC, retornando 4 ou 5 anos mais tarde.

Fui visitá-la algumas vezes junto com o pessoal do centro para dar-lhe assistência. Havia uma moça, chamada Lúcia Cândida, negra, que tinha dificuldade de integrar o grupo no início, mas depois se tornou excelente médium. Ela morava lá em casa e minha mãe um dia a acordou para vir ao centro. Ela ficou revoltada e ninguém entendeu por quê. Durante a sessão, o mentor lhe contou que em outra encarnação ela havia sido loura e minha mãe negra, além de ser também a sua escrava. Ela costumava acordar a minha mãe com água gelada...

Uma vez, apareceu um gânglio no pescoço de minha filha e o Dr. Fritz aconselhou a não mexer, porque ela poderia ficar muda. De fato, meses depois o tumor desapareceu. Sempre tive muita fé na espiritualidade e nunca me arrependi.

Minha convivência com a Dona Didi foi uma bênção e sempre lembrarei o amor e a dedicação com que ela me tratava.